Late night and rain wakes me, a downpour,
wind thrashing in the leaves, huge
ears, huge feathers,
like some chased animal, a giant
dog or wild boar. Thunder & shivering
windows; from the tin roof
the rush of water.
I lie askew under the net,
tangled in damp cloth, salt in my hair.
When this clears there will be fireflies
& stars, brighter than anywhere,
which I could contemplate at times
of panic. Lightyears, think of it.
Screw poetry, it’s you I want, your taste, rain
on you, mouth on your skin.
Margaret Atwood
perigosamente
Às vezes
perigosamente
as veias coagulam
Não percebem:
viver é uma hemorragia calculada
Ana Hatherly
perigosamente
as veias coagulam
Não percebem:
viver é uma hemorragia calculada
Ana Hatherly
E teria talvez valido a pena
deter-se nas pulsações daquela dor de cabeça
Deter-se
Forçar o lugar do pó, as palavras
apertar o medo, romper a margem
Regressar ao dia de hoje
Ela era uma mulher que comia apreensiva num
restaurante
Vivia mais lentamente
Era como estar longe sem mudar de lugar
Estou cheia de paredes
Fotografias guardadas numa caixa de charutos
É Segunda-Feira
Tinha um penteado que lhe cobria as orelhas
E cheirava sempre a lírios
O que é que recordo?
Para quê pensar-me?
Também isto passará
Glória Gervitz, Poemas, trad. de Rosa Alice Branco
Deter-se
Forçar o lugar do pó, as palavras
apertar o medo, romper a margem
Regressar ao dia de hoje
Ela era uma mulher que comia apreensiva num
restaurante
Vivia mais lentamente
Era como estar longe sem mudar de lugar
Estou cheia de paredes
Fotografias guardadas numa caixa de charutos
É Segunda-Feira
Tinha um penteado que lhe cobria as orelhas
E cheirava sempre a lírios
O que é que recordo?
Para quê pensar-me?
Também isto passará
Glória Gervitz, Poemas, trad. de Rosa Alice Branco
Have you ever been in love?
Do I find entertainment?
Is it worthwhile?
Above all, does it pay?
If not, then, is there a reason?
I write only because
There is a voice within me
That will not be still.
Sylvia Plath
Is it worthwhile?
Above all, does it pay?
If not, then, is there a reason?
I write only because
There is a voice within me
That will not be still.
Sylvia Plath
EM TEMPOS DE PESTILÊNCIA
gargalhar publicamente numa prisão fronteiriça -
os loucos moram cá dentro
Raquel Nobre Guerra
os loucos moram cá dentro
Raquel Nobre Guerra
a dor
A dor não me pertence.
Vive fora de mim, na natureza,
livre como a electricidade.
Corre nas veias do ar,
atrai os abismos,
curva os pinheiros.
E em certos momentos de penumbra
iguala-me à paisagem,
Surge nos meus olhos
presa a um pássaro a morrer
no céu indiferente.
José Gomes Ferreira
Vive fora de mim, na natureza,
livre como a electricidade.
Corre nas veias do ar,
atrai os abismos,
curva os pinheiros.
E em certos momentos de penumbra
iguala-me à paisagem,
Surge nos meus olhos
presa a um pássaro a morrer
no céu indiferente.
José Gomes Ferreira
para que te doa sempre um pouco mais
O que me comove, passado tanto
tempo, é perceber que fiz a esse disco
o mesmo que faço e volto a fazer
aos corpos que julgo amar:
parti-los, muito devagar, para
que doam sempre um pouco mais.
Manuel de Freitas, Beau Séjour
tempo, é perceber que fiz a esse disco
o mesmo que faço e volto a fazer
aos corpos que julgo amar:
parti-los, muito devagar, para
que doam sempre um pouco mais.
Manuel de Freitas, Beau Séjour
Folks, I’m telling you,
birthing is hard
and dying is mean—
so get yourself
a little loving
in between.
Langston Hughes
and dying is mean—
so get yourself
a little loving
in between.
Langston Hughes
se eu fosse um vídeo
let the rain exalt us / as the night draws in / winds howl around us / as we begin / what a way to start a fire / broken with the break of day
o diabo ganiu de fúria quando me viu,
baixou a cabeça cem metros e encarou-me
pequeno e insignificante. por momentos,
não fez nada. reparei nos mutilados que me
traziam instrumentos de corte quando alguém me
ateou o fogo. depois, ele disse,
podes começar por oferecer os pulmões à
fome dos outros. no inferno
não se respira
e eu usei a afaga
para furar a pele e abrir caminho entre as
costelas. com a própria mão retirei
os pulmões e estendi-os no chão, pequenos,
fatiados
valter hugo mãe, folclore íntimo
pequeno e insignificante. por momentos,
não fez nada. reparei nos mutilados que me
traziam instrumentos de corte quando alguém me
ateou o fogo. depois, ele disse,
podes começar por oferecer os pulmões à
fome dos outros. no inferno
não se respira
e eu usei a afaga
para furar a pele e abrir caminho entre as
costelas. com a própria mão retirei
os pulmões e estendi-os no chão, pequenos,
fatiados
valter hugo mãe, folclore íntimo
Sempre amei por palavras muito mais
do que devia
são um perigo
as palavras
quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada
e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos
um perigo
as palavras
Alice Vieira
são um perigo
as palavras
quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada
e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos
um perigo
as palavras
Alice Vieira
Chegaste
com a tua tesoura de jardineiro
e começaste a cortar:
umas folhas aqui e ali
uns ramos
que não doeram...
Eu estava desprevenida
quando arrancaste a raiz.
Yvette Centeno
e começaste a cortar:
umas folhas aqui e ali
uns ramos
que não doeram...
Eu estava desprevenida
quando arrancaste a raiz.
Yvette Centeno
não duvides meu amor
Não duvides - meu amor - o gato sabe-o.
Os gatos sabem-no sempre, mesmo que nunca ninguém lhes confesse o quanto doem os dias de amor mal temperado.
Acredita, eles sabem e, por isso, falam com a janela mais silenciosa da casa, deixam de alimentar a horas o corpo de pêlos tão ternos.
Os gatos sabem-no e são os únicos animais que sentem da mesma forma que nós, que amam pessoas com nomes mais ou menos possíveis.
E nós somos para os gatos - quando eles nos amam - o parapeito de onde podem observar em segurança os dias menos cinzentos do ano.
O amor não é inútil. Só os gatos o sabem.
David Teles Pereira
Os gatos sabem-no sempre, mesmo que nunca ninguém lhes confesse o quanto doem os dias de amor mal temperado.
Acredita, eles sabem e, por isso, falam com a janela mais silenciosa da casa, deixam de alimentar a horas o corpo de pêlos tão ternos.
Os gatos sabem-no e são os únicos animais que sentem da mesma forma que nós, que amam pessoas com nomes mais ou menos possíveis.
E nós somos para os gatos - quando eles nos amam - o parapeito de onde podem observar em segurança os dias menos cinzentos do ano.
O amor não é inútil. Só os gatos o sabem.
David Teles Pereira
se eu fosse um vídeo
I've got memories / I keep them away from me /
they won't behave / won't be what I want 'em to be
Suspensa daquela linha
que não consigo parar
de ler
e reler
e voltar a ler
Aquela linha
além da qual não consigo passar
Suspensa daquela meia dúzia
de palavras
que custo a entender
- ou finjo
quando na verdade
são tudo o que sei
Winnie Meisler
de ler
e reler
e voltar a ler
Aquela linha
além da qual não consigo passar
Suspensa daquela meia dúzia
de palavras
que custo a entender
- ou finjo
quando na verdade
são tudo o que sei
Winnie Meisler
neguei-te
Às vezes, nos momentos trágicos, já não é contigo que eu deparo - é com outro ser que assiste sempre, como um espectador, a todos os meus exageros. Deitavas-te comigo, levantavas-te comigo, ferrada como um punhal - e não existias. Neguei-te. Expliquei-te. Reduzi-te às tuas verdadeiras proporções - e tu não existias! Atormentaste-me e fizeste-me sofrer mesmo quando já compreendera que não existias. E agora mesmo, quando o universo é outro universo, ainda encarniças sobre em mim como um fantasma.
Escusas de te rir - tu não existes.
Raul Brandão
Escusas de te rir - tu não existes.
Raul Brandão
demasiado tarde
Que a vida nos oferece pessoas para no-las arrebatar pouco a pouco é coisa que aprendemos sempre demasiado tarde.
Antonio Sáez Delgado
Antonio Sáez Delgado
o velho expresso da patagónia
- A vingança não altera o que foi feito. Nem o perdão. Vingança e perdão são irrelevantes.
- Que se pode fazer, então?
- Esquecer - disse Borges -, isso é tudo quanto se pode fazer. Quando me fazem mal, finjo que aconteceu há muito tempo, e a outra pessoa qualquer.
- E funciona?
- Mais ou menos - mostrou os seus dentes amarelos -, mais para menos do que para mais.
Paul Theroux
- Que se pode fazer, então?
- Esquecer - disse Borges -, isso é tudo quanto se pode fazer. Quando me fazem mal, finjo que aconteceu há muito tempo, e a outra pessoa qualquer.
- E funciona?
- Mais ou menos - mostrou os seus dentes amarelos -, mais para menos do que para mais.
Paul Theroux
primeiro é ver diferente
Amar é ver diferente.
Depois fica-se cego.
Mas primeiro é ver diferente.
Gonçalo M. Tavares
Depois fica-se cego.
Mas primeiro é ver diferente.
Gonçalo M. Tavares
o minuto certo do amor
Dizia-te do minuto certo. Do minuto certo do amor. Dizia-te que queria olhar para os teus olhos e ter a certeza que pensavas em mim. Que me pensavas por dentro. Que era eu a tua fantasia, o teu banco de trás. O teu desconforto de calças caídas, de pernas caídas, da rua que não estava fechada porque nenhuma rua se fecha para o amor. Na cidade do meu sono, havia palmeiras onde alguns repetiam charros e putas e atiravam pedras ao rio. Mas eu nunca gostei de clichés. Nem de quartos de hotel. Nem de camas que não conheço. Eu nunca abri as pernas no liceu. Nunca abri as pernas aos dezassete anos, de cigarro na mão. Eu nunca me comovi com o sonho de ser tua. Eu nunca quis que ficasses, entendes? Que viesses. Queria que quisesses de mim esse minuto certo, essa rua húmida de ser norte. Queria que me quisesses certa, exacta, como o minuto onde me pudesses encontrar. Eu nunca quis de ti uma continuidade. Mas um alívio, uma noção de ser gente, entendes? Eu nunca quis de ti o sonho do sono ou da viagem. Nunca te pedi o pequeno-almoço, a ternura. Nunca te disse que me abraçasses por trás, que adormecesses. Eu nunca quis que me desses casa e filhos e lógica. Que me convidasses para dançar. Queria os teus olhos a fecharem-se comigo por dentro e tu por dentro de mim.
Queria de ti um minuto. Um minuto.
Filipa Leal
Queria de ti um minuto. Um minuto.
Filipa Leal
Digo:
Os dias são todos de morrer.
Nenhuma das memórias que tenho de ti
sabe negar essa evidência.
José Rui Teixeira
Nenhuma das memórias que tenho de ti
sabe negar essa evidência.
José Rui Teixeira
sometimes
my head didn’t grow no more
after I stopped growing
but the memories multiplied,
so I must assume they are now in my belly,
in my thighs and in my shins. one walking archive,
my ordered disorder, a storage room weighting down
an overloaded ship.
sometimes I want to lie down on a bench at the park:
it would then change my status
from lost inside to lost outside.
words begin to abandon me
like rats from a sinking ship.
the last word is captain.
Yehuda Amichai
after I stopped growing
but the memories multiplied,
so I must assume they are now in my belly,
in my thighs and in my shins. one walking archive,
my ordered disorder, a storage room weighting down
an overloaded ship.
sometimes I want to lie down on a bench at the park:
it would then change my status
from lost inside to lost outside.
words begin to abandon me
like rats from a sinking ship.
the last word is captain.
Yehuda Amichai
Eles amputaram
As tuas coxas das minhas ancas.
Tanto quanto sei
São todos cirurgiões. Todos eles.
Eles desmantelaram-nos
Um ao outro.
Tanto quanto sei
São todos engenheiros. Todos eles.
Que pena. Éramos uma invenção
Tão boa e amável.
Um aeroplano feito de um homem e de uma mulher.
Com asas e tudo.
Pairávamos ligeiramente por cima da terra.
Até voávamos um pouco.
Yehuda Amichai
Tanto quanto sei
São todos cirurgiões. Todos eles.
Eles desmantelaram-nos
Um ao outro.
Tanto quanto sei
São todos engenheiros. Todos eles.
Que pena. Éramos uma invenção
Tão boa e amável.
Um aeroplano feito de um homem e de uma mulher.
Com asas e tudo.
Pairávamos ligeiramente por cima da terra.
Até voávamos um pouco.
Yehuda Amichai
um poema cruel
eles continuam a escrever
a despejar poemas –
jovens rapazes e professores universitários
mulheres que bebem vinho toda a tarde
enquanto os maridos trabalham,
eles continuam a escrever
com os mesmos nomes nas mesmas revistas
cada ano a escreverem pior,
publicam colectâneas de poesia
e despejam mais poemas
parece um concurso
é um concurso
mas o prémio é invisível.
eles não escrevem nem contos nem ensaios
nem romances
apenas
despejam poemas
todos parecidos com os dos outros
e cada vez menos originais,
e alguns dos rapazes cansam-se e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho toda a tarde
nunca, mas mesmo nunca, desistem
e chegam outros rapazes com novas revistas
e há troca de cartas entre poetas e poetisas
alguns chegam a foder
e tudo é exagerado e aborrecido.
quando os poemas saem
eles reescrevem-nos
e enviam-nos para a próxima revista na lista,
e fazem leituras
todas as que conseguem fazer
a maior parte de borla
na esperança que alguém repare neles
que alguém os aplauda
lhes reconheça o talento
os felicite
eles estão convencidos da sua genialidade
há muito poucas dúvidas,
e muitos vivem no Grande Porto ou Grande Lisboa,
e as suas caras são como os poemas que escrevem:
semelhantes,
e conhecem-se uns aos outros e
reúnem e odeiam e admiram e escolhem e expulsam
e continuam a despejar mais poemas
mais e mais poemas
mais e mais poemas
o concurso dos pasmados:
tap tap tap, tap tap, tap tap tap, tap tap…
Charles Bukowski, trad. Manuel A. Domingos
a despejar poemas –
jovens rapazes e professores universitários
mulheres que bebem vinho toda a tarde
enquanto os maridos trabalham,
eles continuam a escrever
com os mesmos nomes nas mesmas revistas
cada ano a escreverem pior,
publicam colectâneas de poesia
e despejam mais poemas
parece um concurso
é um concurso
mas o prémio é invisível.
eles não escrevem nem contos nem ensaios
nem romances
apenas
despejam poemas
todos parecidos com os dos outros
e cada vez menos originais,
e alguns dos rapazes cansam-se e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho toda a tarde
nunca, mas mesmo nunca, desistem
e chegam outros rapazes com novas revistas
e há troca de cartas entre poetas e poetisas
alguns chegam a foder
e tudo é exagerado e aborrecido.
quando os poemas saem
eles reescrevem-nos
e enviam-nos para a próxima revista na lista,
e fazem leituras
todas as que conseguem fazer
a maior parte de borla
na esperança que alguém repare neles
que alguém os aplauda
lhes reconheça o talento
os felicite
eles estão convencidos da sua genialidade
há muito poucas dúvidas,
e muitos vivem no Grande Porto ou Grande Lisboa,
e as suas caras são como os poemas que escrevem:
semelhantes,
e conhecem-se uns aos outros e
reúnem e odeiam e admiram e escolhem e expulsam
e continuam a despejar mais poemas
mais e mais poemas
mais e mais poemas
o concurso dos pasmados:
tap tap tap, tap tap, tap tap tap, tap tap…
Charles Bukowski, trad. Manuel A. Domingos
lost
I've lost my notebook.
I've lost a poem.
It was a great one.
It was eleven pages long.
It was about my father saying he couldn't hear me.
It was about the X I cut into the back of my hand.
It was about seeing yet another friend on heroin.
It was about that little boy kicking that bird to death.
It was about the four leaf clover someone sent me.
It was about the time I could not stop sleeping.
It was about mailing anonymous hate letters.
It was about finding bruises all over my legs.
It was about the bartender who wouldn't let me pay.
It was about trying to find the cool spot on the pillow.
It was about the lipstick I stole from a girl's medicine cabinet.
It was about seeing my favorite poet shake when she gave a reading.
It was about the tape I ripped out of someone's answering machine.
It was about the friend who banged on my door and I did not let her in.
It was about watching MTV after school and wondering if I'd look like that when i grow up.
It was about my mother lying on the kitchen floor and the dog licking her face.
It was about what happened when I forgot how much Milk my boyfriend liked in his coffee.
It was about the time I read someone's diary and ripped out the pages about me.
It was about going to the bus station and not knowing where I was going.
It was about coming in late from a movie and kissing through the credits.
It was about the car I could not drive.
It was about the party when no one came.
It was about the last time you touched me.
It was about the way you walked away.
It was the best thing I've ever written.
It was everything I wanted to say.
I've lost my notebook.
I've lost a poem.
Nicole Blackman
I've lost a poem.
It was a great one.
It was eleven pages long.
It was about my father saying he couldn't hear me.
It was about the X I cut into the back of my hand.
It was about seeing yet another friend on heroin.
It was about that little boy kicking that bird to death.
It was about the four leaf clover someone sent me.
It was about the time I could not stop sleeping.
It was about mailing anonymous hate letters.
It was about finding bruises all over my legs.
It was about the bartender who wouldn't let me pay.
It was about trying to find the cool spot on the pillow.
It was about the lipstick I stole from a girl's medicine cabinet.
It was about seeing my favorite poet shake when she gave a reading.
It was about the tape I ripped out of someone's answering machine.
It was about the friend who banged on my door and I did not let her in.
It was about watching MTV after school and wondering if I'd look like that when i grow up.
It was about my mother lying on the kitchen floor and the dog licking her face.
It was about what happened when I forgot how much Milk my boyfriend liked in his coffee.
It was about the time I read someone's diary and ripped out the pages about me.
It was about going to the bus station and not knowing where I was going.
It was about coming in late from a movie and kissing through the credits.
It was about the car I could not drive.
It was about the party when no one came.
It was about the last time you touched me.
It was about the way you walked away.
It was the best thing I've ever written.
It was everything I wanted to say.
I've lost my notebook.
I've lost a poem.
Nicole Blackman
four days
Henry and I are one, lying soldered for four days. Not with bodies but with flames. God, let me thank somebody. No drug could be more potent. Such a man. He has sucked my life into his body as I have sucked his. This is the apotheosis of my life. Henry, Louveciennes, solitude, summer heat, quivering smells, chanting breezes, and, within us, tornadoes and exquisite calms… The next day I run about the house cooking. Suddenly I love cooking, for Henry. I cook richly, with infinite care. I enjoy seeing him eat, eating with him. We sit in the garden, in our pajamas, drunk on the air, the caresses of the swaying trees, the songs of birds, attentive dogs licking our hands. Henry’s desire is always coursing. I am ploughed, open. At night, books, talk, passion. As he pours his passion into me I feel that I become beautiful. I show him a hundred faces. He watches me. It all passes like a procession, up to this morning’s climax, before he leaves me, when he sees a burnt face, heavy, sensual, Moorish. There was a storm last night. Marble-sized hail. Sea fury of the trees. Henry sits in an armchair and asks, "Are we going to read Spengler now?" He sits purring like a cat. He has the yawn of a tiger, all the jungle cries of contentment. His voice vibrates in his stomach. I have put my head there and listened, as against an organ. I am lying on the bed. I wear a lace dress, nothing else, because it gives him pleasure to look at me. "Now," he says, "you look like an Ingres." I cannot bear the space between us. I sit on the floor. He caresses my hair. He gives me winged kisses on the eyes. He is all tenderness, thoughtfulness."
Anaïs Nin, Henry and June
Anaïs Nin, Henry and June
epitaph for my heart
«Du bonheur à l'état pur, brut, natif, volcanique, quel pied! C'était mieux que tout, mieux que la drogue, mieux que l'héro, mieux que la dope, coke, crack, fitj, joint, shit, shoot, snif, pét', ganja, marie-jeanne, cannabis, beuh, péyotl, buvard, acide, LSD, extasy. Mieux que le sexe mieux que la fellation, soixante-neuf, partouze, masturbation, tantrisme, kama-sutra, brouette thaïlandaise. Mieux que le Nutella au beurre de cacahuète et le milk-shake banane. Mieux que toutes les trilogies de George Lucas, l'intégrale des muppets-show, la fin de 2001. Mieux que le déhanché d'Emma Peel, Marilyn, la schtroumpfette, Lara Croft, Naomi Campbell et le grain de beauté de Cindy Crawford. Mieux que la face B d'Abbey Road, les solos d'Hendrix, le petit pas de Neil Armstrong sur la lune. Le space-mountain, la ronde du Père-Noël, la fortune de Bill Gates, les transes du dalaï-lama, les NDE, la résurrection de Lazare, toutes les piquouzes de testostérone de Schwarzy, le collagène dans les lèvres de Pamela Anderson. Mieux que Woodstock et les rave-party les plus orgasmiques. Mieux que la défonce de Sade, Rimbaud, Morisson et Castaneda. Mieux que la liberté. Mieux que la vie...»
Jeux d'enfants, Yann Samuell, 2003
Jeux d'enfants, Yann Samuell, 2003
entre os dentes segura a primavera
quem não vacila mesmo derrotado / quem já perdido nunca desespera / e envolto em tempestade, decepado / entre os dentes segura a primavera
He loved to sleep late,
while she would be awakened by the passing of coal barges, by foghorns, and by the heavy traffic over the bridge. So she would dress quietly and she would run to the cafe at the corner and return with coffee and buns to surprise him on awakening. "How human you are, Djuna, how warm and human…" "But what did you expect me to be?" "Oh, you look as if the very day you were born you took one look at the world and decided to live in some region between heaven and earth which the Chinese call the Wise Place."
Anaïs Nin, The Four-Chambered Heart
Anaïs Nin, The Four-Chambered Heart
um corpo
Aos poucos um corpo, como diz o outro,
vai ficando sozinho, bate com as portas,
recua e recua. Quando dá por isso,
já não sabe dançar, conta as estações
pela volta do correio. Assim se começa
a olhar para trás, por cima do ombro,
pegando nas coisas pelo lado mais fraco.
Pagamos o preço de querer dissecar,
fibra por fibra, em prol da ciência,
o músculo baixo, descoordenado,
a que chamamos ai coração ai.
José Miguel Silva
vai ficando sozinho, bate com as portas,
recua e recua. Quando dá por isso,
já não sabe dançar, conta as estações
pela volta do correio. Assim se começa
a olhar para trás, por cima do ombro,
pegando nas coisas pelo lado mais fraco.
Pagamos o preço de querer dissecar,
fibra por fibra, em prol da ciência,
o músculo baixo, descoordenado,
a que chamamos ai coração ai.
José Miguel Silva
acrobacias
sentados em Trafalgar Square
no intervalo de amigos
com o tempo entre as mãos
treinávamos o nosso inglês
num inquérito de revista
com Francis Bacon na capa
que perguntava:
qual dos membros
- superiores ou inferiores -
preferíamos perder
(esta ablação em língua estrangeira
tornava-se indolor, quase anestesiada)
respondeste: os braços
as pernas conservá-las-ias
como a liberdade de poder andar
respondi: as pernas
não queria ver-me
impedida de abraçar.
Assim juntando as nossas
perdas
eu abraço-me a ti
e peço-te anda, mostra-me o mundo
e quando nos cansarmos
abraçar-me-ás, então, com as pernas
e eu
andarei com os braços.
Ana Paula Inácio
no intervalo de amigos
com o tempo entre as mãos
treinávamos o nosso inglês
num inquérito de revista
com Francis Bacon na capa
que perguntava:
qual dos membros
- superiores ou inferiores -
preferíamos perder
(esta ablação em língua estrangeira
tornava-se indolor, quase anestesiada)
respondeste: os braços
as pernas conservá-las-ias
como a liberdade de poder andar
respondi: as pernas
não queria ver-me
impedida de abraçar.
Assim juntando as nossas
perdas
eu abraço-me a ti
e peço-te anda, mostra-me o mundo
e quando nos cansarmos
abraçar-me-ás, então, com as pernas
e eu
andarei com os braços.
Ana Paula Inácio
Van Gogh cut off his ear
gave it to a
prostitute
who flung it away in
extreme
disgust.
Charles Bukowski
prostitute
who flung it away in
extreme
disgust.
Charles Bukowski
Eu sonhava que estava a dormir.
Naturalmente, não me deixava enganar, sabendo que estava acordado, até à altura em que, ao despertar, me lembrei que estava a dormir. Naturalmente, não me deixava enganar, até à altura em que, ao adormecer, me lembrei de que tinha acabado de despertar de um sono em que sonhava estar a dormir. Naturalmente, não me deixava enganar, até à altura em que, perdendo toda a fé, me pus com raiva a morder os dedos, perguntando-me apesar do crescente sofrimento se de facto estava a morder os dedos, por não saber se estava desperto ou adormecido e sonhando que estava desesperado por não saber se estava a dormir ou se apenas... e perguntando-me se...
Henri Michaux, O Retiro pelo Risco
Henri Michaux, O Retiro pelo Risco
Agora é tarde sobre a terra cercada.
Por planícies ficou o desespero,
a dor lilás dos homens soçobrados
na paciência nocturna.
Só depois do terror os cães ladram fielmente
aos portais da manhã, só
após o gume das vidas partilhadas.
Passei a vida a fugir para a tua boca, e
confundo já o teu rosto
com um qualquer.
Rui Cóias
a dor lilás dos homens soçobrados
na paciência nocturna.
Só depois do terror os cães ladram fielmente
aos portais da manhã, só
após o gume das vidas partilhadas.
Passei a vida a fugir para a tua boca, e
confundo já o teu rosto
com um qualquer.
Rui Cóias
poetry is colder than death
a poesia protege-te
dispõe-se em ti como uma árvore a guardar uma paisagem
circunda-te de torres que deixam ver o céu.
não temas pois o cerco
que o horizonte alarga-se por entre as portas
em cada pedra cada tábua começa um poema
se guião ou guardião não sabemos
pronuncia apenas as palavras
na língua o vendaval
e há quem diga que morre desprotegido
há quem diga que a palavra volta ao mundo
latente
sacrificada
em nome das matérias que luzem menos
para se fazer da tábua a pedra
da casa o poema.
André Tomé
dispõe-se em ti como uma árvore a guardar uma paisagem
circunda-te de torres que deixam ver o céu.
não temas pois o cerco
que o horizonte alarga-se por entre as portas
em cada pedra cada tábua começa um poema
se guião ou guardião não sabemos
pronuncia apenas as palavras
na língua o vendaval
e há quem diga que morre desprotegido
há quem diga que a palavra volta ao mundo
latente
sacrificada
em nome das matérias que luzem menos
para se fazer da tábua a pedra
da casa o poema.
André Tomé
se eu fosse um vídeo
I've been a bad bad girl / I've been careless with a delicate man / and it's a sad sad world / when a girl will break a boy / just because she can
Tal como os bifes,
é sempre bom fraccionar o grande Tudo
em pequenos, nutritivos nadas:
cabem melhor na boca,
digerem-se melhor, dão melhores fezes.
A. M. Pires Cabral
em pequenos, nutritivos nadas:
cabem melhor na boca,
digerem-se melhor, dão melhores fezes.
A. M. Pires Cabral
ictus cordis
- É o que tu achas? Por que é que julgas que eu nunca choro?
- Tu não morres o suficiente para poder chorar.
Jack Kerouac, On the Road
- Tu não morres o suficiente para poder chorar.
Jack Kerouac, On the Road
a melhor altura do ano para cortar o cabelo
Esta é a melhor altura do ano
para cortar o cabelo – profere Sandy,
remexendo com a ponta dos dedos
alguns fiozinhos na testa.
A porra da lua atrai as marés,
cria tsunamis, invade o Japão,
provoca uma crise nuclear,
porque é que não haveria de fazer
crescer o cabelo?
Deus puxa os poetas pelos cabelos, explica Hölderlin - acrescento então,
preocupada com a importância literária do assunto.
Mas, para ter a certeza,
quis perguntar a um especialista,
isto é, a qualquer uma das mulheres
que estavam agora a fazer fila
à entrada do Ginásio Clube Português
como os grandes bandos de antílopes Impala
à beira de um pântano,
num documentário na Animal Planet.
Quis dizer-lhes que o dinheiro, a idade não contam,
que amanhã é outro dia,
mas depois lembrei-me dos terramotos,
da crise nuclear, do IVA,
e fiquei calada.
Golgona Anghel, Vim Porque Me Pagavam
para cortar o cabelo – profere Sandy,
remexendo com a ponta dos dedos
alguns fiozinhos na testa.
A porra da lua atrai as marés,
cria tsunamis, invade o Japão,
provoca uma crise nuclear,
porque é que não haveria de fazer
crescer o cabelo?
Deus puxa os poetas pelos cabelos, explica Hölderlin - acrescento então,
preocupada com a importância literária do assunto.
Mas, para ter a certeza,
quis perguntar a um especialista,
isto é, a qualquer uma das mulheres
que estavam agora a fazer fila
à entrada do Ginásio Clube Português
como os grandes bandos de antílopes Impala
à beira de um pântano,
num documentário na Animal Planet.
Quis dizer-lhes que o dinheiro, a idade não contam,
que amanhã é outro dia,
mas depois lembrei-me dos terramotos,
da crise nuclear, do IVA,
e fiquei calada.
Golgona Anghel, Vim Porque Me Pagavam
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