We can learn to murder in the early hours
mulling over dour fate
technology offering its endless alternatives:
poisons, boxes spewing chemicals.
And yet
in murder
we return to the odious spectacle of physical expression -
I'll break you neck;
I'll break your back
thinking unacquired savagery.
Karate is a special kind of dance.
Who pulverizes someone else's bones
has lifted violence to the level of
an art,
which, unlike ballet,
does not require the total man.
Lou Reed
sunday afternoon
© Herman Nicholson
e a morte do lou reed ou o aniversário da plath, tudo morto, tudo ido, e nós aqui, aqui
estrela dupla
Ergueu os olhos, respirando fundo. Para os lados do oriente, uma estrela, muito nítida, brilhava por entre as árvores. Era a estrela da manhã - e há já muitos anos que Kikuji a não via... Ficou, de pé, a olhar para a estrela, sempre e sempre, até que o céu se começou a encher de nuvens... Mas a estrela cada vez parecia maior, resplandecendo através da neblina. A luz como que estava esborratada pela água, pelo que tocava os olhos com um tom lúgubre, tal impressão se devendo, em parte, ao claro brilho da estrela - e essa era a atmosfera que envolvia os gestos de Kikuji ao tentar juntar os pedaços de uma taça partida no anseio de voltar a ter o objecto inteiro.
Yasunari Kawabata, Chá e Amor
desejos para 2014: o japão, a cerimónia do chá e um bocadinho de amor
Yasunari Kawabata, Chá e Amor
desejos para 2014: o japão, a cerimónia do chá e um bocadinho de amor
(n)as pugnas amorosas
A experiência de alcova da senhora Ota proporcionava a Kikuji uma felicidade isenta das hesitações embaraçosas que acometem, por vezes, um dos amantes nas pugnas amorosas.
Yasunari Kawabata, Chá e Amor
Yasunari Kawabata, Chá e Amor
morte em veneza
De muitas coisas se pode morrer
em Veneza
De velhice de susto
de peste
ou de beleza
Jorge Sousa Braga, Poemas com Cinema
em Veneza
De velhice de susto
de peste
ou de beleza
Jorge Sousa Braga, Poemas com Cinema
do titanic no ecrã
«A poesia é uma loucura de palavras»*:
golfadas de água, pistons, caldeiras,
mar de silêncio, música de pianoforte,
escadaria, ascensores, golfadas
de água, trajos de gala, icebergs,
mar de silêncio, amor, morse, foguetes
de luz, música de pianoforte, amor,
decotes, plumas, tules, icebergs,
pistons, camarotes, madeira envernizada,
tapeçarias, ascensores, morse, amor,
mar de silêncio, salva-vidas, escaleres,
escadas de corda, sino, apitos, foguetes
de luz, golfadas de água, escaleres, jorros,
mar de silêncio, morse, sino,
escaleres, amores mortos, morse,
morte, amor, morse – disse
um grande poeta meu contemporâneo.
Fiama Hasse Pais Brandão, Poemas com Cinema
*Ruy Belo
golfadas de água, pistons, caldeiras,
mar de silêncio, música de pianoforte,
escadaria, ascensores, golfadas
de água, trajos de gala, icebergs,
mar de silêncio, amor, morse, foguetes
de luz, música de pianoforte, amor,
decotes, plumas, tules, icebergs,
pistons, camarotes, madeira envernizada,
tapeçarias, ascensores, morse, amor,
mar de silêncio, salva-vidas, escaleres,
escadas de corda, sino, apitos, foguetes
de luz, golfadas de água, escaleres, jorros,
mar de silêncio, morse, sino,
escaleres, amores mortos, morse,
morte, amor, morse – disse
um grande poeta meu contemporâneo.
Fiama Hasse Pais Brandão, Poemas com Cinema
*Ruy Belo
a evocação do chimpanzé
comprei um bilhete e um cartucho de amendoins e
entrei no cinema. tu compraste um bilhete e um
cartucho de amendoins e entraste no cinema, sen
támo-nos na mesma fila, lado a lado. eu abri o meu
cartucho de amendoins, tu abriste o teu cartucho
de amendoins, com um ruído exactamente igual ao
meu. voltei-me para ti e mostrei os dentes. tu
voltaste-te para mim e mostraste os dentes. quan
do a luz apagou, tu pousaste o teu cartucho de a
mendoins no colo e eu pousei o meu cartucho de
amendoins no colo. com a mão direita comecei a le
vantar-te a saia. para me facilitar a tarefa, tu
levantaste levemente as nádegas do assento. com
esse gesto, caiu-te do colo o cartucho de amendo
ins. assim que os amendoins acabaram de se espal
har no chão, abaixei-me para tos apanhar, mas es
queci-me do meu cartucho de amendoins, o qual me
caiu igualmente ao chão. gastei um tempo enorme
a procurar e a recolher todos os amendoins. lembro
me de que passei o tempo quase todo até ao inter
valo recolhendo amendoins. todo o tempo tu
não deixaste de suspirar e de gemer, embora esti
vesse apenas a decorrer um documentário sobre
o narciso e nenhum drama comovente. a voz do lo
cutor lembro-me que dizia: «no começo da primave
ra, quando montes e vales acordam do longo sono
de inverno, centenas e centenas de narcisos ele
vam as douradas cabeças em todas as frestas e a
brigos do solo, e lançam seu olhar inocente pelos
portentosos rochedos e pelas raízes nodosas da
floresta.» isto, como certamente te lembras, foi
antes do intervalo. depois, quantas vezes, oh quan
tas vezes não deixaste cair e eu não deixei cair
os amendoins que nos restavam. e ora eu, ora tu,
de cada vez descíamos a procurá-los, e a colhê-los
com suaves, ternos guinchos. o filme, no dizer da
crítica, era daqueles que se não podem perder.
Alberto Pimenta, Poemas com Cinema
entrei no cinema. tu compraste um bilhete e um
cartucho de amendoins e entraste no cinema, sen
támo-nos na mesma fila, lado a lado. eu abri o meu
cartucho de amendoins, tu abriste o teu cartucho
de amendoins, com um ruído exactamente igual ao
meu. voltei-me para ti e mostrei os dentes. tu
voltaste-te para mim e mostraste os dentes. quan
do a luz apagou, tu pousaste o teu cartucho de a
mendoins no colo e eu pousei o meu cartucho de
amendoins no colo. com a mão direita comecei a le
vantar-te a saia. para me facilitar a tarefa, tu
levantaste levemente as nádegas do assento. com
esse gesto, caiu-te do colo o cartucho de amendo
ins. assim que os amendoins acabaram de se espal
har no chão, abaixei-me para tos apanhar, mas es
queci-me do meu cartucho de amendoins, o qual me
caiu igualmente ao chão. gastei um tempo enorme
a procurar e a recolher todos os amendoins. lembro
me de que passei o tempo quase todo até ao inter
valo recolhendo amendoins. todo o tempo tu
não deixaste de suspirar e de gemer, embora esti
vesse apenas a decorrer um documentário sobre
o narciso e nenhum drama comovente. a voz do lo
cutor lembro-me que dizia: «no começo da primave
ra, quando montes e vales acordam do longo sono
de inverno, centenas e centenas de narcisos ele
vam as douradas cabeças em todas as frestas e a
brigos do solo, e lançam seu olhar inocente pelos
portentosos rochedos e pelas raízes nodosas da
floresta.» isto, como certamente te lembras, foi
antes do intervalo. depois, quantas vezes, oh quan
tas vezes não deixaste cair e eu não deixei cair
os amendoins que nos restavam. e ora eu, ora tu,
de cada vez descíamos a procurá-los, e a colhê-los
com suaves, ternos guinchos. o filme, no dizer da
crítica, era daqueles que se não podem perder.
Alberto Pimenta, Poemas com Cinema
so this is nausea
The French called this time of day "l'heure bleue." To the English it was "the gloaming." The very word "gloaming" reverberates, echoes—the gloaming, the glimmer, the glitter, the glisten, the glamour—carrying in its consonants the images of houses shuttering, gardens darkening, grass-lined rivers slipping through the shadows. During the blue nights you think the end of day will never come. As the blue nights draw to a close (and they will, and they do) you experience an actual chill, an apprehension of illness, at the moment you first notice: the blue light is going, the days are already shortening, the summer is gone.
Joan Didion, Blue Nights
vamos todos chorar um bocadinho
devias ter tento na língua
- Quando reparo na forma como olhas para mim, quando olhas e sabes que não olho, quando vês e reparas o que faço, quando faço o que faço, e então dizes as palavras que só tu sabes, e são sempre palavras de amor, e eu penso: então eu penso que tens medo de um silêncio, um silêncio qualquer a alastrar, e que preenches como deves, ou achas que deves. Só então tu falas.
- Como agora?
- Sim, como agora. E quando não falas, são os teus pensamentos.
- Mas tu não ouves os meus pensamentos.
- Talvez por isso. Ouço o que não ouço. É o silêncio que eles fazem. O silêncio das tuas palavras perturba-me mais do que as palavras ditas, as palavras propriamente ditas. E então peço-te que fales, o que é a mesma coisa, porque não consigo suportar a ausência das tuas palavras. Ou a presença delas. Não sei.
- Então o que queres que faça?
- Apenas que faças. Que nunca digas o que fazes ou não fazes. Não me interessa o que pensas de mim, o que dizes ou consentes. É-me indiferente.
(...)
- E gostas dos meus pés?
- Acho os teus pés horríveis. Mas sou capaz de simpatizar com a tua boca. Talvez nem seja a tua boca toda, apenas o teu lábio inferior, quando o sinto entre os meus lábios, quando te beijo, ou melhor, quando não te beijo, sinto apenas os meus lábios sobre os teus, muito quietos que não parece muito um beijo.
- E gostas da minha coninha?
- Não se diz isso. É feio.
- E a coninha: achas a minha coninha feia?
- Já vi coninhas melhores, se queres que te diga. Mas não é uma coninha feia.
- Parvo.
- (...) A tua coninha só tem pouca personalidade. Não é grave.
- O que queres dizer com isso? Olha para ela com atenção.
- Estou a olhar.
- Achas que falta assim tanta personalidade? Olha bem.
- Acho.
- O que queres dizer com isso?
- Personalidade. Atitude. É uma coninha passiva. (...) É uma coninha mandriona, é o que é.
(...)
- Não te rias. Não é motivo de risos.
- Não me estou a rir.
- Então é ela. Olha para ela. Ri-se de quê, esta puta interesseirona?
- Ri-se de ti e da tua pichota ridícula.
- Qual é o mal da minha pichota? É uma pichota elegante, dir-se-ia até distinta, helénica, vigorosa, apessoada, tranquila, apolínea, marmórea e culta.
- É uma pichota pequena, meu amor. Sempre te disse que era muito pequena, parece meio atarracada. O teu pai ou mãe é asiático?
- Não.
- A tua pichota?
- Já lá esteve e não gostou.
- Só dizes disparates. Além disso gosto dela.
- A tua conversa dá-me nojo. És uma nojenta. Uma putinha nojenta. Devias ter tento na língua.
(...)
- Gostas do meu cuzinho? (...) É o cuzinho mais bonito que já viste?
- Gosto. É o cuzinho mais lindo que eu já vi.
(...)
- Porque é que me bateste na cara?
- Porque és estúpida como uma porta.
- Pára de me bater.
(...)
- (...) Agora só quero me beijes.
- Não me apetece.
- Não é uma questão de vontade. A vontade tem pouco a ver com isto.
- Podes beijar-me, se quiseres. Eu fico onde estou.
- Quero.
- Gostaste?
- Gostei.
- Mas eu não te beijei a ti. Os meus lábios estão parados. Parados.
- Melhor assim.
- Sou um corpo parado e é assim que devo ser?
- Sim. Não gosto que me beijem. Gosto de te beijar prolongadamente. Mas só eu. Não é nada contigo. Mas é tudo para ti. A ideia de partilhar só se aplica as coisas vivas e inúteis - um livro, uma laranja, um par de peúgas. Para tudo o resto, as partilhas são imperfeitas, para não dizer anedóticas. As pessoas não beijam. Há sempre uma que beija mais do que a outra. Que ama mais do que a outra. Que sente ou sofre mais que a outra.
- Posso dizer que te amo?
- Não. Só eu posso dizer que te amo. E amo-te muito. Mais do que pensas.
- Talvez queiras casar comigo. És doido o suficiente para isso.
- Quero, quero muito casar contigo. Aceitas (...)?
- Porque é que estás nessa figura, de joelhos? Ficas ridículo de joelhos, aí na alcatifa, a tua pequena pichota como um enfeite de Natal pendurado no teu corpo. Levanta-te e caminha.
- Ainda não quero ir para a caminha. Isto agora é a sério. Ouve o que te digo: casa comigo e faz de mim um homem feliz.
- Quero fazer amor outra vez.
- Primeiro, casamos. (...) Temos a minha pequena pichota como padrinho e a tua coninha mandriona como madrinha. Agora enfia isto no dedo e diz as palavras.
- Um preservativo?
- Enfia-o no dedo. (...) Agora: aceitas ser minha esposa, na saúde e na doença, até que a morte nos separe?
- Espera. Que espécie de doenças? Todas ou só algumas?
(...)
- Todas. As doenças medievais, as viroses, a cegueira, as embolias cerebrais, aguentas tudo. Mesmo que a fatalidade meta fraldas, e não pudermos foder mais, os nossos corpos definitivamente apagados, e que do nosso amor só reste a memória. Compreendes o que te peço? Chama-se sacrifício. E nunca saberás o que é amar alguém se não amares também o sacrifício. Porque estás a chorar?
- Nunca pensei que quisesses casar comigo. É só isso. É bonito o que dizes.
- Não consigo ver-te chorar, meu amor. Parte-me o coração.
(...)
- Pára de chorar. Cobre o teu cabelo com o lençol para eu te poder beijar sob o véu. Limpa as lágrimas com os meus dedos.
- Amo-te muito. Já to disse várias vezes, mas nunca numa cerimónia como esta.
- Também te amo muito. (...) Diz apenas que "sim". (...) Aceitas casar comigo?
- Caso.
- Não é "caso". É aceito.
- Aceito.
- Aceitas o quê?
- Aceito casar contigo. E aceito a tua pichota pequena, meu amor. Estou a brincar. Não chores. Não gosto que chores. Os homens não deviam chorar. Olha para mim: aceito casar contigo e fazer-te o homem mais feliz. Não direi o mais feliz entre os homens, mas o mais feliz entre os homens de pichotas pequeninas. Agora ris?
- Rio.
- Estamos casados?
- Estamos, meu amor. Aos olhos de Deus somos duas almas gémeas que se encontraram no firmamento. Pára de rir.
- De Deus e do firmamento? Foi isso que disseste?
- Putinha. Minha grande, adorada, e casada putinha. Nunca nos devemos rir de Deus. (...)
(...)
- Mas eu abro o coração para Deus. Juro. É só isso que queres que eu abra?
- Não me faças rir, merda. Isto é uma coisa solene.
- Enfia a aliança. Deixa-me enfiá-la onde eu quiser.
- Pára com isso. Estou a ficar com tesão e Deus a ver.
- Não está nada. Ele fecha os olhos nestas partes.
Está a ver. Pára. Pousa a aliança. Porta-te como uma mulher casada. (...) Diz só que me amas muito.
(...)
- Eu amo-te muito.
João Pereira Coutinho, Revista 365 nº 29
- Como agora?
- Sim, como agora. E quando não falas, são os teus pensamentos.
- Mas tu não ouves os meus pensamentos.
- Talvez por isso. Ouço o que não ouço. É o silêncio que eles fazem. O silêncio das tuas palavras perturba-me mais do que as palavras ditas, as palavras propriamente ditas. E então peço-te que fales, o que é a mesma coisa, porque não consigo suportar a ausência das tuas palavras. Ou a presença delas. Não sei.
- Então o que queres que faça?
- Apenas que faças. Que nunca digas o que fazes ou não fazes. Não me interessa o que pensas de mim, o que dizes ou consentes. É-me indiferente.
(...)
- E gostas dos meus pés?
- Acho os teus pés horríveis. Mas sou capaz de simpatizar com a tua boca. Talvez nem seja a tua boca toda, apenas o teu lábio inferior, quando o sinto entre os meus lábios, quando te beijo, ou melhor, quando não te beijo, sinto apenas os meus lábios sobre os teus, muito quietos que não parece muito um beijo.
- E gostas da minha coninha?
- Não se diz isso. É feio.
- E a coninha: achas a minha coninha feia?
- Já vi coninhas melhores, se queres que te diga. Mas não é uma coninha feia.
- Parvo.
- (...) A tua coninha só tem pouca personalidade. Não é grave.
- O que queres dizer com isso? Olha para ela com atenção.
- Estou a olhar.
- Achas que falta assim tanta personalidade? Olha bem.
- Acho.
- O que queres dizer com isso?
- Personalidade. Atitude. É uma coninha passiva. (...) É uma coninha mandriona, é o que é.
(...)
- Não te rias. Não é motivo de risos.
- Não me estou a rir.
- Então é ela. Olha para ela. Ri-se de quê, esta puta interesseirona?
- Ri-se de ti e da tua pichota ridícula.
- Qual é o mal da minha pichota? É uma pichota elegante, dir-se-ia até distinta, helénica, vigorosa, apessoada, tranquila, apolínea, marmórea e culta.
- É uma pichota pequena, meu amor. Sempre te disse que era muito pequena, parece meio atarracada. O teu pai ou mãe é asiático?
- Não.
- A tua pichota?
- Já lá esteve e não gostou.
- Só dizes disparates. Além disso gosto dela.
- A tua conversa dá-me nojo. És uma nojenta. Uma putinha nojenta. Devias ter tento na língua.
(...)
- Gostas do meu cuzinho? (...) É o cuzinho mais bonito que já viste?
- Gosto. É o cuzinho mais lindo que eu já vi.
(...)
- Porque é que me bateste na cara?
- Porque és estúpida como uma porta.
- Pára de me bater.
(...)
- (...) Agora só quero me beijes.
- Não me apetece.
- Não é uma questão de vontade. A vontade tem pouco a ver com isto.
- Podes beijar-me, se quiseres. Eu fico onde estou.
- Quero.
- Gostaste?
- Gostei.
- Mas eu não te beijei a ti. Os meus lábios estão parados. Parados.
- Melhor assim.
- Sou um corpo parado e é assim que devo ser?
- Sim. Não gosto que me beijem. Gosto de te beijar prolongadamente. Mas só eu. Não é nada contigo. Mas é tudo para ti. A ideia de partilhar só se aplica as coisas vivas e inúteis - um livro, uma laranja, um par de peúgas. Para tudo o resto, as partilhas são imperfeitas, para não dizer anedóticas. As pessoas não beijam. Há sempre uma que beija mais do que a outra. Que ama mais do que a outra. Que sente ou sofre mais que a outra.
- Posso dizer que te amo?
- Não. Só eu posso dizer que te amo. E amo-te muito. Mais do que pensas.
- Talvez queiras casar comigo. És doido o suficiente para isso.
- Quero, quero muito casar contigo. Aceitas (...)?
- Porque é que estás nessa figura, de joelhos? Ficas ridículo de joelhos, aí na alcatifa, a tua pequena pichota como um enfeite de Natal pendurado no teu corpo. Levanta-te e caminha.
- Ainda não quero ir para a caminha. Isto agora é a sério. Ouve o que te digo: casa comigo e faz de mim um homem feliz.
- Quero fazer amor outra vez.
- Primeiro, casamos. (...) Temos a minha pequena pichota como padrinho e a tua coninha mandriona como madrinha. Agora enfia isto no dedo e diz as palavras.
- Um preservativo?
- Enfia-o no dedo. (...) Agora: aceitas ser minha esposa, na saúde e na doença, até que a morte nos separe?
- Espera. Que espécie de doenças? Todas ou só algumas?
(...)
- Todas. As doenças medievais, as viroses, a cegueira, as embolias cerebrais, aguentas tudo. Mesmo que a fatalidade meta fraldas, e não pudermos foder mais, os nossos corpos definitivamente apagados, e que do nosso amor só reste a memória. Compreendes o que te peço? Chama-se sacrifício. E nunca saberás o que é amar alguém se não amares também o sacrifício. Porque estás a chorar?
- Nunca pensei que quisesses casar comigo. É só isso. É bonito o que dizes.
- Não consigo ver-te chorar, meu amor. Parte-me o coração.
(...)
- Pára de chorar. Cobre o teu cabelo com o lençol para eu te poder beijar sob o véu. Limpa as lágrimas com os meus dedos.
- Amo-te muito. Já to disse várias vezes, mas nunca numa cerimónia como esta.
- Também te amo muito. (...) Diz apenas que "sim". (...) Aceitas casar comigo?
- Caso.
- Não é "caso". É aceito.
- Aceito.
- Aceitas o quê?
- Aceito casar contigo. E aceito a tua pichota pequena, meu amor. Estou a brincar. Não chores. Não gosto que chores. Os homens não deviam chorar. Olha para mim: aceito casar contigo e fazer-te o homem mais feliz. Não direi o mais feliz entre os homens, mas o mais feliz entre os homens de pichotas pequeninas. Agora ris?
- Rio.
- Estamos casados?
- Estamos, meu amor. Aos olhos de Deus somos duas almas gémeas que se encontraram no firmamento. Pára de rir.
- De Deus e do firmamento? Foi isso que disseste?
- Putinha. Minha grande, adorada, e casada putinha. Nunca nos devemos rir de Deus. (...)
(...)
- Mas eu abro o coração para Deus. Juro. É só isso que queres que eu abra?
- Não me faças rir, merda. Isto é uma coisa solene.
- Enfia a aliança. Deixa-me enfiá-la onde eu quiser.
- Pára com isso. Estou a ficar com tesão e Deus a ver.
- Não está nada. Ele fecha os olhos nestas partes.
Está a ver. Pára. Pousa a aliança. Porta-te como uma mulher casada. (...) Diz só que me amas muito.
(...)
- Eu amo-te muito.
João Pereira Coutinho, Revista 365 nº 29
os jeans
Os meus jeans: lavados e estendidos.
As coisas que gostam de se divertir são boas.
Vão-se embora e abandonam o patrão.
As nádegas dos meus jeans dizem "Vai, coragem!"
Estes jeans, já lhes aconteceu ficarem de pé,
à beira da ribeira, ou ficarem sentados
Sobre os degraus de pedra, ao romper do dia.
São jeans que gostam do azul
E quando estiverem secos, então, hão-de levar-me
Eles, e não tu, meu amigo,
Mais uma vez, para sítios muito bons,
Para o mar, para prados imensos,
Tenho a certeza disso.
Junko Takahashi, Grisu nº 1
As coisas que gostam de se divertir são boas.
Vão-se embora e abandonam o patrão.
As nádegas dos meus jeans dizem "Vai, coragem!"
Estes jeans, já lhes aconteceu ficarem de pé,
à beira da ribeira, ou ficarem sentados
Sobre os degraus de pedra, ao romper do dia.
São jeans que gostam do azul
E quando estiverem secos, então, hão-de levar-me
Eles, e não tu, meu amigo,
Mais uma vez, para sítios muito bons,
Para o mar, para prados imensos,
Tenho a certeza disso.
Junko Takahashi, Grisu nº 1
anjos apaixonados
Quando os anjos se apaixonam
dançam nas cabeças de alfinetes,
lançam-se em bolas de fogo, ou permanecem
submersos na poça durante horas.
Por vezes até golpeiam os punhos
com lâminas de barbear ou lascas de madeira
não conseguindo, claro, rasgar a delicada pele.
Pois, na ausência de sofrimento ou de entusiasmo,
de que outro modo emulariam o nosso amor?
Pat Boran, Grisu nº 1
dançam nas cabeças de alfinetes,
lançam-se em bolas de fogo, ou permanecem
submersos na poça durante horas.
Por vezes até golpeiam os punhos
com lâminas de barbear ou lascas de madeira
não conseguindo, claro, rasgar a delicada pele.
Pois, na ausência de sofrimento ou de entusiasmo,
de que outro modo emulariam o nosso amor?
Pat Boran, Grisu nº 1
sótão
1
Tens boa memória e conheces os clássicos, mas
há coisas no sótão de que deves desfazer-te,
vestígios de uma vida com rotinas e limites:
a campânula de vidro, o velhinho bumerangue
(que de há muito, se lançado, não regressa à tua mão)
e até o próprio peito, que em tempos trazias
bem aberto a lamechices, cabeça-de-cartaz
no palácio da magia. Por que não me dás ouvidos
e te perdes noutro lado? Uma galáxia distante.
Não há sítio mais seguro para guardar segredos íntimos.
2
Nessa caixa, por exemplo, ninguém mexe
há vários anos. Tem os arcos e as flechas
de brincar, um conjunto de apêndices
capazes de milagres. A memória, todavia,
tem um fundo movediço, uma espécie de alçapão;
abandona-te à primeira, deixa-te a falar sozinho
nas alturas mais estranhas. E sem ela
vens parar outra vez ao tempo errado, alvejado
pelas costas em cima do cavalo. Cowboy,
cowboy, quem é que tem agora a arma?
3
Cordas, roldanas, engrenagens,
a base teórica da elevação das coisas.
Demorou algum tempo, deu trabalho.
Foi talvez a ascensão mais perigosa
que fizemos, com as botas de borracha
e os sacos das vindimas equipando
os astronautas do futuro. Uma vez,
há muito tempo, outras crianças.
Entretanto, é arrepiante ver o estado
a que chegámos. Sem o livro dos feitiços,
não podemos fazer nada.
Vítor Nogueira, Grisu nº 1
várias versões de uma catástrofe
Aqueles segundos em que o moribundo ocupa toda a largura do filme aborrecem-me. Chego a pensar que quero matá-lo, mas só em pensamento.
O moribundo desaparece da imagem no momento exacto em que eu o ia matar.
Depois não o vejo mais.
E, no entanto...
E no entanto aquele homem é ao mesmo tempo humano e cinematográfico. Especialmente o braço no ar, a acenar, isso sim, é uma coisa cinematográfica que se vê.
À velocidade a que a água corre, o moribundo torna-se o atleta mais veloz, agradecendo ao público depois de uma nova vitória, no instante em que se afoga.
Tenho vontade de me despedir dele com a minha mão.
Mexo a mão, quase nada, depois desisto.
Imagino-me a acenar, sim, mas para chamar a atenção do jovem japonês. É difícil usar as mãos para ser visto por uns e para não ser visto por outros.
Desisto.
José Gardeazabal, Granta Portugal nº 2
O moribundo desaparece da imagem no momento exacto em que eu o ia matar.
Depois não o vejo mais.
E, no entanto...
E no entanto aquele homem é ao mesmo tempo humano e cinematográfico. Especialmente o braço no ar, a acenar, isso sim, é uma coisa cinematográfica que se vê.
À velocidade a que a água corre, o moribundo torna-se o atleta mais veloz, agradecendo ao público depois de uma nova vitória, no instante em que se afoga.
Tenho vontade de me despedir dele com a minha mão.
Mexo a mão, quase nada, depois desisto.
Imagino-me a acenar, sim, mas para chamar a atenção do jovem japonês. É difícil usar as mãos para ser visto por uns e para não ser visto por outros.
Desisto.
José Gardeazabal, Granta Portugal nº 2
mas já nada é sagrado?
Cresci a beijar livros e pão.
Lá em casa, sempre que alguém derrubava um livro, ou deixava cair um chapatti ou uma «fatia», a palavra que usávamos para um triângulo de pão fermentado com manteiga, o objecto caído tinha não só de ser apanhado mas também beijado, numa mea culpa pelo desastre e em sinal de respeito. Eu era tão descuidado e mãos-de-manteiga como qualquer criança e, portanto, nos meus anos de infância, beijei grande número de fatias e tive também a minha conta de livros.
Nos lares devotos da Índia, as pessoas tinham por hábito - e ainda têm - beijar os livros sagrados. Mas nós beijávamos tudo. Beijávamos dicionários e atlas. Beijávamos livros da Enid Blyton e banda desenhada do Super-Homem. Se eu alguma vez tivesse deixado cair a lista telefónica, provavelmente também a teria beijado.
Tudo isto aconteceu mesmo antes de ter beijado uma rapariga.
Aliás, até seria quase verdade, ou em todo o caso suficientemente verdadeiro para um escritor de ficção, dizer que, mal comecei a beijar raparigas, as minhas actividades relativas a pão e livros perderam alguma da excitação que lhe era própria. Mas uma pessoa nunca esquece os seus primeiros amores.
Pão e livros: comida para o corpo e alimento para a alma - o que mais poderá ser tão digno do nosso respeito e até do nosso amor?
É sempre para mim um choque conhecer pessoas sem interesse pelos livros e pessoas que troçam do acto de ler, para não falar nisso de escrever. Talvez seja surpreendente perceber que o objecto do nosso amor não é aos olhos dos outros tão atraente como para nós.
(...)
O amor pode conduzir à devoção mas a devoção do amante é diferente da do Verdadeiro Crente no pormenor de não ser militante.
Posso ficar surpreendido - posso até ficar chocado - ao descobrir que nós os dois não sentimos o mesmo perante um determinado livro ou determinada obra de arte, ou mesmo acerca de uma pessoa; posso muito bem tentar fazê-lo mudar de ideias; mas acabarei por aceitar que os seus gostos, os seus amores, dizem respeito a si e não a mim. O Verdadeiro Crente não conhece esses limites. O Verdadeiro Crente sabe, pura e simplesmente, que ele está certo e que nós estamos errados. Vai tentar convencer-nos, até pela força, e, se não o conseguir, vai, no mínimo, desprezar-nos por sermos incréus.
Salman Rushdie, Granta Portugal nº 2
e eu que sempre repeti que a única coisa que preciso para (sobre)viver é um livro, pão com manteiga, cigarros e gatos. o rushdie é mais poupadinho
Lá em casa, sempre que alguém derrubava um livro, ou deixava cair um chapatti ou uma «fatia», a palavra que usávamos para um triângulo de pão fermentado com manteiga, o objecto caído tinha não só de ser apanhado mas também beijado, numa mea culpa pelo desastre e em sinal de respeito. Eu era tão descuidado e mãos-de-manteiga como qualquer criança e, portanto, nos meus anos de infância, beijei grande número de fatias e tive também a minha conta de livros.
Nos lares devotos da Índia, as pessoas tinham por hábito - e ainda têm - beijar os livros sagrados. Mas nós beijávamos tudo. Beijávamos dicionários e atlas. Beijávamos livros da Enid Blyton e banda desenhada do Super-Homem. Se eu alguma vez tivesse deixado cair a lista telefónica, provavelmente também a teria beijado.
Tudo isto aconteceu mesmo antes de ter beijado uma rapariga.
Aliás, até seria quase verdade, ou em todo o caso suficientemente verdadeiro para um escritor de ficção, dizer que, mal comecei a beijar raparigas, as minhas actividades relativas a pão e livros perderam alguma da excitação que lhe era própria. Mas uma pessoa nunca esquece os seus primeiros amores.
Pão e livros: comida para o corpo e alimento para a alma - o que mais poderá ser tão digno do nosso respeito e até do nosso amor?
É sempre para mim um choque conhecer pessoas sem interesse pelos livros e pessoas que troçam do acto de ler, para não falar nisso de escrever. Talvez seja surpreendente perceber que o objecto do nosso amor não é aos olhos dos outros tão atraente como para nós.
(...)
O amor pode conduzir à devoção mas a devoção do amante é diferente da do Verdadeiro Crente no pormenor de não ser militante.
Posso ficar surpreendido - posso até ficar chocado - ao descobrir que nós os dois não sentimos o mesmo perante um determinado livro ou determinada obra de arte, ou mesmo acerca de uma pessoa; posso muito bem tentar fazê-lo mudar de ideias; mas acabarei por aceitar que os seus gostos, os seus amores, dizem respeito a si e não a mim. O Verdadeiro Crente não conhece esses limites. O Verdadeiro Crente sabe, pura e simplesmente, que ele está certo e que nós estamos errados. Vai tentar convencer-nos, até pela força, e, se não o conseguir, vai, no mínimo, desprezar-nos por sermos incréus.
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