I will keep broken things
I will keep
Broken
Things:
The big clay
Pot
With raised
Iguanas
Chasing
Their
Tails;
Two
Of their
Wise
Heads
Sheared
Off;
I will keep
Broken
things:
The old
Slave
Market
Basket
Brought
To my
Door
By Mississippi
A jagged
Hole
Gouged
In its sturdy
Dark
Oak
Side.
I will keep
Broken
things:
The memory
Of
Those
Long
Delicious
Nig ht
Swims
With
You;
I will keep
Broken
things:
In my house
There
Remains
An
Honored
Shelf
On which
I will
Keep
Broken
Things.
Their beauty
Is
They
Need
Not
Ever
Be
'fixed.'
I will keep
Your
Wild
Free
Laughter
Thoug h
It is now
Missing
Its
Reassuring
And
Gra ceful
Hinge.
I will keep
Broken
Things:
Thank you
So much!
I will keep
Broken
Things.
I will keep
You:
Pilgrim
Of
Sorrow.
I will keep
Myself.
Alice Walker
Broken
Things:
The big clay
Pot
With raised
Iguanas
Chasing
Their
Tails;
Two
Of their
Wise
Heads
Sheared
Off;
I will keep
Broken
things:
The old
Slave
Market
Basket
Brought
To my
Door
By Mississippi
A jagged
Hole
Gouged
In its sturdy
Dark
Oak
Side.
I will keep
Broken
things:
The memory
Of
Those
Long
Delicious
Nig ht
Swims
With
You;
I will keep
Broken
things:
In my house
There
Remains
An
Honored
Shelf
On which
I will
Keep
Broken
Things.
Their beauty
Is
They
Need
Not
Ever
Be
'fixed.'
I will keep
Your
Wild
Free
Laughter
Thoug h
It is now
Missing
Its
Reassuring
And
Gra ceful
Hinge.
I will keep
Broken
Things:
Thank you
So much!
I will keep
Broken
Things.
I will keep
You:
Pilgrim
Of
Sorrow.
I will keep
Myself.
Alice Walker
A minha madrasta era mais baixa do que eu; chegava-me um tudo nada mais acima do ombro. Tinha o cabelo preto e puxado, a menina do olho um pouco verde. E o cantinho do olho acabava num leque de linhas finas. Tinha-as também nos dois lados da testa e em cada ângulo da boca. Como uma velhinha. Nos dias em que andava preocupada porque tinha de pôr o vaso na janela, diante da cortina, as linhas vincavam-se e ficavam um pouco mais escuras.
Quando nos sentávamos no degrau da entrada eu gostava de ver as unhas dos pés dela: tinha-as bem colocadas sobre a carne e pareciam de vidro. Às vezes o sol salpicava-as de cores. Tinham todas as que se vêem depois da chuva entre uma montanha e outra fazendo um arco no céu.
(...)
Era gulosa: bebia a água da fonte fazendo uma concha com as mãos e, antes de a encher, esfregava as mãos com erva-doce.
Um dia apanhei-a a comer uma abelha. Quando se deu conta de que eu olhava cuspiu-a e disse que a abelha é que se tinha metido na boca dela. Mas eu sabia que ela comia abelhas. Escolhia as que tinham bebido mais suco de glicínia e mantinha-as vivas durante algum tempo dentro da boca. Antes de as engolir, deixava-as brincar.
(...)
e disse-me que saíra da aldeia porque preferia o calor amplo ao calor apertado entre muros e entre casas. Perguntou-me do que gostava eu mais, se do dia ou da noite... As mãos voltaram a transpirar e esfreguei a palma das mãos no tronco de madeira que fazia de varanda e era áspero, e disse-lhe que não sabia mas que quando era muito pequeno, embora a noite me metesse medo, gostava mais dela do que do dia porque com a claridade as coisas viam-se demasiado e havia coisas muito feias e disse-lhe então que eu tinha vindo porque a vira partir e que a seguira e que um homem olhara para mim numa janela e que eu sentira medo... ela disse-me que o medo não era nada... perguntou-me se eu tinha reparado que havia dois medos: um a sério e outro a fingir. Ela tivera um medo a sério: o medo das mãos porque as mãos agarram. E o medo a fingir do meu medo do homem que olhara para mim da janela porque de dentro não se podia fazer mal algum...
(...)
Assim que acordávamos ela contava-me o que vira enquanto dormia e uma noite vira que um dedo dela se transformara em lagarta e da ponta saía uma borboleta vermelha e assim que nascia morria logo. Outra noite tinha visto que as abelhas faziam uma coroa sobre a cabeça dos cavalos, e os cavalos viviam com uma coroa de abelhas, e depois as abelhas tinham feito uma coroa sobre a cabeça dos velhos e, quando os velhos matavam os cavalos, os cavalos e os velhos tinham coroas de abelhas. E outra noite vira um monte de olhos de cavalo e chegavam os de luto e apanhavam-nos com o bico e levavam-nos voando muito alto e quando já não podiam subir mais alto largavam os olhos de cavalo em cima do rio e a água levava-os e passavam pelos lavadouros e as mulheres diziam, olhem, estão a passar umas coisas brilhantes...
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
Quando nos sentávamos no degrau da entrada eu gostava de ver as unhas dos pés dela: tinha-as bem colocadas sobre a carne e pareciam de vidro. Às vezes o sol salpicava-as de cores. Tinham todas as que se vêem depois da chuva entre uma montanha e outra fazendo um arco no céu.
(...)
Era gulosa: bebia a água da fonte fazendo uma concha com as mãos e, antes de a encher, esfregava as mãos com erva-doce.
Um dia apanhei-a a comer uma abelha. Quando se deu conta de que eu olhava cuspiu-a e disse que a abelha é que se tinha metido na boca dela. Mas eu sabia que ela comia abelhas. Escolhia as que tinham bebido mais suco de glicínia e mantinha-as vivas durante algum tempo dentro da boca. Antes de as engolir, deixava-as brincar.
(...)
e disse-me que saíra da aldeia porque preferia o calor amplo ao calor apertado entre muros e entre casas. Perguntou-me do que gostava eu mais, se do dia ou da noite... As mãos voltaram a transpirar e esfreguei a palma das mãos no tronco de madeira que fazia de varanda e era áspero, e disse-lhe que não sabia mas que quando era muito pequeno, embora a noite me metesse medo, gostava mais dela do que do dia porque com a claridade as coisas viam-se demasiado e havia coisas muito feias e disse-lhe então que eu tinha vindo porque a vira partir e que a seguira e que um homem olhara para mim numa janela e que eu sentira medo... ela disse-me que o medo não era nada... perguntou-me se eu tinha reparado que havia dois medos: um a sério e outro a fingir. Ela tivera um medo a sério: o medo das mãos porque as mãos agarram. E o medo a fingir do meu medo do homem que olhara para mim da janela porque de dentro não se podia fazer mal algum...
(...)
Assim que acordávamos ela contava-me o que vira enquanto dormia e uma noite vira que um dedo dela se transformara em lagarta e da ponta saía uma borboleta vermelha e assim que nascia morria logo. Outra noite tinha visto que as abelhas faziam uma coroa sobre a cabeça dos cavalos, e os cavalos viviam com uma coroa de abelhas, e depois as abelhas tinham feito uma coroa sobre a cabeça dos velhos e, quando os velhos matavam os cavalos, os cavalos e os velhos tinham coroas de abelhas. E outra noite vira um monte de olhos de cavalo e chegavam os de luto e apanhavam-nos com o bico e levavam-nos voando muito alto e quando já não podiam subir mais alto largavam os olhos de cavalo em cima do rio e a água levava-os e passavam pelos lavadouros e as mulheres diziam, olhem, estão a passar umas coisas brilhantes...
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
Por vezes, quando estava na cama e não conseguia adormecer, eu pensava que gostaria de fazer o senhor de cima cair, sobretudo no inverno, quando tudo estava nevado, ou ajudar as raízes a puxar as casas para cima, ou passear os cavalos na Maraldina, onde nunca tinha ido... Com os olhos fechados pensava em coisas assim até que adormecia. A última coisa que eu ouvia era o rio que ia descalçando as pedras que sustinham a aldeia, enquanto toda a gente descansava com os olhos fechados.
(...)
Senti maior angústia que a angústia que me metiam os que dormem.
Senti medo da aldeia, tão quieta lá em baixo, com as casas cheias de adormecidos.
(...)
As pernas é que nos aproximavam dos outros e sem as pernas tudo viveria mais separado e pensei nisto das pernas porque sentia medo.
(...)
ia pensando em coisas em que já tinha pensado outras vezes: que as pessoas estão fechadas e que se vão abrindo quando nos aproximamos delas. E sem querer abri a boca bem aberta para entender aquilo e fechei-a lentamente porque uma boca aberta mete-me sempre medo.
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
(...)
Senti maior angústia que a angústia que me metiam os que dormem.
Senti medo da aldeia, tão quieta lá em baixo, com as casas cheias de adormecidos.
(...)
As pernas é que nos aproximavam dos outros e sem as pernas tudo viveria mais separado e pensei nisto das pernas porque sentia medo.
(...)
ia pensando em coisas em que já tinha pensado outras vezes: que as pessoas estão fechadas e que se vão abrindo quando nos aproximamos delas. E sem querer abri a boca bem aberta para entender aquilo e fechei-a lentamente porque uma boca aberta mete-me sempre medo.
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
À luz das fogueiras todos os homens e todas as mulheres eram parecidos. De dia eram muito diferentes porque havia altos e baixos e magros e gordos e alguns tinham mais cabelo do que outros ou o nariz mais largo ou mais comprido e os olhos de cores diferentes. Mas à luz das fogueiras todos eram parecidos.
(...)
Perto das canas onde eu estava escondido, afastadas do lume, sujas e despenteadas, havia algumas mulheres sentadas no chão e com os olhos vendados: eram as grávidas. Tapavam-lhes os olhos para que ao olharem para os outros homens as crianças que levavam no ventre não olhassem também para eles e se fossem parecendo com eles; porque diziam que as mulheres se apaixonavam por todos os homens e, há quanto mais tempo estivessem grávidas, mais depressa se apaixonavam.
(...)
Bebiam a sopa do mesmo prato. comiam em irmandade. Os homens sem rosto, numa outra mesa, na margem do rio. Os homens sem nariz ou com a testa comida ou sem orelha, podiam sentar-se à mesa de todos e viver como toda a gente vivia. Mas os homens sem rosto queriam estar sós.
(...)
Mas morriam tal como os outros: ao vivo e com a boca cheia de cimento até ao ventre.
(...)
As grávidas levantaram-se para dançar. Dançavam sozinhas como se cada uma estivesse plantada num buraco. E para poderem dançar elas próprias cantavam. Inclinavam a cabeça até ao peito, levantavam-na para o alto, deitavam-na para trás e giravam como se toda a vida tivessem de girar daquela forma entre as sombras e chamas, sem homem e sós, com o vetre todo para a frente e despenteadas. Com todo o ventre para a frente, que já se desgarrava por dentro.
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
(...)
Perto das canas onde eu estava escondido, afastadas do lume, sujas e despenteadas, havia algumas mulheres sentadas no chão e com os olhos vendados: eram as grávidas. Tapavam-lhes os olhos para que ao olharem para os outros homens as crianças que levavam no ventre não olhassem também para eles e se fossem parecendo com eles; porque diziam que as mulheres se apaixonavam por todos os homens e, há quanto mais tempo estivessem grávidas, mais depressa se apaixonavam.
(...)
Bebiam a sopa do mesmo prato. comiam em irmandade. Os homens sem rosto, numa outra mesa, na margem do rio. Os homens sem nariz ou com a testa comida ou sem orelha, podiam sentar-se à mesa de todos e viver como toda a gente vivia. Mas os homens sem rosto queriam estar sós.
(...)
Mas morriam tal como os outros: ao vivo e com a boca cheia de cimento até ao ventre.
(...)
As grávidas levantaram-se para dançar. Dançavam sozinhas como se cada uma estivesse plantada num buraco. E para poderem dançar elas próprias cantavam. Inclinavam a cabeça até ao peito, levantavam-na para o alto, deitavam-na para trás e giravam como se toda a vida tivessem de girar daquela forma entre as sombras e chamas, sem homem e sós, com o vetre todo para a frente e despenteadas. Com todo o ventre para a frente, que já se desgarrava por dentro.
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
(...) aquela tristeza que as paredes tinham por se
tornarem velhas quando as pessoas as deixavam sozinhas. E o que ele me
disse das coisas era verdade: envelheciam a toda a pressa quando ficavam
sozinhas, mas quando estavam bem acompanhadas pelas pessoas demoravam
mais e faziam-se velhas de uma forma muito diferente, como se em vez de
ficarem feias se tornassem bonitas.
(...)
Os pássaros vinham sempre do lado da montanha partida. Os de luto eram os primeiros a chegar. Iam direitos ao prado dos cavalos e passavam lá o dia a voar e a piar. No dia seguinte caíam sobre as casas, perseguiam-se, voavam muito alto e desciam fazendo um grande barulho. Eram negros de penas e de bico e tinham o cantinho do olho mais negro ainda com um círculo muito branco. As penas da cauda e as penas das asas separavam-se: quando voavam quase que se podia contá-las. Elevavam-se poupo a pouco e de repente começavam a dar voltas furiosas, com as patas incrustadas no ventre, bem esticadas para trás, como se as tivessem perdido.
(...)
No pátio, debaixo das glicínias que já não tinham flores, abriam-se ainda algumas flores que não tinham sabido florescer a tempo. Eram flores com pouca cor, escondidas entre as folhas,. Às vezes um vento destapava-as um nadinha, como se tivesse vergonha de as pôr à vista.
(...)
A flor branca era igual à flor vermelha: só eram diferentes na cor. Tinham cinco folhas pequenas e cinco folhas maiores debaixo das pequenas: no centro nascia-lhes um raminho de fios amarelos que acabavam num disco. Eram flores de todo o ano. Quando uma murchava, em seguida saía uma nova de dentro da que tinha morrido: a morte puxava pela viva, Verão e Inverno, sem cessar.
(...)
As Montanhas Roxas pareciam ao alcance da mão, mas estavam muito longe, cinzentas no Inverno e azuis na Primavera porque mudavam de cor e não se sabia de que cor eram; tão diferentes da Meraldina, de um verde-escuro que ficava sarapintado de um roxo que atirava para o rosa quando as urzes floresciam.
(...)
E não nos fomos enquanto não nos pareceu que éramos árvores, porque nas plantas dos pés sentíamos nascer e crescer raízes de frio de geada que nos atavam ao lugar em que estávamos.
De vez em quando caía neve de um ramo como se o ramo tivesse respirado.
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
(...)
Os pássaros vinham sempre do lado da montanha partida. Os de luto eram os primeiros a chegar. Iam direitos ao prado dos cavalos e passavam lá o dia a voar e a piar. No dia seguinte caíam sobre as casas, perseguiam-se, voavam muito alto e desciam fazendo um grande barulho. Eram negros de penas e de bico e tinham o cantinho do olho mais negro ainda com um círculo muito branco. As penas da cauda e as penas das asas separavam-se: quando voavam quase que se podia contá-las. Elevavam-se poupo a pouco e de repente começavam a dar voltas furiosas, com as patas incrustadas no ventre, bem esticadas para trás, como se as tivessem perdido.
(...)
No pátio, debaixo das glicínias que já não tinham flores, abriam-se ainda algumas flores que não tinham sabido florescer a tempo. Eram flores com pouca cor, escondidas entre as folhas,. Às vezes um vento destapava-as um nadinha, como se tivesse vergonha de as pôr à vista.
(...)
A flor branca era igual à flor vermelha: só eram diferentes na cor. Tinham cinco folhas pequenas e cinco folhas maiores debaixo das pequenas: no centro nascia-lhes um raminho de fios amarelos que acabavam num disco. Eram flores de todo o ano. Quando uma murchava, em seguida saía uma nova de dentro da que tinha morrido: a morte puxava pela viva, Verão e Inverno, sem cessar.
(...)
As Montanhas Roxas pareciam ao alcance da mão, mas estavam muito longe, cinzentas no Inverno e azuis na Primavera porque mudavam de cor e não se sabia de que cor eram; tão diferentes da Meraldina, de um verde-escuro que ficava sarapintado de um roxo que atirava para o rosa quando as urzes floresciam.
(...)
E não nos fomos enquanto não nos pareceu que éramos árvores, porque nas plantas dos pés sentíamos nascer e crescer raízes de frio de geada que nos atavam ao lugar em que estávamos.
De vez em quando caía neve de um ramo como se o ramo tivesse respirado.
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
Então tirei a roupa, deixei-a ao pé dum lódão junto à pedra do louco e, antes de me meter na água, olhei bem para a cor que o céu projectava nela, e toda a luz que o sol lhe dava era diferente porque tinha começado a Primavera que nascia outra vez depois de ter vivido debaixo da terra e dentro dos ramos... Entrei na água muito lentamente e sem me atrever a respirar, porque tinha sempre medo, quando entrava no mundo da água, de que o ar, liberto do estorvo que eu era, ficasse furioso e, convertido em vento, soprasse tão forte como soprava no Inverno, que quase levava as casas, as árvores e as pessoas.
(...)
Quando descíamos da Maraldina com os sacos ao ombro, o vento, que nos empurrava para baixo quando subíamos, empurrava-nos para cima. Quer subíssemos quer descêssemos, empurrava-nos sempre, como se nos pusesse as largas mãos no peito. E os velhos contavam que o vento da Maraldina, acocorado entre os matagais quando não havia ninguém na serra, era um vento carregado de almas que davam voltas pela serra somente para fazerem com que o vento fosse mais forte quando chegava a hora de ir buscar o pó, para tornar o nosso trabalho mais pesado e para nos dizer que tudo aquilo que fazíamos melhor seria não tê-lo feito, porque não servia para nada. E como as almas não tinham boca, diziam-nos aquilo com a voz do vento.
(...)
O vento da Meraldina não era como o outro vento. Não era um vento que ia e vinha, era um vento de sempre, um vento cansado e raivoso por ter de correr sem parar para cima e para baixo pelas urzes. Quando subia, o vento arrancava arbustos e deixava-os um bocado no ar e eram como manchas da luz. Assim que os primeiros homens desceram à gruta, começaram a ouvir-se os gritos. Quase não havia pó. E um homem disse que gritar não servia para nada. Que só servia para pôr as almas contentes. Disse-lhes que se calassem, que não sabiam o que estavam a dizer, que as almas de todos os enterrados sem nome se riam ao ver que eles gritavam e que ele as ouvia rir.
(...)
De noite ouvia-se o gemido do rio debaixo das camas como se fosse um gemido da terra e tivesse de levar tudo de rastos, como se tudo tivesse de ir com a água. Mas não. A aldeia ficava e só fugia a água escondida. Entrava lisa e saía louca de espumaradas pelo tempo que tivera de viver às escuras. Como se tivesse medo de ficar fechada.
(...)
A seguir à ponte o caminho era a descer. Quando eu era pequeno, aquele caminho levava-me inteirinho, mais vazio do que um precipício, porque o precipício mete medo e faz-nos parar mas quando é a descer cala-se e leva-nos. Numa descida encontraram-se o homem e a sombra e nunca mais se separaram. E fizeram a aldeia.
A aldeia nascera de uma grande mágoa da terra. E a montanha partira-se e caíra no rio, esparramada.
Não no fundo duma encosta, mas sim sobre a terra e as pedras despenhadas, uma noite de luar deixou duas sombras que se uniram pela boca. E choveu sangue. E assim começou tudo.
(...)
A água da Fonte da Jonquilha tinha de ser filtrada. Tinha vermes pequenos que se enroscavam e desenroscavam muito depressa. E se se metiam dentro duma pessoa, para conseguirem sair dela esburacavam os ossos, as veias e a pele. Assim que saíam ficavam mortos porque não podiam viver sem água.
(...)
E no último dia, e porque era cedo, fomo-nos sentar no relógio de sol e dali ouvíamos o vento e ela disse que não era o vento que ouvíamos, mas sim a dor dos mortos.
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
(...)
Quando descíamos da Maraldina com os sacos ao ombro, o vento, que nos empurrava para baixo quando subíamos, empurrava-nos para cima. Quer subíssemos quer descêssemos, empurrava-nos sempre, como se nos pusesse as largas mãos no peito. E os velhos contavam que o vento da Maraldina, acocorado entre os matagais quando não havia ninguém na serra, era um vento carregado de almas que davam voltas pela serra somente para fazerem com que o vento fosse mais forte quando chegava a hora de ir buscar o pó, para tornar o nosso trabalho mais pesado e para nos dizer que tudo aquilo que fazíamos melhor seria não tê-lo feito, porque não servia para nada. E como as almas não tinham boca, diziam-nos aquilo com a voz do vento.
(...)
O vento da Meraldina não era como o outro vento. Não era um vento que ia e vinha, era um vento de sempre, um vento cansado e raivoso por ter de correr sem parar para cima e para baixo pelas urzes. Quando subia, o vento arrancava arbustos e deixava-os um bocado no ar e eram como manchas da luz. Assim que os primeiros homens desceram à gruta, começaram a ouvir-se os gritos. Quase não havia pó. E um homem disse que gritar não servia para nada. Que só servia para pôr as almas contentes. Disse-lhes que se calassem, que não sabiam o que estavam a dizer, que as almas de todos os enterrados sem nome se riam ao ver que eles gritavam e que ele as ouvia rir.
(...)
De noite ouvia-se o gemido do rio debaixo das camas como se fosse um gemido da terra e tivesse de levar tudo de rastos, como se tudo tivesse de ir com a água. Mas não. A aldeia ficava e só fugia a água escondida. Entrava lisa e saía louca de espumaradas pelo tempo que tivera de viver às escuras. Como se tivesse medo de ficar fechada.
(...)
A seguir à ponte o caminho era a descer. Quando eu era pequeno, aquele caminho levava-me inteirinho, mais vazio do que um precipício, porque o precipício mete medo e faz-nos parar mas quando é a descer cala-se e leva-nos. Numa descida encontraram-se o homem e a sombra e nunca mais se separaram. E fizeram a aldeia.
A aldeia nascera de uma grande mágoa da terra. E a montanha partira-se e caíra no rio, esparramada.
Não no fundo duma encosta, mas sim sobre a terra e as pedras despenhadas, uma noite de luar deixou duas sombras que se uniram pela boca. E choveu sangue. E assim começou tudo.
(...)
A água da Fonte da Jonquilha tinha de ser filtrada. Tinha vermes pequenos que se enroscavam e desenroscavam muito depressa. E se se metiam dentro duma pessoa, para conseguirem sair dela esburacavam os ossos, as veias e a pele. Assim que saíam ficavam mortos porque não podiam viver sem água.
(...)
E no último dia, e porque era cedo, fomo-nos sentar no relógio de sol e dali ouvíamos o vento e ela disse que não era o vento que ouvíamos, mas sim a dor dos mortos.
Mercè Rodoreda, A Morte e a Primavera
DOMINGO DE LISBOA
Uma palavra branca
No arco retesado deste dia,
Um alvoroço de pureza
Uma ameaça de sonho e poesia.
Apetece sair, seguir, sondar
O segredo das pedras e dos passos
Nelas amortecidos.
O Tejo esplende entre navios.
Lisboa é boa e matinal;
Flutuam barcos, casarios
Na mesma onda musical.
Celeste archeiro
Dirige a desferida seta.
Caia redonda a nossa angústia.
Hoje é domingo. Vida quieta.
João Maia, 20 Anos de Poesia Portuguesa, Círculo de Poesia, Moraes Editores
No arco retesado deste dia,
Um alvoroço de pureza
Uma ameaça de sonho e poesia.
Apetece sair, seguir, sondar
O segredo das pedras e dos passos
Nelas amortecidos.
O Tejo esplende entre navios.
Lisboa é boa e matinal;
Flutuam barcos, casarios
Na mesma onda musical.
Celeste archeiro
Dirige a desferida seta.
Caia redonda a nossa angústia.
Hoje é domingo. Vida quieta.
João Maia, 20 Anos de Poesia Portuguesa, Círculo de Poesia, Moraes Editores
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poemário daqui
A. M. Pires Cabral
Abel Neves
Adília Lopes
Adolfo Casais Monteiro
Agustina Bessa-Luís
Al Berto
Albano Martins
Alberto Pimenta
Alexandra Malheiro
Alexandre Nave
Alexandre O'Neill
Alice Turvo
Alice Vieira
Almada Negreiros
Américo António Lindeza Diogo
Ana Bessa Carvalho
Ana C.
Ana Caeiro
Ana Cristina César
Ana Duarte
Ana Hatherly
Ana Luísa Amaral
Ana Marques Gastão
Ana Martins Marques
Ana Paula Inácio
Ana Salomé
Ana Tecedeiro
Ana Teresa Pereira
Ana Tinoco
André Tomé
Andreia C. Faria
Angélica Freitas
Ângelo de Lima
Aníbal Fernandes
António Amaral Tavares
António Botto
António Dacosta
António Franco Alexandre
António Gancho
António Gedeão
António Gregório
António José Forte
António Manuel Pires Cabral
António Maria Lisboa
António Mega Ferreira
António Osório
António Pedro
António Quadros Ferro
António Ramos Pereira
António Ramos Rosa
António Rebordão Navarro
António Reis
António S. Ribeiro
Armando Baptista-Bastos
Armando Silva Carvalho
Artur do Cruzeiro Seixas
Bénédicte Houart
Bruno Béu
Bruno Sousa Villar
Camilo Castelo Branco
Camilo Pessanha
Carlos Alberto Machado
Carlos Bessa
Carlos de Oliveira
Carlos Eurico da Costa
Carlos Mota de Oliveira
Carlos Poças Falcão
Carlos Soares
Casimiro de Brito
Catarina Nunes de Almeida
Cesário Verde
Cláudia R. Sampaio
Cruzeiro Seixas
Daniel Faria
Daniel Filipe
David Mourão-Ferreira
David Teles Pereira
Delfim Lopes
Dulce Maria Cardoso
Eastwood da Silva
Eduarda Chiote
Egito Gonçalves
Ernesto Sampaio
Eugénio de Andrade
Eugénio Lisboa
Fernando Assis Pacheco
Fernando Esteves Pinto
Fernando Lemos
Fernando Pessoa
Fernando Pinto do Amaral
Fiama Hasse Pais Brandão
Filipa Leal
Filipe Homem Fonseca
Florbela Espanca
Frederico Pedreira
gil t. sousa
Golgona Anghel
Gonçalo M. Tavares
Helder Moura Pereira
Helena Carvalho
Helga Moreira
Hélia Correia
Henrique Manuel Bento Fialho
Henrique Risques Pereira
Herberto Hélder
Inês Dias
Inês Fonseca Santos
Inês Lourenço
Isabel Meyrelles
Joana Morais Varela
Joana Serrado
João Almeida
João Bénard da Costa
João Cabral de Melo Neto
João Camilo
João Damasceno
João Ferreira Oliveira
João Habitualmente
João Luís Barreto Guimarães
João Maia
João Manuel Ribeiro
João Miguel Henriques
João Pacheco
João Pereira Coutinho
João Rodrigues
João Vasco Coelho
Joaquim Manuel Magalhães
Joaquim Pessoa
Jorge Carrera Andrade
Jorge de Sena
Jorge Gomes Miranda
Jorge Melícias
Jorge Roque
Jorge Sousa Braga
José Agostinho Baptista
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José Carlos Soares
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José Gomes Ferreira
José Manuel de Vasconcelos
José Mário Silva
José Miguel Silva
José Pascoal
José Ricardo Nunes
José Rui Teixeira
José Saramago
José Sebag
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Judith Teixeira
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Leonor Castro Nunes
Luís Miguel Nava
Luís Quintais
Luiza Neto Jorge
Madalena de Castro Campos
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Manuel A. Domingos
Manuel António Pina
Manuel Cintra
Manuel da Silva Ramos
Manuel de Castro
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Maria João Lopes Fernandes
Maria Judite de Carvalho
Maria Keil
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Pedro Tamen
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