Malice in Wonderland, Vince Collins, 1982
as dobras da colcha de seda
Descanso. Ser hóspede, por fim. Não satisfazer sempre os próprios desejos com mísero sustento. Não lançar a mão a tudo com gesto hostil; por uma vez deixar que tudo aconteça e saber: o que acontece é por bem. Também o ânimo precisa de estender-se de vez em quando ao comprido e enrolar-se em si próprio nas dobras de colchas de seda. Não ser sempre soldado.
Rainer Maria Rilke, A balada da vida e da morte do alferes Christoph Rilke
Rainer Maria Rilke, A balada da vida e da morte do alferes Christoph Rilke
dias melhores
A mulher espera as noites e também os dias,
esperta o lume enquanto, esperta a espera.
Há umas quantas coisas que a prendem, coisas
que arrecadou para a vida e já não servem.
Quem serve é ela e serve a Deus desfiando o rosário
pelos que já lá estão.
Por aqui vai-se indo, vai-se levando a vida
para o outro lado enquanto se esperam dias melhores,
dias mecânicos, a labuta dos músculos, a cabeça em paz
e a noite cansada, os pensamentos cansados,
o sofrimento cansado só quer estender o corpo
até de manhã. Quando mal nunca pior,
o café quente, o pão acabado de fazer
como se fosse cedo e as mãos na sua azáfama
pudessem fazer os dias gloriosos as noites luminosas
com que sonhou e já não servem. Agora só a espera
e as coisas que foi arrecadando para a morte.
Rosa Alice Branco
esperta o lume enquanto, esperta a espera.
Há umas quantas coisas que a prendem, coisas
que arrecadou para a vida e já não servem.
Quem serve é ela e serve a Deus desfiando o rosário
pelos que já lá estão.
Por aqui vai-se indo, vai-se levando a vida
para o outro lado enquanto se esperam dias melhores,
dias mecânicos, a labuta dos músculos, a cabeça em paz
e a noite cansada, os pensamentos cansados,
o sofrimento cansado só quer estender o corpo
até de manhã. Quando mal nunca pior,
o café quente, o pão acabado de fazer
como se fosse cedo e as mãos na sua azáfama
pudessem fazer os dias gloriosos as noites luminosas
com que sonhou e já não servem. Agora só a espera
e as coisas que foi arrecadando para a morte.
Rosa Alice Branco
mulher: anatomia
A anatomia da mulher é intercadência ou cissão de árvore. Os seus seios, como dois pomos sazonais inaugurados no hemisfério do dorso, principiam-se com o acúleo do peito lactente no cedro da minha boca. O seio esquerdo tumesce cerúleo de tão azul, o diâmetro recua esfriado na bainha das nervuras. Os seus músculos textualizam-se de forma e som, hirtos, despedaçam a elasticidade cervical dos meus vértices. A pele gradua-se num esmalte vítreo de luz, fixa-se nas cavilhas que lhe prendem a argamassa à semelhança de um rosto. Na mulher, o físico verbaliza-se no desarranjo dos nervos, na mulher, a geometria é descontínua se a matéria se desfaz magra de resina. A anatomia da mulher é perfloração ou fissão de pedra. Os seus seios, como dois seixos salmourados nos ferros do peito, incham-se de sal na sucção dos meus beiços. A anatomia da mulher é aceleração de corpo subida à altura da expectativa mais distante. Mas a sua fisionomia é táctil, não possui matriz ou molde, enxuga-se na terra e só da terra o musgo lhe devolve outro princípio de mulher.
Alice Turvo, in A Sul de Nenhum Norte
Alice Turvo, in A Sul de Nenhum Norte
mulher: osso
A constituição da mulher é desconstrução de corpo, amor dividido em dois terços longos de osso, homem ou mulher intervalado nos tecidos da substância maior. O amor liquefaz-se nas estalactites da sua boca, suspenso no calcário da saliva, interpõe-se entre o eco e a claridade húmida da língua. Os seus maxilares movem-se como guindastes, a seco, mastigam os molares em cacos de tensão. A precisão textual de cada osso é atemporal, macera-se de dentes cerrados. O cálcio arde-lhe de vermelho se o amor se alarga em massa inflamável. À mulher, outra mulher cabe-lhe na ruptura das vértebras, caule que perfura o novelo inferior do pulmão. À mulher, outra mulher cabe-lhe no abcesso do peito, metal alcalino de degustação salina. Ao amor, essa mulher chega-lhe hermética, deposta de tendões que lhe segurem a carne na vertical. À palavra, pouco lhe importa o epicentro da sílaba ou a cerâmica da tónica. Ao amor, nunca lhe satisfaz a fractura do fonema ou a dentição do silêncio. No amor, a mulher vaza inteira se a serradura lhe lacera as dobradiças do corpo. Porque na mulher, o amor não é ruído seco ou opaco, é arritmia surda no ventrículo mais defeso.
Alice Turvo, in A Sul de Nenhum Norte
Alice Turvo, in A Sul de Nenhum Norte
mulher: vagar
O vagar da mulher é dissemelhante do vagar dos homens e das coisas. O vagar da mulher contrai cada pretérito à milésima, ocupando cada milímetro pela sexagésima parte do segundo mais breve. O vagar de qualquer mulher dilata-se em mil partes desiguais a um todo. A mulher não executa a presença desmembrada das coisas, sem antes as invocar como domicílio próprio. A mulher segura de frente os edifícios caiados na tijoleira das costas, suporta as urbes fixas no eixo dos seus pulsos, faísca pelas luminárias ausentes de centelhas já extintas. O vagar da mulher nunca descuida a largura do antecedente, sem antes se esvaziar na obsessão intermitente do perímetro do verbo mais presente. A mulher é, igualmente e inteiramente mais mulher, na suspensão variável dos homens e das coisas. Os seus ângulos flectem-se na equidade ímpar das esperas. As suas mãos inclinam-se no ponto equidistante do vazio. A mulher cumpre o tempo a tempo inteiro, sem suprimir a duração menor da unidade. O vagar de cada mulher é célere e voluntário, e em tudo se apressa à lentidão demorada de um vaso caído.
Alice Turvo, in A Sul de Nenhum Norte
Alice Turvo, in A Sul de Nenhum Norte
mulher: que não outra mulher
Há uma mulher dentro de mim que não é gramática decomposta nem acento circunflexo. Não é metáfora exagerada, nem vegetação espessa no limite da vírgula. Não é anáfora suada, nem rigor maiúsculo no recuo do parágrafo. Há uma mulher dentro de mim que não é periferia nem superfície transversal. Essa mulher que não outra mulher, esmaga-me as telhas no tecto da boca. Tenho-a calada e encavalitada debaixo das palavras mais fáceis de carcomer. Tenho-a cansada e regrada por cima das feridas menos custosas de sarar. Mas essa mulher que dentro de mim não me permite outra habitação que não esta, não me serena a vontade áspera de romper a madeira dos braços, de moer do úmero a lasca e da acha articular outro galho maior. Há uma mulher dentro de mim que não me reconhece como sua. Há uma mulher dentro de mim que míngua encolhida no cavo do medo. Há uma mulher dentro de mim que ama uma mulher insuficiente de si mesma.
Alice Turvo, in A Sul de Nenhum Norte
Alice Turvo, in A Sul de Nenhum Norte
a linha do universo
Tudo cai, em constante proporção directa
à neve que se acumula no fundo;
Os Oceanos transbordaram, claros
Farinha para bolos e Tortas
De mel; As minhas abelhas
Vestem o pijama e dizem
Boa Noite - Até amanhã
Tenho medo porque o tempo existe;
Ás vezes por ser inventado, outras
Porque tudo cai - Até a Chuva
E palavras num poema
Cantado pela manhã turbulenta
Estou com dificuldades a acordar
Mas não receio a cidade a ruir,
Vamos brincar para os escombros.
Por baixo das pedras vive
Uma mulher que pintou a vagina de negro:
Está de luto pela Globalização
- Já ninguém deseja comer mais
Deste Pão, que Ronald Mcdonald
Distribui pelos fieis.
Tudo cai, amor,
Vamos cair também - De cabeça
Acordaremos assentes no fim do Universo.
Lígia Reyes, in A Sul de Nenhum Norte
à neve que se acumula no fundo;
Os Oceanos transbordaram, claros
Farinha para bolos e Tortas
De mel; As minhas abelhas
Vestem o pijama e dizem
Boa Noite - Até amanhã
Tenho medo porque o tempo existe;
Ás vezes por ser inventado, outras
Porque tudo cai - Até a Chuva
E palavras num poema
Cantado pela manhã turbulenta
Estou com dificuldades a acordar
Mas não receio a cidade a ruir,
Vamos brincar para os escombros.
Por baixo das pedras vive
Uma mulher que pintou a vagina de negro:
Está de luto pela Globalização
- Já ninguém deseja comer mais
Deste Pão, que Ronald Mcdonald
Distribui pelos fieis.
Tudo cai, amor,
Vamos cair também - De cabeça
Acordaremos assentes no fim do Universo.
Lígia Reyes, in A Sul de Nenhum Norte
real love
Meu amor madre-pérola,
Olha-nos, a desfazermos
Em ponto caramelo o corpo
Em nostalgia e folhas de Outono -
Rash-Rash - Como queimávamos os pés
Nesses passeios ínfimos
Pelas avenidas de uma cidade
Que chora um Rio: Descosíamos
Os botões, alinhavados às palavras
Da poesia e construíamos pontes.
Vamos remar a favor do mármore,
Não tenhas medo: Mil suicídios
Aconteceram quando eu parti,
E agora sobram cartas para lermos
Até ao fim da vida. Juntos
Venceremos o flogisto, acolheremos
Patriamente a vitória da cinzas,
Manjaremos tenras asas de fénix
Até nos esgotarmos num jardim belo
E uma chávena de chá ao fim da tarde.
Lígia Reyes, in A Sul de Nenhum Norte
Olha-nos, a desfazermos
Em ponto caramelo o corpo
Em nostalgia e folhas de Outono -
Rash-Rash - Como queimávamos os pés
Nesses passeios ínfimos
Pelas avenidas de uma cidade
Que chora um Rio: Descosíamos
Os botões, alinhavados às palavras
Da poesia e construíamos pontes.
Vamos remar a favor do mármore,
Não tenhas medo: Mil suicídios
Aconteceram quando eu parti,
E agora sobram cartas para lermos
Até ao fim da vida. Juntos
Venceremos o flogisto, acolheremos
Patriamente a vitória da cinzas,
Manjaremos tenras asas de fénix
Até nos esgotarmos num jardim belo
E uma chávena de chá ao fim da tarde.
Lígia Reyes, in A Sul de Nenhum Norte
se eu fosse um vídeo
my what big eyes you have / my what big hands you have / my what hot breath you have / my what sharp teeth you have
a minha saia
A minha saia é debruada de
dentes brancos
— saia rodada com pregas
e esconderijos que se abrem
sobre os precipícios da infância
É uma saia alta como janelas
remendada pelas mãos cuidadosas dos amantes
Debaixo da minha saia há
uma caixa com botões e olhos
que encontrei no leito seco dos caminhos
há um girassol que me aquece
o farelo e o sal dos ossos
há uma colmeia e o crescente negro
da sombra a roçar os joelhos
Há o riso dos velhos
Som de cordas, velas de moinho,
fábulas e exércitos balançam
dentro da minha saia
quando danço
Debaixo da minha saia há também casas
onde recolho o vento, e delas se avista
o pescoço curvo de dois bois mansos
alisando o pasto
Rodo o corpo e a minha saia aponta para o sul
baixo-a para desenhar círculos na poeira
ergo-a para atravessar o rio
na hora em que
a maré sobe
sobe
sobe
sobe
Ana Duarte
dentes brancos
— saia rodada com pregas
e esconderijos que se abrem
sobre os precipícios da infância
É uma saia alta como janelas
remendada pelas mãos cuidadosas dos amantes
Debaixo da minha saia há
uma caixa com botões e olhos
que encontrei no leito seco dos caminhos
há um girassol que me aquece
o farelo e o sal dos ossos
há uma colmeia e o crescente negro
da sombra a roçar os joelhos
Há o riso dos velhos
Som de cordas, velas de moinho,
fábulas e exércitos balançam
dentro da minha saia
quando danço
Debaixo da minha saia há também casas
onde recolho o vento, e delas se avista
o pescoço curvo de dois bois mansos
alisando o pasto
Rodo o corpo e a minha saia aponta para o sul
baixo-a para desenhar círculos na poeira
ergo-a para atravessar o rio
na hora em que
a maré sobe
sobe
sobe
sobe
Ana Duarte
the wolves
The wolves had tended her because they knew she was an imperfect wolf; we secluded her in animal privacy out of fear of her imperfection because it showed us what we might have been.
Angela Carter, Wolf-Alice
Angela Carter, Wolf-Alice
indecifrável - 1
Nem tudo foi dito, mas basta,
não são precisas mais palavras.
No silêncio cai sobre nós a
realidade, com todo o seu peso,
o seu mistério; e não o queremos
decifrar, com palavras sobretudo
não o queremos explicar. O que
não foi dito pertence-nos como
o destino inconfessável, como os
ossos dos joelhos, as dores de
cabeça ao fim da tarde quando
sopra o vento rude que vem do
deserto. Todos os destinos são
exemplares e é impossível
amarrá-los. As palavras nascem
do medo ou do tédio, talvez
do horror ao vazio. À toa
queremos entrar no edifício do
sentido, a casa estranha. E
entramos. Mas todos os destinos
são apenas uma versão caseira
da insensatez da existência.
Calar-se não é morrer. Na
sepultura do silêncio esconde-se,
discreta, a dignidade.
João Camilo, in A Sul de Nenhum Norte
não são precisas mais palavras.
No silêncio cai sobre nós a
realidade, com todo o seu peso,
o seu mistério; e não o queremos
decifrar, com palavras sobretudo
não o queremos explicar. O que
não foi dito pertence-nos como
o destino inconfessável, como os
ossos dos joelhos, as dores de
cabeça ao fim da tarde quando
sopra o vento rude que vem do
deserto. Todos os destinos são
exemplares e é impossível
amarrá-los. As palavras nascem
do medo ou do tédio, talvez
do horror ao vazio. À toa
queremos entrar no edifício do
sentido, a casa estranha. E
entramos. Mas todos os destinos
são apenas uma versão caseira
da insensatez da existência.
Calar-se não é morrer. Na
sepultura do silêncio esconde-se,
discreta, a dignidade.
João Camilo, in A Sul de Nenhum Norte
boring
a inclinação para o amor. nas mulheres
a inteligência, evidentemente.
a linguagem não permite verbalizar tudo.
a mim só a cumplicidade me afecta. a
paixão que sentem por nós. mais uma.
aborreço-me, já disse. acaba tudo no lixo,
não é verdade? acumulou-se o tédio e a
pressão. alguma coisa se perdeu no minucioso
processo. alguns filmes tiveram uma profunda
intenção amorosa. não foi enquanto a idolatrava,
juro. batem tão perto um do outro os corações.
dói-me a cabeça. cansa-me ter de telefonar.
como ser assimilado pela linguagem? como
viver sem a literatura? é criminoso. odeio
ter copos e pratos. há cura para os males
que nos afligem? palavreado. em silêncio, sim,
em silêncio. detesto fazer as malas, arrumar livros.
dissimulada, santa, escorraçada. não quero
mudar de casa, já disse. onde fica à espera
de sair o que não encontrou uma porta ou uma
janela? o tédio do passado. lê-se nos olhos das
pessoas. memórias que não me interessam. e no
sofá de coiro preto, lembras-te? é uma questão,
no entanto, de nos sentirmos mais ou menos
antecipadamente abandonados. entre nós
e quem nos ama não há nada a escolher. fica-se
só por acaso. estou farto. não se pode arriscar.
eu sempre escolhi a mulher que devia. forçosamente,
alguma coisa se deteriorou. garfos e facas. oiço
música se me apetecer. gosto de alguma pintura.
gosto de trabalhar. há uma semana que estou
constipado. ilusões, só ilusões. já não sei se
dependo do que me impede de pensar. a percepção
tem influência em mim. amam-nos, não nos veneram.
nunca a desprezei. desse modo, quero dizer.
dependo do futuro? das montanhas e dos rios?
não há solução. não tenho força para me abandonar.
ninguém ama ninguém. ninguém. o amor é invisível.
o facto de vir a expirar o indizível, transforma-o? o
peso da censura. o que é que me fascina mais? o
telefone, ah o telefone, incessantemente. onde
estaríamos neste momento se? os corações a
amputar com uma faca. para cortarem a água, a
luz, o gás, sim, é isso. e para quê tanta canseira?
para quê ter mesas, cadeiras, camas? para onde
vai o remorso? pode dizer-se que temos saudades
do futuro? pode quando muito adivinhar-se,
pressentir-se, inventar-se. podia estar-me nas
tintas para tudo o que me vai acontecendo. porque
é que me incomodo a incomodar-me com tantas
perguntas? porque é que não paro de fumar?
porque estou sentado diante do computador a
escrever há horas? porque não temos saudades
do futuro? preciso de sair de casa. quando me
lembro disso. há alguma coisa lá fora que se
possa presenciar? estamos sós. reconstruction.
reconstruir sem parar. os buracos negros da
culpa. recordo algumas pessoas que foram
simpáticas comigo. no rosto pode sofrer-se
tudo isso. e nota-se. talvez. não a adorei sempre.
se eu não estivesse tão constipado. se eu não
fosse tímido, algumas hipóteses transformavam-se
em sucesso ou em fracasso. se eu soubesse, ah
se fosse possível. sei que sou amado. sem
terem, que eu saiba, razão particular para me
odiarem. ser feliz é ter falhado na vida, eu sei.
seria despropositado perceber o que se passa.
sim, sei e não sei tudo isso. só ela me conheceu,
penso eu de vez em quando. só me deixaram o
tédio como solução. a indiferença é enorme,
já se sabe. o que não se pode dizer. tantas
caixas de cartão para encher. tenho uma
pontaria afinada para escolher a mulher
que um dia deixará de me amar. todos os dias
penso no assunto. não é por falta de competência.
um amor inconfessável. e que nós temos de ignorar.
um dia. mas não me leva a desistir. uma catástrofe
abateu-se sobre a minha vida. veementemente,
ignorante ainda, espero pelo único acontecimento: o
amor. uma vez mais, a milésima. maldita gripe que. vou
cansar-me a pôr em ordem o que está desarrumado. whisky
em garrafas meias ou quase cheias. indícios e tanto pó.
João Camilo, in A Sul de Nenhum Norte
a inteligência, evidentemente.
a linguagem não permite verbalizar tudo.
a mim só a cumplicidade me afecta. a
paixão que sentem por nós. mais uma.
aborreço-me, já disse. acaba tudo no lixo,
não é verdade? acumulou-se o tédio e a
pressão. alguma coisa se perdeu no minucioso
processo. alguns filmes tiveram uma profunda
intenção amorosa. não foi enquanto a idolatrava,
juro. batem tão perto um do outro os corações.
dói-me a cabeça. cansa-me ter de telefonar.
como ser assimilado pela linguagem? como
viver sem a literatura? é criminoso. odeio
ter copos e pratos. há cura para os males
que nos afligem? palavreado. em silêncio, sim,
em silêncio. detesto fazer as malas, arrumar livros.
dissimulada, santa, escorraçada. não quero
mudar de casa, já disse. onde fica à espera
de sair o que não encontrou uma porta ou uma
janela? o tédio do passado. lê-se nos olhos das
pessoas. memórias que não me interessam. e no
sofá de coiro preto, lembras-te? é uma questão,
no entanto, de nos sentirmos mais ou menos
antecipadamente abandonados. entre nós
e quem nos ama não há nada a escolher. fica-se
só por acaso. estou farto. não se pode arriscar.
eu sempre escolhi a mulher que devia. forçosamente,
alguma coisa se deteriorou. garfos e facas. oiço
música se me apetecer. gosto de alguma pintura.
gosto de trabalhar. há uma semana que estou
constipado. ilusões, só ilusões. já não sei se
dependo do que me impede de pensar. a percepção
tem influência em mim. amam-nos, não nos veneram.
nunca a desprezei. desse modo, quero dizer.
dependo do futuro? das montanhas e dos rios?
não há solução. não tenho força para me abandonar.
ninguém ama ninguém. ninguém. o amor é invisível.
o facto de vir a expirar o indizível, transforma-o? o
peso da censura. o que é que me fascina mais? o
telefone, ah o telefone, incessantemente. onde
estaríamos neste momento se? os corações a
amputar com uma faca. para cortarem a água, a
luz, o gás, sim, é isso. e para quê tanta canseira?
para quê ter mesas, cadeiras, camas? para onde
vai o remorso? pode dizer-se que temos saudades
do futuro? pode quando muito adivinhar-se,
pressentir-se, inventar-se. podia estar-me nas
tintas para tudo o que me vai acontecendo. porque
é que me incomodo a incomodar-me com tantas
perguntas? porque é que não paro de fumar?
porque estou sentado diante do computador a
escrever há horas? porque não temos saudades
do futuro? preciso de sair de casa. quando me
lembro disso. há alguma coisa lá fora que se
possa presenciar? estamos sós. reconstruction.
reconstruir sem parar. os buracos negros da
culpa. recordo algumas pessoas que foram
simpáticas comigo. no rosto pode sofrer-se
tudo isso. e nota-se. talvez. não a adorei sempre.
se eu não estivesse tão constipado. se eu não
fosse tímido, algumas hipóteses transformavam-se
em sucesso ou em fracasso. se eu soubesse, ah
se fosse possível. sei que sou amado. sem
terem, que eu saiba, razão particular para me
odiarem. ser feliz é ter falhado na vida, eu sei.
seria despropositado perceber o que se passa.
sim, sei e não sei tudo isso. só ela me conheceu,
penso eu de vez em quando. só me deixaram o
tédio como solução. a indiferença é enorme,
já se sabe. o que não se pode dizer. tantas
caixas de cartão para encher. tenho uma
pontaria afinada para escolher a mulher
que um dia deixará de me amar. todos os dias
penso no assunto. não é por falta de competência.
um amor inconfessável. e que nós temos de ignorar.
um dia. mas não me leva a desistir. uma catástrofe
abateu-se sobre a minha vida. veementemente,
ignorante ainda, espero pelo único acontecimento: o
amor. uma vez mais, a milésima. maldita gripe que. vou
cansar-me a pôr em ordem o que está desarrumado. whisky
em garrafas meias ou quase cheias. indícios e tanto pó.
João Camilo, in A Sul de Nenhum Norte
café mojo
Falar de cães ou da tarde de sol,
o tédio. Aonde ir morrer? Onde
esconder o cadáver da rapariga
de rosto impassível, tão branco
sempre, pureza, restos de pecados?
Confessa-te, ó mortal idílio da
juventude, ó. Não. Sonhos de
glória. Aplausos. Parvos. Se.
Bullshit. You motherfucker. Petit
con. Fantasma. Tanta dedicação.
Leave me alone. E a ópera, as
árias. Insistentes. Tu lembras-te?
De mim? E daquele pedaço de
paisagem com arbustos, ao sol?
Travagem brusca. Sem emoção.
Uma adolescente curiosa. Hey.
Blow job? Às oito. Nas escadas.
Traz o manual de filosofia. Sim?
Paixões. Úteis. Cem dólares. Uma
noite de hotel. Tinhas música e
havia champanhe. E os caracóis?
Do púbis nojento.You bastards
you are destroying the planet.
Lágrimas, crocodilos, a rata,
a serpente do paraíso. Corria
o rio nas minhas veias inchadas.
O herói do filme, o foragido do
crucifixo perseguia. Quem? E
tu silencioso. Morto. Imbecil.
O destino, rodas de borracha
silenciosas nos corredores do
hospital. As minhas pobres
entranhas. Deixaste-me lá, foste
à tua vida. Tão longe já. Veloz.
E a bruma, o deserto, o quadro
do pintor desconhecido. Azul
e vermelho. Primária, pecadora.
O único livro que eu podia ler.
E tu, tu queimaste-me no fogo
do meu delírio ardente. Eu deixei.
O amor, o amor, foda-se. Sorri
para a máquina fotográfica, anjo.
Nesse colchão de penas tão
usado, encardido. Nunca saí
de onde estou. Tu não virás e
eu. Quero lá saber. Fuck. Eu
não, eu juro. Eu em Espanha.
Inalterável sempre por dentro.
Perseguir o destino. De costas
viradas para o Inverno. A única
maçã verde. Morder nela. A minha
fome, a sede. Laranja caída da
árvore. Podridão. Fedor. Tentei,
não consegui. Bolor. Não a pude
abrir, onde estava a chave? Dá-
-me a tua mão fria. Os teus dedos
inesquecíveis. Intactos ainda.
Cidades tão desertas, túmulos
de paixões por terminar. Acabar
comigo e com os ideais de uma
existência luxuosa à beira-mar.
Infanticídios. Sangue inocente.
And you don't even remember
what happened. Poor you. You.
Tontinha das borbulhas. Do ódio,
sim, da incompreensão. Nada sei.
Nada direi. Nada confessaremos.
Luzes nas esquinas, reflexos,
nevoeiro, calçadas húmidas.
Gritos. Silêncio negro. Poço
sem fundo do aguilhão da dor.
Promessas. Masturba-te, é o que.
Incitam-te. Convidam. Abanava ao
vento. Naquela romaria de aldeia
cantavam, dançavam. As sombras.
E tu onde estavas, esquecida de mim,
a delirar de novo? Tu sabes que sem
mim. Não, não consegues. Tenta.
A amante infiel em casa bordava.
Tonta. Clara linda como o sol. Ó
mãe, infância incompreendida.
Na sombra, cantavas. Dócil. Sem
saberes a importância, o alcance.
Um dia. Mas não. Basta-te a ti
mesmo. Não contes. Ninguém.
As cores, ar, sussurros, beira-mar.
A medida, o metro, a regra, a lei.
O rosto rubro do terror. Sujo. E.
Algazarra popular. Embarcaste,
depois arrependeste-te. Rio acima,
rio abaixo. Ventre pútrido, infamado.
Inflamações. As bocas sorriam. Vi os
dentes brancos. De joelhos nus, tu ias.
Eu excitava-me com as minhas pernas
arrumadas no caixão, dentro das calças
para sempre mal vincadas. E tu nunca,
tu nunca confessarias que me tinhas
conhecido, traído. Tiveste vergonha
das minhas mãos, tu, pútrida donzela.
Do meu rosto. Do meu corpo. Tu. A que.
Meditaste? Ranho verde. Vendida. E eu.
Olhava. Chuva. O oceano, ondas
murmurando ao longe, nas estrelas.
Ou nas estradas. Ou nos comboios da
ordem falsamente restabelecida. Tudo é
ensaio, simulação, divulgação do erro.
And here we go again. Passar-te, ó puta,
a ferro. Embalsamar-te, que te amassem
no futuro, pernas bem abertas no colchão,
todas as. Todas as. Pagarias assim. Mas não.
Vidros partidos. Marcas? Que resíduos dos
meus dedos na tua pele se infectaram?
Tantos rostos. Se elas. Se eu. Sorri. Se
tu. Don’t flatter me, please. Your legs,
your beautiful legs esmigalhando-se
again contra o lençol das cortinas que
para atenuar a mancha nós. Oh. Sem
remorso. Sem. Sem recordação. Que
fizeste? Vem comigo. Estás talvez não
sei se perdoada por engano. Imagino.
Anda. Mexe-te. Abana-te. As pérolas
dos colares na varanda de madeira
do teu pescoço. Eu: não sei cantar.
Não sei ouvir. E o dia esplendoroso
ria-se da minha pena, da ausência
intrigante dos meus pensamentos.
Se não me odiassem. Se tu. Ninguém
regressa, nunca. O cão entre as mesas
do café abanava o rabo. Ser sem alma.
Amamos nas auto-estradas, assassinamos
a todas as horas de expediente normal.
A oposição nunca cairá. Infortúnios.
O alcance dos sonhos. Salva-me. E o
cão. Minúsculo, ridículo. Ela dava-lhe
beijinhos no focinho, chamava-lhe filho.
E eu tão só, nós tão sós. Milagres da
natureza morta. Uma história que se
possa resumir, recontar, recolher ou
queimar na vela do barco que pelas
ilhas ia ao sabor do vento. Correntes
de prata ligavam-nos ao fundo do mar.
Acenar. Olá. E a perdição e as vogais
poluídas pela tua garganta de cadela.
Não, eu não tenho pecados a confessar.
Não, nem remorsos, nem projécteis, nem
vapores de água arrefecidos na bruma
secreta das noites de vício, irrecuperáveis.
Quero emendá-las. Quero renegá-las. Eu
sei lá. O que quero. O que sinto. A dor.
João Camilo, in A Sul de Nenhum Norte
o tédio. Aonde ir morrer? Onde
esconder o cadáver da rapariga
de rosto impassível, tão branco
sempre, pureza, restos de pecados?
Confessa-te, ó mortal idílio da
juventude, ó. Não. Sonhos de
glória. Aplausos. Parvos. Se.
Bullshit. You motherfucker. Petit
con. Fantasma. Tanta dedicação.
Leave me alone. E a ópera, as
árias. Insistentes. Tu lembras-te?
De mim? E daquele pedaço de
paisagem com arbustos, ao sol?
Travagem brusca. Sem emoção.
Uma adolescente curiosa. Hey.
Blow job? Às oito. Nas escadas.
Traz o manual de filosofia. Sim?
Paixões. Úteis. Cem dólares. Uma
noite de hotel. Tinhas música e
havia champanhe. E os caracóis?
Do púbis nojento.You bastards
you are destroying the planet.
Lágrimas, crocodilos, a rata,
a serpente do paraíso. Corria
o rio nas minhas veias inchadas.
O herói do filme, o foragido do
crucifixo perseguia. Quem? E
tu silencioso. Morto. Imbecil.
O destino, rodas de borracha
silenciosas nos corredores do
hospital. As minhas pobres
entranhas. Deixaste-me lá, foste
à tua vida. Tão longe já. Veloz.
E a bruma, o deserto, o quadro
do pintor desconhecido. Azul
e vermelho. Primária, pecadora.
O único livro que eu podia ler.
E tu, tu queimaste-me no fogo
do meu delírio ardente. Eu deixei.
O amor, o amor, foda-se. Sorri
para a máquina fotográfica, anjo.
Nesse colchão de penas tão
usado, encardido. Nunca saí
de onde estou. Tu não virás e
eu. Quero lá saber. Fuck. Eu
não, eu juro. Eu em Espanha.
Inalterável sempre por dentro.
Perseguir o destino. De costas
viradas para o Inverno. A única
maçã verde. Morder nela. A minha
fome, a sede. Laranja caída da
árvore. Podridão. Fedor. Tentei,
não consegui. Bolor. Não a pude
abrir, onde estava a chave? Dá-
-me a tua mão fria. Os teus dedos
inesquecíveis. Intactos ainda.
Cidades tão desertas, túmulos
de paixões por terminar. Acabar
comigo e com os ideais de uma
existência luxuosa à beira-mar.
Infanticídios. Sangue inocente.
And you don't even remember
what happened. Poor you. You.
Tontinha das borbulhas. Do ódio,
sim, da incompreensão. Nada sei.
Nada direi. Nada confessaremos.
Luzes nas esquinas, reflexos,
nevoeiro, calçadas húmidas.
Gritos. Silêncio negro. Poço
sem fundo do aguilhão da dor.
Promessas. Masturba-te, é o que.
Incitam-te. Convidam. Abanava ao
vento. Naquela romaria de aldeia
cantavam, dançavam. As sombras.
E tu onde estavas, esquecida de mim,
a delirar de novo? Tu sabes que sem
mim. Não, não consegues. Tenta.
A amante infiel em casa bordava.
Tonta. Clara linda como o sol. Ó
mãe, infância incompreendida.
Na sombra, cantavas. Dócil. Sem
saberes a importância, o alcance.
Um dia. Mas não. Basta-te a ti
mesmo. Não contes. Ninguém.
As cores, ar, sussurros, beira-mar.
A medida, o metro, a regra, a lei.
O rosto rubro do terror. Sujo. E.
Algazarra popular. Embarcaste,
depois arrependeste-te. Rio acima,
rio abaixo. Ventre pútrido, infamado.
Inflamações. As bocas sorriam. Vi os
dentes brancos. De joelhos nus, tu ias.
Eu excitava-me com as minhas pernas
arrumadas no caixão, dentro das calças
para sempre mal vincadas. E tu nunca,
tu nunca confessarias que me tinhas
conhecido, traído. Tiveste vergonha
das minhas mãos, tu, pútrida donzela.
Do meu rosto. Do meu corpo. Tu. A que.
Meditaste? Ranho verde. Vendida. E eu.
Olhava. Chuva. O oceano, ondas
murmurando ao longe, nas estrelas.
Ou nas estradas. Ou nos comboios da
ordem falsamente restabelecida. Tudo é
ensaio, simulação, divulgação do erro.
And here we go again. Passar-te, ó puta,
a ferro. Embalsamar-te, que te amassem
no futuro, pernas bem abertas no colchão,
todas as. Todas as. Pagarias assim. Mas não.
Vidros partidos. Marcas? Que resíduos dos
meus dedos na tua pele se infectaram?
Tantos rostos. Se elas. Se eu. Sorri. Se
tu. Don’t flatter me, please. Your legs,
your beautiful legs esmigalhando-se
again contra o lençol das cortinas que
para atenuar a mancha nós. Oh. Sem
remorso. Sem. Sem recordação. Que
fizeste? Vem comigo. Estás talvez não
sei se perdoada por engano. Imagino.
Anda. Mexe-te. Abana-te. As pérolas
dos colares na varanda de madeira
do teu pescoço. Eu: não sei cantar.
Não sei ouvir. E o dia esplendoroso
ria-se da minha pena, da ausência
intrigante dos meus pensamentos.
Se não me odiassem. Se tu. Ninguém
regressa, nunca. O cão entre as mesas
do café abanava o rabo. Ser sem alma.
Amamos nas auto-estradas, assassinamos
a todas as horas de expediente normal.
A oposição nunca cairá. Infortúnios.
O alcance dos sonhos. Salva-me. E o
cão. Minúsculo, ridículo. Ela dava-lhe
beijinhos no focinho, chamava-lhe filho.
E eu tão só, nós tão sós. Milagres da
natureza morta. Uma história que se
possa resumir, recontar, recolher ou
queimar na vela do barco que pelas
ilhas ia ao sabor do vento. Correntes
de prata ligavam-nos ao fundo do mar.
Acenar. Olá. E a perdição e as vogais
poluídas pela tua garganta de cadela.
Não, eu não tenho pecados a confessar.
Não, nem remorsos, nem projécteis, nem
vapores de água arrefecidos na bruma
secreta das noites de vício, irrecuperáveis.
Quero emendá-las. Quero renegá-las. Eu
sei lá. O que quero. O que sinto. A dor.
João Camilo, in A Sul de Nenhum Norte
Subscrever:
Mensagens (Atom)
poemário daqui
A. M. Pires Cabral
Abel Neves
Adília Lopes
Adolfo Casais Monteiro
Agustina Bessa-Luís
Al Berto
Albano Martins
Alberto Pimenta
Alexandra Malheiro
Alexandre Nave
Alexandre O'Neill
Alice Turvo
Alice Vieira
Almada Negreiros
Ana C.
Ana Caeiro
Ana Cristina César
Ana Duarte
Ana Hatherly
Ana Luísa Amaral
Ana Marques Gastão
Ana Paula Inácio
Ana Salomé
Ana Tinoco
André Tomé
Andreia C. Faria
Angélica Freitas
Ângelo de Lima
Aníbal Fernandes
António Botto
António Dacosta
António Franco Alexandre
António Gancho
António Gedeão
António Gregório
António José Forte
António Manuel Pires Cabral
António Maria Lisboa
António Mega Ferreira
António Osório
António Pedro
António Quadros Ferro
António Ramos Pereira
António Ramos Rosa
António Rebordão Navarro
António Reis
António S. Ribeiro
Armando Baptista-Bastos
Armando Silva Carvalho
Artur do Cruzeiro Seixas
Bénédicte Houart
Bruno Béu
Bruno Sousa Villar
Camilo Castelo Branco
Carlos Alberto Machado
Carlos de Oliveira
Carlos Eurico da Costa
Carlos Mota de Oliveira
Carlos Soares
Casimiro de Brito
Catarina Nunes de Almeida
Cesário Verde
Cláudia R. Sampaio
Cruzeiro Seixas
Daniel Faria
Daniel Filipe
David Mourão-Ferreira
David Teles Pereira
Delfim Lopes
Dulce Maria Cardoso
Eastwood da Silva
Egito Gonçalves
Ernesto Sampaio
Eugénio de Andrade
Eugénio Lisboa
Fernando Assis Pacheco
Fernando Esteves Pinto
Fernando Lemos
Fernando Pessoa
Fernando Pinto do Amaral
Fiama Hasse Pais Brandão
Filipa Leal
Filipe Homem Fonseca
Florbela Espanca
Frederico Pedreira
gil t. sousa
Golgona Anghel
Gonçalo M. Tavares
Helder Moura Pereira
Helena Carvalho
Helga Moreira
Hélia Correia
Henrique Manuel Bento Fialho
Henrique Risques Pereira
Herberto Hélder
Inês Dias
Inês Fonseca Santos
Inês Lourenço
Isabel Meyrelles
Joana Serrado
João Almeida
João Bénard da Costa
João Cabral de Melo Neto
João Camilo
João Damasceno
João Ferreira Oliveira
João Habitualmente
João Luís Barreto Guimarães
João Manuel Ribeiro
João Pacheco
João Pereira Coutinho
João Rodrigues
João Vasco Coelho
Joaquim Manuel Magalhães
Joaquim Pessoa
Jorge de Sena
Jorge Gomes Miranda
Jorge Melícias
Jorge Roque
Jorge Sousa Braga
José Agostinho Baptista
José Alberto Oliveira
José Amaro Dionísio
José António Franco
José Cardoso Pires
José Carlos Barros
José Carlos Soares
José Efe
José Gomes Ferreira
José Manuel de Vasconcelos
José Mário Silva
José Miguel Silva
José Ricardo Nunes
José Rui Teixeira
José Saramago
José Sebag
José Tolentino Mendonça
Judith Teixeira
Leitão de Barros
Luís Miguel Nava
Luís Quintais
Luiza Neto Jorge
Mafalda Gomes
Manuel A. Domingos
Manuel António Pina
Manuel Cintra
Manuel da Silva Ramos
Manuel de Castro
Manuel de Freitas
Manuel Fúria
Manuel Gusmão
Marcelino Vespeira
Margarida Vale de Gato
Maria Ângela Alvim
Maria Azenha
Maria do Rosário Pedreira
Maria Gabriela Llansol
Maria João Lopes Fernandes
Maria Judite de Carvalho
Maria Keil
Maria Sousa
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa
Mário Cesariny
Mário Contumélias
Mário de Sá-Carneiro
Mário Quintana
Mário Rui de Oliveira
Mário-Henrique Leiria
Marta Chaves
Matilde Campilho
Miguel Cardoso
Miguel Martins
Miguel Sousa Tavares
Miguel Torga
Miguel-Manso
Nuno Araújo
Nuno Bragança
Nuno Júdice
Nuno Moura
Nuno Ramos
Nuno Travanca
Paulo José Miranda
Pedro Jordão
Pedro Mexia
Pedro Oom
Pedro Santo Tirso
Pedro Sena-Lino
Pedro Tamen
Piedade Araujo Sol
Raquel Nobre Guerra
Raul de Carvalho
Regina Guimarães
Reinaldo Ferreira
Renata Correia Botelho
Ricardo Adolfo
Rosa Alice Branco
Rui Almeida
Rui Baião
Rui Caeiro
Rui Cóias
Rui Costa
Rui Knopfli
Rui Manuel Amaral
Rui Nunes
Rui Pedro Gonçalves
Rui Pires Cabral
Rute Mota
Ruy Belo
Ruy Cinatti
Ruy Ventura
Samuel Úria
Sandra Costa
Sebastião Alba
Sílvio Mendes
Soares de Passos
Sofia Crespo
Sofia Leal
Sophia de Mello Breyner Andresen
Teixeira de Pascoaes
Teresa Balté
Tiago Gomes
valter hugo mãe
Vasco Gato
Vasco Graça Moura
Vítor Nogueira
Yvette K. Centeno
poemário dali
A. E. Housman
Abbas Kiarostami
Abel Feu
Adelaide Ivánova
Adélia Prado
Adrienne Rich
Agota Kristof
Al Purdy
Alberto Tugues
Alda Merini
Aldous Huxley
Alejandra Pizarnik
Alejandro Jodorowsky
Alexander Demidov
Alice Walker
Amalia Bautista
Amiri Baraka
Amy Lowell
Amy M. Homes
Ana Merino
André Breton
Angela Carter
Anis Mojgani
Anna Akhmatova
Anna Kamienska
Anne Carson
Anne Perrier
Anne Sexton
Antonia Pozzi
Antonin Artaud
Antonio Gamoneda
Antonio Orihuela
Antonio Pérez Morte
Antonio Sáez Delgado
Arnold Lobel
Arseny Tarkovsky
Arthur Rimbaud
Benjamín Prado
Bernard-Marie Koltès
Boris Vian
Brett Elizabeth Jenkins
Brian Andreas
Carl Sandburg
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Edmundo de Ory
Carlos Marzal
Carmen Gloria Berríos
Carol Ann Duffy
Cecília Meireles
Cesare Pavese
Charles Baudelaire
Charles Bukowski
Charles Dana Gibson
Charles M. Schulz
Chen Bolan
Clarice Lispector
Constantino Cavafy
Czesław Miłosz
Damien Sevhac
Daniel Francoy
Daniel Pennac
Daphne Gottlieb
David Bowie
David Lagmanovich
David Lehman
Delia Brown
Delmore Schwarts
Derek Walcott
Derrick Brown
Diamanda Galás
Diane Ackerman
Djuna Barnes
Don Herold
Dorianne Laux
Dorothea Lasky
Dorothy Parker
Douglas Huebler
Dylan Thomas
E. E. Cummings
E. M. Cioran
Edgar Allan Poe
Edna O'Brien
Eduarda Chiote
Eeva-Liisa Manner
Egito Gonçalves
Eleanor Farjeon
Elie Wiesel
Elis Regina
Elizabeth Bishop
Elizabeth Ross Taylor
Else Lasker-Schuler
Emily Dickinson
Emily Kagan Trenchard
Erin Dorsey
Fabiano Calixto
Federico Díaz-Granados
Federico García Lorca
Félix Grande
Fernando Arrabal
Fernando Caio de Abreu
Fernando Gandra
Ferreira Gular
Forough Farrokhzad
Frank O'Hara
Frederico Pedreira
G. K. Chesterton
Gabriel Celaya
Georges Bataille
Gerrit Komrij
Giovanny Gómez
Glória Gervitz
Gottfried Benn
Günter Kunert
Gustavo Ortiz
H. P. Lovecraft
Hal Sirowitz
Hans-Ulrich Treichel
Harold Pinter
Harvey Shapiro
Heinrich Heine
Helen Mort
Henry Rollins
Hermann Hesse
Hilda Hilst
Hilde Domin
Hoa Nguyen
Hugh Mackay
Hugo von Hofmannsthal
Hugo Williams
Ingeborg Bachmann
Isabel Meyrelles
Isabelle McNeill
J. R. R. Tolkien
Jack Kerouac
Jacques Lacan
Jacques Prévert
James L. White
James Rogers
James Tate
Janet Frame
Jean Baudrillard
Jean Day
Jeanette Winterson
Jenny Joseph
Jenny Schecter
Jesús Llorente
Joan Julier Buck
Joan Margarit
Jodi Picoult
Johann Wolfgang Goethe
John Ashbery
John Giorno
John Keats
John Mateer
John Updike
Jonathan Littell
Jonathan Safran Foer
Jonathan Swift
Jorge Amado
Jorge Luis Borges
José Eduardo Agualusa
José Gardeazabal
José Mateos
Joseph Brodsky
Joseph Cervavolo
József Attila
Juan José Millás
Juan Ramón Jimenez
Judith Herzberg
Junko Takahashi
Katerina Angheláki-Rooke
Kendra Grant
Kenneth Traynor
Kosntandinos Kavafis
Kristina H.
Langston Hughes
Larissa Szporluk
Lauren Mendinueta
Laurie Anderson
Lawrence Ferlinghetti
Lêdo Ivo
Leila Miccolis
Leonard Cohen
Leonardo Chioda
Leonardo Da Vinci
Leopoldo María Panero
Lewis Carroll
Lígia Reyes
Lord Byron
Lou Andreas-Salomé
Lou Reed
Louis Aragon
Louis Buisseret
Lourdes Espínola
Lucía Estrada
Luis Alberto de Cuenca
Malcolm Lowry
Manoel de Barros
Manuel Arana
Marco Mackaaij
Margaret Atwood
María Sánchez
Mariano Peyrou
Marin Sorescu
Martha Carolina Dávila
Martin Amis
Mary Elizabeth Frye
Mary Jo Salter
Mary Oliver
Mary Ruefle
Medlar Lucan & Durian Gray
Mia Couto
Michael Drayton
Michel Houellebecq
Miguel de Cervantes
Miriam Reyes
Mitch Albom
Morgan Parker
Muriel Rukeyser
Natsume Soseki
Neil Gaiman
Nichita Stanescu
Nicole Blackman
Octavio Paz
Olga Orozco
Osho
Otávio Campos
Pablo García Casado
Pablo Neruda
Pat Boran
Patricia Beer
Patti Smith
Paul Eluard
Paul Éluard
Paul Géraldy
Paul Theroux
Paulo Leminski
Pentti Saaritsa
Per Aage Brandt
Pere Gimferrer
Philip Larkin
Philip Roth
Pia Tafdrup
Pierre Reverdy
Piotr Sommer
Rafael Alberti
Rainer Maria Rilke
Ramón Gómez de la Serna
Raymond Carver
Raymond Queneau
Reiner Kunze
Richard Brautigan
Richard Burton
Robert Creeley
Robert Frost
Roberto Fernández Retamar
Roberto Juarroz
Roger Wolfe
Rosemarie Urquico
Rubens Borba de Moraes
Rudyard Kipling
Russell Edson
Ruth Stone
Salman Rushdie
Sam Shepard
Samuel Beckett
Sandro Penna
Santiago Nazarian
Serge Gainsbourg
Sharon Olds
Shel Silverstein
Silvia Chueire
Silvia Ugidos
Simone de Beauvoir
Somerset Maugham
Stephen Crane
Stephen Wright
Steve Mccaffery
Stevie Smith
Stuart Dischell
Sue Goyette
Susana Cabuchi
Sylvia Plath
T. S. Eliot
Tanya Davis
Tati Bernard
Tatianna Rei Moonshadow
Tennessee Williams
Tilly Strauss
Tom Baker
Tom Waits
Ulla Hahn
Valentine de Saint-Point
Vincenzo Cardarelli
Vinicius de Moraes
Vladimir Nabokov
W. H. Auden
Warsan Shire
William Blake
William Butler Yeats
William Carlos Williams
William Shakespeare
Winnie Meisler
Winona Baker
Wislawa Szymborska
Yehuda Amichai
Yohji Yamamoto
Yoko Ono
Yorgos Seferis
Zee Avi
livraria
. A Sul de Nenhum Norte .
. Granta .
Al Berto .
Alexandre O'Neill .
Algernon Blackwood .
Ali Smith .
Alice Munro .
Alice Turvo .
Almanaque do Dr. Thackery .
Anaïs Nin .
Anita Brookner .
Ann Beattie .
Annemarie Schwarzenbach .
Anton Tchekhov .
António Ferra .
António Lobo Antunes .
Arthur Miller .
Boris Vian .
Bret Easton Ellis .
Carlos de Oliveira .
Carson McCullers .
Charles Bukowski .
Chuck Palahniuk .
Clarice Lispector .
Conde de Lautréamont .
Cormac McCarthy .
Cristiane Lisbôa .
Donald Barthelme .
Doris Lessing .
Dulce Maria Cardoso .
Edith Wharton .
Eileen Chang .
Elena Ferrante .
Enrique Vila-Matas .
Erasmo de Roterdão .
Ernest Hemingway .
Ernesto Sampaio .
F. Scott Fitzgerald .
Fernando Pessoa .
Flannery O'Connor .
Florbela Espanca .
Françoise Sagan .
Franz Kafka .
Frida Kahlo .
Gabriel García Márquez .
Gonçalo M. Tavares .
Graça Pina de Morais .
Gustave Flaubert .
Guy de Maupassant .
Harold Pinter .
Haruki Murakami .
Henri Michaux .
Herberto Hélder .
Hunter S. Thompson .
Irene Lisboa .
Irène Némirovsky .
Italo Calvino .
J. D. Salinger .
Jack Kerouac .
James Joyce .
Jean Cocteau .
Jean Genet .
Jean Meckert .
Jean-Paul Sartre .
Jeffrey Eugenides .
Jim Cartwright .
Joan Didion .
John Cheever .
José Jorge Letria .
José Saramago .
Josep Pla .
Julian Barnes .
Julio Cortázar .
Karen Blixen .
Kate Chopin .
Katherine Mansfield .
Kurt Vonnegut .
Lázaro Covadlo .
Lillian Hellman .
Luís de Sttau Monteiro .
Luís Miguel Nava .
Luiz Pacheco .
Lydia Davis .
Lygia Fagundes Telles .
Malcolm Lowry .
Manuel Hermínio Monteiro .
Manuel Jorge Marmelo .
Marcel Proust .
Margaret Atwood .
Marguerite Duras .
Marguerite Yourcenar .
Mário C. Brum .
Mário-Henrique Leiria .
Mark Lindquist .
Marquis de Sade .
Max Aub .
Miguel Castro Henriques .
Miguel Esteves Cardoso .
Miguel Martins .
Milan Kundera .
Neil Gaiman .
Nick Cave .
Norman Rush .
Orhan Pamuk .
Oscar Wilde .
Paul Auster .
Paulo Rodrigues Ferreira .
Pedro Mexia .
Penelope Fitzgerald .
Pierre Louÿs .
Rainer Maria Rilke .
Rainer Werner Fassbinder .
Raul Brandão .
Ray Bradbury .
Rebecca West .
Regina Guimarães .
Richard Yates .
Roland Topor .
Rolf Dieter Brinkmann .
Rui Nunes .
S. E. Hinton .
Sam Shepard .
Samuel Beckett .
Sarah Kane .
Shirley Jackson .
Stig Dagerman .
Susan Sontag .
Susana Moreira Marques .
Sylvia Plath .
Tennessee Williams .
Teresa Veiga .
Tom Baker .
Truman Capote .
valter hugo mãe .
Vasco Gato .
Vera Lagoa .
Vergílio Ferreira .
Virginia Woolf .
Vladimir Nabokov .
William Faulkner .
Woody Allen .
Yasunari Kawabata .
Yukio Mishima .
.gif)

