a vida é doce e só nos toca uma dentada na cereja

"David", prosseguiu Cassandra, "não vais acreditar nisto. Estás preparado, David?"
  "Estou preparado, Cassy," soluçou David.
"Estamos todos preparados, Cassy, não poupes os pormenores. O coração tem as suas razões."
  "Bem David, ao que parece, um dos membros das equipas de resgate, um tal Sr. Ted Crump, falou em nome de todo o grupo. Disse ao velho casal: "Mas é apenas um carro velho. A vida é doce e só nos toca uma dentada na cereja, por isso, saiam e vivam a vida." Cassandra recuperou o fôlego e prosseguiu: "Mas de nada serviu, David. Os sete bons samaritanos tiveram de abandonar o casal de idosos, à medida que o rio de chamas se espalhava na direcção deles. E o Sr. Crump disse-me, David, que, quando já são e salvo na ribanceira olhou para o velho casal, pôde ver os dois acenando. Acenando, David. Não apenas acenando, mas fazendo-o alegremente, no habitáculo do seu pequeno carro, que era mais valioso para eles do que qualquer outra coisa e sem o qual a vida não fazia qualquer sentido. E uma fracção de segundo antes de o velho Focinho de Boi ser engolido pelas chamas, o Sr. Crump reparou que a anciã estava a tirar-lhe uma fotografia com a sua Canon Sureshot, pedindo-lhe um sorriso, à maneira de Hylda Baker. O Sr. Crump, Reg para os amigos, disse que fez o melhor sorriso que pôde, mas, apesar do calor, não foi um sorriso muito quente, disse ele."


Tom Baker, O Rapaz Que Chutava Porcos

os odiados

Esta chacina do inocente deu a Robert a confirmação de como as pessoas podem ser horríveis. E ele odiava-as. Decidiu aliar-se às lontras, tubarões e arminhos, às cobras venenosas e às ratazanas, às baratas e às aranhas. Robert adorava as criaturas que as pessoas detestavam e queriam destruir. Adorava os odiados e odiava as pessoas.


Tom Baker, O Rapaz Que Chutava Porcos

da rebeldia e da liberdade

Os pais estavam sentados no sofá, virados para as portas, que se abriram de rompante, e ali estavam eles, duas criaturas leves, elegantes e pequeninas, com as faces vivamente rosadas, abrasadas pela geada, e os olhos repletos das excitações da escuridão selvagem em que tinham participado. Respiravam profundamente, e os seus olhos ajustando-se lentamente à realidade, a sala de família iluminada, calorosa, e os pais que estavam sentados a olhar para eles. Durante um momento foi o encontro de duas formas de vida estranhas: as crianças tinham entrado numa selvajaria primitiva e o seu sangue ainda latejava; mas agora a turbulência dentro deles já se libertara e justavam-se aos pais. Harriet e David partilharam aquele momento com eles, estavam com eles em imaginação e na memória das suas próprias infâncias. Podiam claramente ver-se a si próprios, dois adultos, ali sentados, calmos, domésticos, até dignos de pena na sua distância da rebeldia e da liberdade.


Doris Lessing, O Quinto Filho

na outra ponta da sala

Harriet e David, sozinho, de copo na mão, observadores. Ambos tinham pensado que os rostos dos dançarinos, as mulheres mais do que os homens, mas os homens também, tanto podiam estar distorcidos devido a gritos e esgares de dor como agora devido ao prazer e à alegria. Havia uma excitação forçada na cena... mas estes pensamentos, bem como muitos outros, eles não esperavam partilhar com mais ninguém.
Na outra ponta da sala - se alguém realmente a visse por entre tanta gente desejosa de atrair o olhar -, Harriet era uma mancha em pastel. Como num quadro impressionista ou num tuque fotográfico ela parecia uma rapariga diluída no ambiente que a rodeava.
Ela sabia que o olhar de afastamento observador dele espelhava o seu. Calculou que o ar de humor dele era forçado. Ele tecia mentalmente comentários semelhantes acerca dela: ela parecia não gostar daquelas festas tal como ele. Ambos haviam descoberto quem o outro era.


Doris Lessing, O Quinto Filho

no time

© Tracey Emin

alfabeto

E é para eliminarhosis, uma degenerativa aflição
Na qual toda a identidade é forçada à remissão.
Pamela convenceu-se que a sua existência era ficção
E criou em si uma edição de bolso, uma transformação.


Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas

lassitude poética

Os pacientes mostram-se preocupados e introspectivos. São frequentemente encontrados a vaguear pelo campo e pelos baluartes montanhosos, admirando pequenas flores. Em muitos casos, sentem-se atraídos pela água e podem ser surpreendidos fitando com olhos límpidos um charco ou uma presa. Alguns pacientes podem vestir-se de forma excêntrica e passar dias estendidos numa chaise-longue suspirando apenas. O consumo de drogas e álcool acompanha frequentemente a Lassitude Poética, o que apenas serve para complicar os sintomas e dificultar ainda mais o diagnóstico. Tipicamente, a doença pode manifestar-se através de afirmações oblíquas. No famoso caso de John Clarke, em 1979, a vítima terá dito: «Continuo convicto de que longos passeios de ociosidade são essenciais à criatividade.» A única actividade positiva dos pacientes durante os estádios primário e secundário da doença é escrevinhar, e por vezes recitar, versos. O exame de tais obras é por si próprio esgotante e pode conduzir a infecção cruzada. O seu conteúdo pode ser bastante forte, quando compreensível. O paciente pode procurar outras vítimas da doença, ou pode fazer com que esta se manifeste em casos de pacientes mais próximos ou susceptíveis e anteriormente assintomáticos. No estado terciário da Lassitude Poética, o paciente torna-se totalmente inútil enquanto pessoa e ser humano, um fardo para os recursos de amigos e familiares, e causa de insolvência para os seus editores. Incapaz de se alimentar, acaba por ser apenas capaz de se vestir, arranjar o cabelo, e talvez aplicar um mínimo de maquilhagem em torno dos olhos. Todo este processo pode levar horas, até que com um langoroso suspiro o paciente simplesmente expira ou desvanece. Em Inglaterra, onde os poetas mortos são muito mais valiosos do que os vivos, o espólio literário que possa ter deixado poderá tornar-se subitamente numa fonte de rendimento para credores ansiosos que esperam ser reembolsados. É, porém, escassa compensação para a angústia e incómodos que os seus sintomas provocaram nas demais pessoas ao longo da sua curta e miserável existência.


Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas

doença de lovecraft

A Doença de Lovecraft começa por ser do foro psicológico mas, invariavelmente, consome o corpo e provoca terríveis mutações físicas. Os doentes em estado terminal acabam por se afogar no mar. Se estas mortes são suicídios conscientes ou meros acidentes resultantes da psicopatia da fase avançada da doença, ainda está por explicar. A particularidade destas mortas se darem sempre no mar intriga os especialistas. Algumas pistas (que talvez levantes mais perguntas do que dão respostas) podem ser encontradas na análise de sintomas e da história da própria enfermidade. Os corpos destes infelizes suicidas nunca são recuperados.

Sintomas:

. Despertar em praias desertas onde são arrastados para as águas
. Banhos nocturnos no oceano e sensação de estarem a ser observados do fundo (quando tentam fugir, são perseguidos)
. Visitações a antigas cidades submersas de onde não conseguem sair (as extravagantes descrições das ruínas coincidem em arquitecturas com ângulos não euclidianos)
. Chamamentos (irresístiveis) vindos do abismo
. Perseguição por horrendas criaturas subaquáticas (alguns pacientes relataram descrições de sexo explícito, nem sempre forçado, com homens/mulheres-peixe.

A segunda fase de DeL pode levar meses, anos ou décadas a desenvolver-se. Esta fase é caracterizada por terríveis alterações físicas: a pele dos doentes adquire tonalidade acizentada e a zona da barriga descolora. Os pêlos caem em madeixas e, ao toque, os corpos tornam-se húmidos. As costas, ombros e pernas, talvez devido a inquinações epidérmicas, adquirem uma textura quebradiça, soltando películas calcificadas de epiderme semelhantes a escamas. O rosto é das partes mais afectadas: os beiços incham, dando a ideia que fronte e queixo recuam, e os olhos esbugalham-se, ficando constantemente aguados e raramente pestanejando. Os pescoços dos doentes adquirem dobras de tal maneira pronunciadas que alguns relatos as comparam a guelras. Também as cordas vocais são afectadas, ficando as vozes tão guturais que só os familiares mais próximos as percebem, parecendo a estranhos que os doentes balbuciam sem sentido.


Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas

as desgraças cá da graça

Cá na Graça toda a gente pensa que a vida é uma coisa muito triste que aconteça o que acontecer as coisas caminham para pior que não há bem que sempre dure que o pior ainda está para vir e que a gente está sempre lixada já a minha avó que Deus tem coitadinha quando alguém dizia que Deus lhe tinha mandado uma desgraça dizia logo Não te queixes de Deus que se não houvesse Deus havia outra coisa qualquer para te lixar

(...)


In A Mosca, 19 Outubro 1974

Luís de Sttau Monteiro, A Guidinha Antes e Depois

civilização na graça

Não há nada como a gente ler os jornais para andar à moda e crescer depressa sim porque isto cá na Graça está velho como burro e quem manda é a velharia que ainda vive como se vivia no tempo do rei D. Afonso Henriques que era aquele que andava de espada na cintura para o caso de encontrar mouros na rua mas é claro que não se pode viver assim e que isto não é vida para ninguém e que se a gente não muda isto daqui a pouco os turistas deixam de vir à Graça e lá se vai o pilim que a gente ganha com o turismo quem fica a perder com isso é o sr. Lopes coitadinho que fuma cigarros feitos de beatas e que anda sempre atrás de estrangeiros para apanhar as beatas deles porque diz que elas têm um gostinho bestial que disfarça bestialmente o gosto dos cigarros pois eu resolvi ler os jornais para modernizar a Graça e fazer que ela fique como Lisboa que é uma cidade grande e bestial tão boa como as que há lá fora mas que é portuguesa para conseguir isso fui à paragem dos eléctricos que vão para a Baixa que é o sítio onde as pessoas deitam fora os jornais que compram para ler na viagem mas não julguem que é fácil apanhar lá jornais não é não senhor eu para arranjar alguns tive de andar à pancada com o filho da mulher das castanhas que está lá de serviço todo o dia a arranjar papel para a Mãe embrulhar as castanhas um jornal que dava muito gosto às castanhas era o Diário de Lisboa mas agora têm uma maneira nova de o fazer que não dá gosto nenhum palavra que é preciso não ter respeito nenhum pelos amadores de castanhas enfim fui até lá e consegui dois ou três jornais para ver como era a vida nos lugares mais bestiais de Lisboa a primeira notícia que vi foi uma duns que queimaram uma rapariga com pontas de cigarros por ela ter dois namorados ena pai que se esses dos cigarros vierem à Graça queimar as raparigas que têm dois namorados têm trabalho até ao fim da vida e nunca mais têm de dar os nomes no desemprego eu conheço uma que até tem quatro sim senhor quatro um que se chama António outro que se chama João outro que se chama Manuel e outro que é careca mas não sei o nome dele enfim como isso de queimar as pessoas que namoram muito fica bem às grandes cidades resolvi queimar um que anda cá chamado Alberto que não namora ninguém mas que é parvo esse Alberto é já a quarta vez que não me dá um rebuçado apesar de andar sempre com os bolsos cheios e por isso merece umas queimaduras e até merece ser afogado mas isso aqui na Graça é muito difícil porque o lago está à vista de toda a gente e se calhar é proibido afogar pessoas digo isto porque nesta terra é tudo proibido de maneira que os proibidores também são capazes de já ter proibido afogar pessoas enfim chamei a minha amiga Crista que é muito boa para estas coisas porque diz sempre que sim a tudo o que eu quero fazer expliquei-lhe que o meu plano de queimar pessoas para modernizar a Graça e fomos ambas à caça de beatas o pior foi que encontrámos logo o sr. Lopes que começou aos berros a dizer que não tínhamos o direito de andar às beatas porque ele é que fumava não eramos nós e que os cigarros fazem cancros mais isto e mais aquilo para o acalmar tivemos de lhe explicar que não queríamos as beatas para fumar que só as queríamos para queimar o Alberto e ele lá se calou a olhar para nós como se nunca tivesse visto ninguém e depois fugiu pela rua acima o taradinho que quem o visse até era capaz de julgar que eramos polícias mas isso é natural porque aqui a Graça anda muito atrasada e as pessoas ainda não sabem a diferença entre ser moderna e ser antiga enfim em menos de meia hora apanhámos uma data de beatas o sítio melhor é à porta da igreja porque como é proibido fumar la dentro os homens que la chegam a fumar tem de deitar os cigarros fora e alguns chegam a deitar fora os cigarros muito aproveitáveis o que é pena é irem tão poucos homens à igreja aqui na Graça é o que eu digo a Graça anda bestialmente atrasada em tudo até mesmo nestas coisas de religião que tanta falta fazem a quem precisa de beatas depois como o Alberto anda na escola primária sim porque apesar de já ter doze anos o palerma ainda não conseguiu tirar a quarta classe fomos até lá e escondemo-nos atrás do muro à espera de que acabassem as aulas e escondemos os cigarros daí a um bocado apareceu o Alberto e eu chamei-o e mostrei-lhe um rebuçado que tinha pedido emprestado à Crista a ver se ele vinha e ele como é burro que nem uma porta veio logo a correr e a Crista disse-lhe Abre a boca e fecha os olhos e o palerma obedeceu é claro que lhe meti logo na boca um cigarrinho aceso que foi uma limpeza e ele fechou a boca queimou-se mas é bem feito porque só um burro é que fecha a boca com um cigarro aceso lá dentro e desatou aos berros que nem um doido começámos a fazer-lhe festas e a perguntar o que é que ele tinha e se não tinha gostava dos rebuçados de fogo sim porque se há rebuçados de licor porque é que não há de haver rebuçados de fogo? e dissemos-lhe que o melhor era ele sentar-se até aquilo lhe passar e com isto e com aquilo levámo-lo até a ao degrau duma porta eu pus-lhe outra beata debaixo do sim senhor de maneira que quando ele se sentou deu outro berro e outro salto sem razão nenhuma que essa beata até era americana e os cigarros americanos são bestialmente chiques e levou a mão ao sim senhor a ver o que é que tinha e enfiei-lhe outro cigarro na mão e ele sem saber o que era apertou-a e deu um berro tão grande que ouve quem o ouvisse é claro que as pessoas que o ouviram vieram logo a correr ver o que estava a acontecer sim porque aqui na Graça as pessoas são bestialmente bisbilhoteiras e querem saber tudo o que se passa nessa altura eu e a Crista resolvemos ir-nos embora por a graça já está suficientemente civilizada para um dia e fomos mesmo no meio disto tudo o Alberto sofreu um bocado lá isso é verdade mas para haver civilização alguém tem de sofrer e antes ele que eu.


In A Mosca, 23 Janeiro 1972

Luís de Sttau Monteiro, A Guidinha Antes e Depois

the eye has to travel



Diana Vreeland: The Eye Has to Travel, 2011

hands / these things that dust in words


Tilly Losch in Her Dance of the Hands, Norman Bel Geddes, 1930-33

«because the hands have so much
intelligence, it's important to confuse
them now and then»

Tom Waits


e dizia também o Nava que as mãos são de qualquer corpo a coroa.


(este é um post cheio de mãos)

a eternidade

TALHANTE  A prisão é uma prova. O tempo amadurece-te e passa.

RAPARIGA  O tempo nunca fica mais curto. É enorme, à minha frente - como a eternidade. Será que é a eternidade?

TALHANTE  Isso é muito triste, não ajuda. Pensa assim, tens uma pessoa que te acorda de manhã e que partilha a cela contigo. Dia e noite. Mesmo quando dormes ela está lá.


Rainer Werner Fassbinder, Sangue no pescoço do gato

um manicómio para a loucura, uma prisão para a solidão

dentro da gente

MULHER - (...) Mas acredite nisto que eu lhe digo, as pessoas aguentam muita coisa. Somos capazes de suportar tanta coisa, até quando achamos que não vamos conseguir, depois acontece a vida continua mesmo que dentro da gente tenha morrido qualquer coisa. Estou sempre a dizer isto, a dor também faz parte da vida. Não há nada a fazer. Podemos lutar contra isso, claro, mas depois acabamos por perceber, a certa altura, que a vida foi inútil! Gastaram-se forças que podiam ter sido mais úteis noutras coisas.


Rainer Werner Fassbinder, Sangue no pescoço do gato

dê lá por onde der

RAPARIGA - (...) É claro que uma pessoa apesar de tudo tem de se adaptar. Dê lá por onde der. Disso ninguém se safa. Atenção, adaptar-se não quer dizer pores-te logo a pensar de uma maneira diferente daquela que costumas pensar. Para te adaptares começas por reprimir os pensamentos. É como com os sonhos ou com os desejos, é possível a gente viver na sociedade, a sociedade até nos pode oferecer uma ou outra coisa. Tens é de saber ao que vais renunciar. Não se pode ter tudo, é óbvio. E se se pudesse também era demais, não era? No fundo, sabes, tu és responsável por tudo, se levantas a mão, és responsável por isso, ou quando falas, és responsável. És responsável por tudo.


Rainer Werner Fassbinder, Sangue no pescoço do gato

poemário daqui

A. M. Pires Cabral Abel Neves Adília Lopes Adolfo Casais Monteiro Agustina Bessa-Luís Al Berto Albano Martins Alberto Pimenta Alexandra Malheiro Alexandre Nave Alexandre O'Neill Alice Turvo Alice Vieira Almada Negreiros Ana C. Ana Caeiro Ana Cristina César Ana Duarte Ana Hatherly Ana Luísa Amaral Ana Marques Gastão Ana Paula Inácio Ana Salomé Ana Tinoco André Tomé Andreia C. Faria Angélica Freitas Ângelo de Lima Aníbal Fernandes António Botto António Dacosta António Franco Alexandre António Gancho António Gedeão António Gregório António José Forte António Manuel Pires Cabral António Maria Lisboa António Mega Ferreira António Osório António Pedro António Quadros Ferro António Ramos Pereira António Ramos Rosa António Rebordão Navarro António Reis António S. Ribeiro Armando Baptista-Bastos Armando Silva Carvalho Artur do Cruzeiro Seixas Bénédicte Houart Bruno Béu Bruno Sousa Villar Camilo Castelo Branco Carlos Alberto Machado Carlos de Oliveira Carlos Eurico da Costa Carlos Mota de Oliveira Carlos Soares Casimiro de Brito Catarina Nunes de Almeida Cesário Verde Cláudia R. Sampaio Cruzeiro Seixas Daniel Faria Daniel Filipe David Mourão-Ferreira David Teles Pereira Delfim Lopes Dulce Maria Cardoso Eastwood da Silva Egito Gonçalves Ernesto Sampaio Eugénio de Andrade Eugénio Lisboa Fernando Assis Pacheco Fernando Esteves Pinto Fernando Lemos Fernando Pessoa Fernando Pinto do Amaral Fiama Hasse Pais Brandão Filipa Leal Filipe Homem Fonseca Florbela Espanca Frederico Pedreira gil t. sousa Golgona Anghel Gonçalo M. Tavares Helder Moura Pereira Helena Carvalho Helga Moreira Hélia Correia Henrique Manuel Bento Fialho Henrique Risques Pereira Herberto Hélder Inês Dias Inês Fonseca Santos Inês Lourenço Isabel Meyrelles Joana Serrado João Almeida João Bénard da Costa João Cabral de Melo Neto João Camilo João Damasceno João Ferreira Oliveira João Habitualmente João Luís Barreto Guimarães João Manuel Ribeiro João Pacheco João Pereira Coutinho João Rodrigues João Vasco Coelho Joaquim Manuel Magalhães Joaquim Pessoa Jorge de Sena Jorge Gomes Miranda Jorge Melícias Jorge Roque Jorge Sousa Braga José Agostinho Baptista José Alberto Oliveira José Amaro Dionísio José António Franco José Cardoso Pires José Carlos Barros José Carlos Soares José Efe José Gomes Ferreira José Manuel de Vasconcelos José Mário Silva José Miguel Silva José Ricardo Nunes José Rui Teixeira José Saramago José Sebag José Tolentino Mendonça Judith Teixeira Leitão de Barros Luís Miguel Nava Luís Quintais Luiza Neto Jorge Mafalda Gomes Manuel A. Domingos Manuel António Pina Manuel Cintra Manuel da Silva Ramos Manuel de Castro Manuel de Freitas Manuel Fúria Manuel Gusmão Marcelino Vespeira Margarida Vale de Gato Maria Ângela Alvim Maria Azenha Maria do Rosário Pedreira Maria Gabriela Llansol Maria João Lopes Fernandes Maria Judite de Carvalho Maria Keil Maria Sousa Maria Teresa Horta Maria Velho da Costa Mário Cesariny Mário Contumélias Mário de Sá-Carneiro Mário Quintana Mário Rui de Oliveira Mário-Henrique Leiria Marta Chaves Matilde Campilho Miguel Cardoso Miguel Martins Miguel Sousa Tavares Miguel Torga Miguel-Manso Nuno Araújo Nuno Bragança Nuno Júdice Nuno Moura Nuno Ramos Nuno Travanca Paulo José Miranda Pedro Jordão Pedro Mexia Pedro Oom Pedro Santo Tirso Pedro Sena-Lino Pedro Tamen Piedade Araujo Sol Raquel Nobre Guerra Raul de Carvalho Regina Guimarães Reinaldo Ferreira Renata Correia Botelho Ricardo Adolfo Rosa Alice Branco Rui Almeida Rui Baião Rui Caeiro Rui Cóias Rui Costa Rui Knopfli Rui Manuel Amaral Rui Nunes Rui Pedro Gonçalves Rui Pires Cabral Rute Mota Ruy Belo Ruy Cinatti Ruy Ventura Samuel Úria Sandra Costa Sebastião Alba Sílvio Mendes Soares de Passos Sofia Crespo Sofia Leal Sophia de Mello Breyner Andresen Teixeira de Pascoaes Teresa Balté Tiago Gomes valter hugo mãe Vasco Gato Vasco Graça Moura Vítor Nogueira Yvette K. Centeno

poemário dali

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