poema

Minha arte de magia num mundo sem magia
é a arte da nostalgia original
Perigosa é a canção das sereias
como noutros tempos
Noutros tempos havia mensageiros
reis e loucos
Sonhava-se muito
Eles estavam no incomensurável
e viviam no não ser
O seu nome não se pronunciava
mas o poder deles trazia plenitude às almas
e as pessoas achavam tudo natural


Carlos Edmundo de Ory, trad. Herberto Helder

pode falhar-se a vida

Eu não tinha nada de felino, tu sabias
que eu não tinha nada de felino.
Nenhum de nós se admirou quando
medi mal a distância e falhei o salto.
Enquanto ia no ar parecia que era
um salto bom, porém houve qualquer
coisa que correu mal e caí com estrondo
no chão. Ninguém riu. Não era caso
para rir. Grande ilusão ir pelo ar a pensar
que o salto podia ser bom, sem eu ter
nada de felino, sem nunca ter treinado,
sem fazer sequer aquecimento, sem
olho para medir distâncias. Saber medir
distâncias é uma coisa muito importante,
pode falhar-se a vida por milímetros.


Helder Moura Pereira

to see what you see

The Tree of Life, Terrence Malick, 2011

epitafio para amantes

Morir de amor
es un dolor asumible.

Lo insoportable es resucitar solo.


Mariano Crespo

se eu fosse um vídeo

Nuno Bouça, 2012

préstimo

Um gato não serve realmente
para nada, vão quase seis séculos
desde o tempo das caravelas
onde embarcou com os marítimos para
extermínio dos roedores que
infestavam o porão das naus. Agora
só o dorso oferece às carícias
ou ao regaço o peso
do pequeno corpo, ronronando
a grata beleza de existir.


Inês Lourenço

days of hapiness

Badlands, Terrence Malick, 1973
Badlands, Terrence Malick, 1973

vitamina c

Adoro mangalaranja da Nicarômbia e jabuticaba da Papaia--Nova Guiné.
E adoro café do Brasil e perabacate de caril.
É isto a minha vida no Verão: misturo a fruta e como que nem um filho-da-puta.
E são tantos os lugares que já me baralho - há fruta por todo o lado até ao caralho.


João Habitualmente, Notícias do pensamento desconexo

woman with girdle

other people’s comfort keeps me up at night

Today darling I am rising
from the lavender bathtub
of self-loathing. I don’t take drugs
to shut up I take off
my pants when I get home
and I stay there, red cup full
of cigarettes from heaven, ghosts
of all my friends between my toes.
I imagine them pouring vodka all over
each other wearing glitter.
The vision is closing in like a tight dress.
Meanwhile the moon
fills gray-green. The shops in the village are
leaking bodies. Spilt oil rolls over
cash like hands, some glorious bullshit.
What bothers me is the weight
of clouds under your fire escape, your
hand strange lines I feel
and can’t, one shared breath
of all the bulldogs in the park,
how I don’t notice an inch below
something wriggling in dark warmth
as if love or hunger never counted
and I was never meant to last. The nervous
breakdown doesn’t end.
It was only sleeping. And comes
back good and rested
smearing its eye boogers all over.
Says you’re an arrogant prick.
I say fuck you nervous breakdown.
It says open the curtains and look
down at all the people or
you may only share your bed with me.
I accidentally say OK.
When I can’t sleep I smoke
a dark cigarette and keep the curtains closed
so I can lose track of where I am
and who is here with me. I cut the faces
out of magazines and pile them
in the middle of my hardwood floor.
In the distance, that good old
rock n roll. This isn’t simple
if you want it to be. What my country
does for me is enter
me like a room, becomes the furniture,
the wall, the painting on the wall,
the white spot where painting used to sing.
Singing enters me, becomes the window.
Baby think of my skin
as the best part of the song. Take me
by the ribs and lay me at the bottom
of a dirty creek where I can
get a good view.


Morgan Parker

uneventful life

E Agora? Lembra-me, Joaquim Pinto, 2013

for a lady I know

She even thinks that up in heaven
       Her class lies late and snores,

While poor black cherubs rise at seven
        To do celestial chores


Countee Cullen

se eu fosse um vídeo

alba

É dia, e daí?
Relógios e amantes
acordam em desacordo.
Por que levantar agora?
A noite não foi cheia de afazeres,
como um dia de escritório?
Não é também labor
uma noite de amor?
Como o corpo desses livros
que lemos no leito
o seu não guardou as marcas
do meu manuseio lento?
Mais vale adiar
o dia.
O alarme
do celular:
que triste
rouxinol.


Ana Martins Marques

on the escalator

Girl on the Escalator, Kayhan Lannes Ozmen, 2016

eu só queria vazar

o lugar mais longe que
eu tinha ido era tão perto
que foi só pra lá que eu
pensei em ir meu nome
é vaniela da silva e o lugar
mais longe que fui foi a paraíba
saquei o que tinha
calcei as sandálias
bebi um café e fui
trabalhar mas dei um
perdido e não voltei pra
casa fui andando
pra frente que é pra onde
se deve andar se eu fosse
um homem branco ninguém ia nem
perceber “fugiu com uma nêga”
“tá apagado
no bar”
“tinha dívidas no banco
no boteco no agiota”
mas não sou travis e
isso aqui não é paris
nem é texas
não tem glamour de
cinema tem a delegada
gleide que adora aparecer
nas fotos e tem
toda sorte de infelizes
pra me julgar que eu saiba
tenho o direito de sumir
de dar meus perdidos
eu não esperava
tamanho alarido
me diga mesmo desde
quando essa terra se
importa com seus mortos
com seus desaparecidos
se eu fosse um homem preto
e tivesse sumido
todo mundo ia rir
“deve ter feito merda
grande”
“esse é o fim
de todo ladrão”
“devia ter dívida
com um traficante”
mas sou mulher
e fica ainda pior
me odeiam por não ter sido estuprada
e me odiariam se tivesse sido
iam perguntar
o que eu teria feito
que foi bem feito
que devo ter merecido
nesse road movie
perverso em que meu papel é
ao mesmo tempo
geni e super star
não sou soberana
sou um particípio
nos jornais dizem
“teria roubado”
“teria falsificado”
“teria fugido”
ninguém considera
que eu, vaniela,
fugi porque pude
porque quis
fosse sozinha
com a namorada
ou com o tal do juiz
cada um vai e se vira
como pode eu comprei
umas passagens
e fui pra rodoviária
eu só queria vazar.


Adelaide Ivánova

self - pity

© Louise Bourgeois

levai-me

Levai-me numa caravela,
Numa antiga e amena caravela,
Na proa, ou se quiserem, na espuma,
E abandonai-me, lá longe, longe.

Na união a um outro tempo.
No veludo ilusório da neve.
No bafo de alguns cães à volta.
Na extenuada turba das folhas mortas.

Levai-me sem me quebrar, nos beijos,
Nos peitos que se solevam e respiram,
Nos tapetes das palmas das mãos, no sorriso,
Nos renques das articulações e dos ossos longos.

Levai-me, ou antes: ocultai-me, ocultai-me.


Henri Michaux, trad. Herberto Helder

under

Under, Kevin Frilet, 2014

fragmento nocturno

O nevoeiro desce lentamente a colina
E conforme subo mais se adensa:
Fecha-se à minha volta, apodera-se de mim
Como lençóis caídos sobre o chão.

Aqui ficam as últimas e ascendentes ruas,
Galerias, que correm pelas veias do tempo,
Quase familiares, onde rastejo em direcção ao sono
Como nevoeiro e pelo nevoeiro como sono.


Thom Gunn, trad. Maria de Lurdes Guimarães

se eu fosse um vídeo

tu silencio

Tu silencio me hiela,
es el filo
de la montaña donde
solo aúlla el viento.


Eduardo Bechara

HERE


I'm Here, Spike Jonze, 2010

quarto de hotel

A cada um a sua Balbec.
Aqui regressas. Aqui escutas
o búzio da morte.

Entre ti e a gaze do sono
um perigo embala-te:
incerta falésia onde te precipitarás.


Luís Quintais

casas na noite

A luz que vem do passado não bate de frente nas casas,
porque ninguém olha de frente para o que passou ou morreu
e demasiadas coisas fomos deixando assim, mal arrumadas por casas velhas,
até nos darmos conta que desse modo aceleramos o nosso próprio fim
 – mas isso é indiferente aos astros e à luz, a sombra vai caindo e a noite
marcha sobre os nossos passos com a leveza de uma criança.
A vida também não nos olha de frente: fita-nos assim de soslaio
E nós, subreptícios no semblante, fazemo-nos desentendidos.
A poesia é mais uma forma de desconversar, aqui, agora,
ou até nos gritos de quem apenas implora “olhem para mim”,
quando irremediavelmente ficou escuro
e a luz não chega para todos e a noite que nos espera
será para sempre de lua nova.


Luís Filipe Castro Mendes

the moon, again

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Daniel Ribeiro, 2014

o número 76

Uma vaca, com o número 76 na orelha, está morta, o corpo caído sobre a neve. O excessivo frio súbito matou vários animais – dezenas, centenas, milhares de animais. Mas nenhum animal era igual àquela vaca com o número 76 desenhado numa placa amarela agarrada à orelha. Esse número, sabe-se lá porquê, assusta.

 
Gonçalo M. Tavares, Short Movies

se eu fosse um vídeo

KODAK

tão sentados que
estamos
aqui na borda da lua

anda jantar comigo
pomos
a vela na mesa

tão bonitos que
ficamos
ri-te p’rá fotografia

e tão inúteis que somos


João Habitualmente

poemário daqui

A. M. Pires Cabral Abel Neves Adília Lopes Adolfo Casais Monteiro Agustina Bessa-Luís Al Berto Albano Martins Alberto Pimenta Alexandra Malheiro Alexandre Nave Alexandre O'Neill Alice Turvo Alice Vieira Almada Negreiros Ana C. Ana Caeiro Ana Cristina César Ana Duarte Ana Hatherly Ana Luísa Amaral Ana Marques Gastão Ana Paula Inácio Ana Salomé Ana Tinoco André Tomé Andreia C. Faria Angélica Freitas Ângelo de Lima Aníbal Fernandes António Botto António Dacosta António Franco Alexandre António Gancho António Gedeão António Gregório António José Forte António Manuel Pires Cabral António Maria Lisboa António Mega Ferreira António Osório António Pedro António Quadros Ferro António Ramos Pereira António Ramos Rosa António Rebordão Navarro António Reis António S. Ribeiro Armando Baptista-Bastos Armando Silva Carvalho Artur do Cruzeiro Seixas Bénédicte Houart Bruno Béu Bruno Sousa Villar Camilo Castelo Branco Carlos Alberto Machado Carlos de Oliveira Carlos Eurico da Costa Carlos Mota de Oliveira Carlos Soares Casimiro de Brito Catarina Nunes de Almeida Cesário Verde Cláudia R. Sampaio Cruzeiro Seixas Daniel Faria Daniel Filipe David Mourão-Ferreira David Teles Pereira Delfim Lopes Dulce Maria Cardoso Eastwood da Silva Egito Gonçalves Ernesto Sampaio Eugénio de Andrade Eugénio Lisboa Fernando Assis Pacheco Fernando Esteves Pinto Fernando Lemos Fernando Pessoa Fernando Pinto do Amaral Fiama Hasse Pais Brandão Filipa Leal Filipe Homem Fonseca Florbela Espanca Frederico Pedreira gil t. sousa Golgona Anghel Gonçalo M. Tavares Helder Moura Pereira Helena Carvalho Helga Moreira Hélia Correia Henrique Manuel Bento Fialho Henrique Risques Pereira Herberto Hélder Inês Dias Inês Fonseca Santos Inês Lourenço Isabel Meyrelles Joana Serrado João Almeida João Bénard da Costa João Cabral de Melo Neto João Camilo João Damasceno João Ferreira Oliveira João Habitualmente João Luís Barreto Guimarães João Manuel Ribeiro João Pacheco João Pereira Coutinho João Rodrigues João Vasco Coelho Joaquim Manuel Magalhães Joaquim Pessoa Jorge de Sena Jorge Gomes Miranda Jorge Melícias Jorge Roque Jorge Sousa Braga José Agostinho Baptista José Alberto Oliveira José Amaro Dionísio José António Franco José Cardoso Pires José Carlos Barros José Carlos Soares José Efe José Gomes Ferreira José Manuel de Vasconcelos José Mário Silva José Miguel Silva José Ricardo Nunes José Rui Teixeira José Saramago José Sebag José Tolentino Mendonça Judith Teixeira Leitão de Barros Luís Miguel Nava Luís Quintais Luiza Neto Jorge Mafalda Gomes Manuel A. Domingos Manuel António Pina Manuel Cintra Manuel da Silva Ramos Manuel de Castro Manuel de Freitas Manuel Fúria Manuel Gusmão Marcelino Vespeira Margarida Vale de Gato Maria Ângela Alvim Maria Azenha Maria do Rosário Pedreira Maria Gabriela Llansol Maria João Lopes Fernandes Maria Judite de Carvalho Maria Keil Maria Sousa Maria Teresa Horta Maria Velho da Costa Mário Cesariny Mário Contumélias Mário de Sá-Carneiro Mário Quintana Mário Rui de Oliveira Mário-Henrique Leiria Marta Chaves Matilde Campilho Miguel Cardoso Miguel Martins Miguel Sousa Tavares Miguel Torga Miguel-Manso Nuno Araújo Nuno Bragança Nuno Júdice Nuno Moura Nuno Ramos Nuno Travanca Paulo José Miranda Pedro Jordão Pedro Mexia Pedro Oom Pedro Santo Tirso Pedro Sena-Lino Pedro Tamen Piedade Araujo Sol Raquel Nobre Guerra Raul de Carvalho Regina Guimarães Reinaldo Ferreira Renata Correia Botelho Ricardo Adolfo Rosa Alice Branco Rui Almeida Rui Baião Rui Caeiro Rui Cóias Rui Costa Rui Knopfli Rui Manuel Amaral Rui Nunes Rui Pedro Gonçalves Rui Pires Cabral Rute Mota Ruy Belo Ruy Cinatti Ruy Ventura Samuel Úria Sandra Costa Sebastião Alba Sílvio Mendes Soares de Passos Sofia Crespo Sofia Leal Sophia de Mello Breyner Andresen Teixeira de Pascoaes Teresa Balté Tiago Gomes valter hugo mãe Vasco Gato Vasco Graça Moura Vítor Nogueira Yvette K. Centeno

poemário dali

A. E. Housman Abbas Kiarostami Abel Feu Adélia Prado Adília Lopes Adrienne Rich Agota Kristof Al Purdy Alberto Tugues Alda Merini Aldous Huxley Alejandra Pizarnik Alejandro Jodorowsky Alexander Demidov Alice Walker Amalia Bautista Amiri Baraka Amy Lowell Amy M. Homes Ana Merino André Breton Angela Carter Anis Mojgani Anna Akhmatova Anna Kamienska Anne Carson Anne Perrier Anne Sexton Antonia Pozzi Antonin Artaud Antonio Gamoneda Antonio Orihuela Antonio Pérez Morte Antonio Sáez Delgado Arnold Lobel Arseny Tarkovsky Arthur Rimbaud Benjamín Prado Bernard-Marie Koltès Boris Vian Brett Elizabeth Jenkins Brian Andreas Carl Sandburg Carlos Drummond de Andrade Carlos Edmundo de Ory Carlos Marzal Carmen Gloria Berríos Carol Ann Duffy Cecília Meireles Cesare Pavese Charles Baudelaire Charles Bukowski Charles Dana Gibson Charles M. Schulz Chen Bolan Clarice Lispector Constantino Cavafy Czesław Miłosz Damien Sevhac Daniel Francoy Daniel Pennac Daphne Gottlieb David Bowie David Lagmanovich David Lehman Delia Brown Delmore Schwarts Derek Walcott Derrick Brown Diamanda Galás Diane Ackerman Djuna Barnes Don Herold Dorianne Laux Dorothea Lasky Dorothy Parker Douglas Huebler Dylan Thomas E. E. Cummings E. M. Cioran Edgar Allan Poe Edna O'Brien Eduarda Chiote Eeva-Liisa Manner Egito Gonçalves Eleanor Farjeon Elie Wiesel Elis Regina Elizabeth Bishop Elizabeth Ross Taylor Else Lasker-Schuler Emily Dickinson Emily Kagan Trenchard Erin Dorsey Fabiano Calixto Federico Díaz-Granados Federico García Lorca Félix Grande Fernando Arrabal Fernando Caio de Abreu Fernando Gandra Ferreira Gular Forough Farrokhzad Frank O'Hara Frederico Pedreira G. K. Chesterton Gabriel Celaya Georges Bataille Gerrit Komrij Giovanny Gómez Glória Gervitz Gottfried Benn Günter Kunert Gustavo Ortiz H. P. Lovecraft Hal Sirowitz Hans-Ulrich Treichel Harold Pinter Harvey Shapiro Heinrich Heine Helen Mort Henry Rollins Hermann Hesse Hilda Hilst Hilde Domin Hoa Nguyen Hugh Mackay Hugo von Hofmannsthal Hugo Williams Ingeborg Bachmann Isabel Meyrelles Isabelle McNeill J. R. R. Tolkien Jack Kerouac Jacques Lacan Jacques Prévert James L. White James Rogers James Tate Janet Frame Jean Baudrillard Jean Day Jeanette Winterson Jenny Joseph Jenny Schecter Jesús Llorente Joan Julier Buck Joan Margarit Jodi Picoult Johann Wolfgang Goethe John Ashbery John Giorno John Keats John Mateer John Updike Jonathan Littell Jonathan Safran Foer Jonathan Swift Jorge Amado Jorge Luis Borges José Eduardo Agualusa José Gardeazabal José Mateos Joseph Brodsky Joseph Cervavolo József Attila Juan José Millás Juan Ramón Jimenez Judith Herzberg Junko Takahashi Katerina Angheláki-Rooke Kendra Grant Kenneth Traynor Kosntandinos Kavafis Kristina H. Langston Hughes Larissa Szporluk Lauren Mendinueta Laurie Anderson Lawrence Ferlinghetti Lêdo Ivo Leila Miccolis Leonard Cohen Leonardo Chioda Leonardo Da Vinci Leopoldo María Panero Lewis Carroll Lígia Reyes Lord Byron Lou Andreas-Salomé Lou Reed Louis Aragon Louis Buisseret Lourdes Espínola Lucía Estrada Luis Alberto de Cuenca Luís Filipe Parrado Malcolm Lowry Manoel de Barros Manuel Arana Marco Mackaaij Margaret Atwood María Sánchez Mariano Peyrou Marin Sorescu Martha Carolina Dávila Martin Amis Mary Elizabeth Frye Mary Jo Salter Mary Oliver Mary Ruefle Medlar Lucan & Durian Gray Mia Couto Michael Drayton Michel Houellebecq Miguel de Cervantes Miriam Reyes Mitch Albom Morgan Parker Muriel Rukeyser Natsume Soseki Neil Gaiman Nichita Stanescu Nicole Blackman Octavio Paz Olga Orozco Osho Otávio Campos Pablo García Casado Pablo Neruda Pat Boran Patricia Beer Patti Smith Paul Eluard Paul Éluard Paul Géraldy Paul Theroux Paulo Leminski Pentti Saaritsa Per Aage Brandt Pere Gimferrer Philip Larkin Philip Roth Pia Tafdrup Pierre Reverdy Piotr Sommer Rafael Alberti Rainer Maria Rilke Ramón Gómez de la Serna Raymond Carver Raymond Queneau Reiner Kunze Richard Brautigan Richard Burton Robert Creeley Robert Frost Roberto Fernández Retamar Roberto Juarroz Roger Wolfe Rosemarie Urquico Rubens Borba de Moraes Rudyard Kipling Russell Edson Ruth Stone Salman Rushdie Sam Shepard Samuel Beckett Sandro Penna Santiago Nazarian Serge Gainsbourg Sharon Olds Shel Silverstein Silvia Chueire Silvia Ugidos Simone de Beauvoir Somerset Maugham Stephen Crane Stephen Wright Steve Mccaffery Stevie Smith Stuart Dischell Sue Goyette Susana Cabuchi Sylvia Plath T. S. Eliot Tanya Davis Tati Bernard Tatianna Rei Moonshadow Tennessee Williams Tilly Strauss Tom Baker Tom Waits Ulla Hahn Valentine de Saint-Point Vincenzo Cardarelli Vinicius de Moraes Vladimir Nabokov W. H. Auden Warsan Shire William Blake William Butler Yeats William Carlos Williams William Shakespeare Winnie Meisler Winona Baker Wislawa Szymborska Yehuda Amichai Yohji Yamamoto Yoko Ono Yorgos Seferis Zee Avi

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