olha, afinal não choveu para sempre

© Jo Ann Walters

mas deixa lá

não faz mal

tentações

o botão 'delete'

lembraram-me que vivo demasiado a poesia

fiz-me desentendida e um tanto admirada mas não é novidade não

I'm not afraid of heights. I'm afraid of falling

Paris, Texas, Wim Wenders, 1984

«I... I used to make long speeches to you after you left. I used to talk to you all the time, even though I was alone. I walked around for months talking to you. Now I don't know what to say. It was easier when I just imagined you. I even imagined you talking back to me. We'd have long conversations, the two of us. It was almost like you were there. I could hear you, I could see you, smell you. I could hear your voice. Sometimes your voice would wake me up. It would wake me up in the middle of the night, just like you were in the room with me. Then... it slowly faded. I couldn't picture you anymore. I tried to talk out loud to you like I used to, but there was nothing there. I couldn't hear you. Then... I just gave it up. Everything stopped. You just... disappeared. And now I'm working here. I hear your voice all the time. Every man has your voice.»


(tenho tantas coisas para te contar)

outras pessoas do meu sitemeter

«kellogg's all bran»

há aqui qualquer coisa que não bate certo

pessoas do meu sitemeter

«de tanto bater o meu coração quase que parou»

fazia mais sentido, sim

ABC

Jamais saberei
o que A. pensava de mim.
Se B. acabou por me perdoar.
Por que razão fingia C. que tudo estava bem.
Qual a quota-parte de D. no silêncio de E.
O que esperava F. se acaso algo esperava.
Por que fingia G. sabendo de tudo.
O que tinha H. a esconder.
O que queria I. acrescentar.
Se o facto de eu estar por perto,
teve algum significado
para J. e K. e para o resto do alfabeto.

Wislawa Szymborska, trad. Teresa Swiatkiewicz

foda-se

Livra-me das tentações
de fugir ao fisco
e que em Fevereiro pague sempre
os meus impostos.
Afasta-me do supérfluo e
da vaidade e recorda-me que
um dia hei-de ter hemorróidas.
E não me deixes cair no pecado
da ideologia
para que não leve com o proletariado nas trombas.
Guia-me pelos caminhos do amor
até um centro comercial
onde o amado me acompanhará
a experimentar um a um cada vestido.
E, por último, faz com que
todo o iogurte que coma seja
— foda-se! —
de morango.


Ana Paula Inácio

destruição de propriedade emocional alheia

Olivier De Sagazan, La Demeure du Chaos, 2009

Metrónomo

Todos temos um metrónomo dentro de nós. Um instrumento que nos marca o ritmo. O tempo. Há quem diga que basta seguir o tempo certo. Que a vida se vai levando. A verdade é que Ken Chu (朱孝天) nunca foi muito bom a educação musical e começa a pagar um preço elevado. De há uns meses a esta parte o seu coração bate allegro mas os seus passos insistem em não caminhar em sinfonia. A dúvida e a angústia perseguem-no. Terá começado o acerto de contas com a infância? Ou terá apenas o metrónomo avariado?

João Ferreira Oliveira, A Sul de Nenhum Norte

ÀREA DE FUMADORES

A seta apontava para a direita e tinha escrito a caracteres bem legíveis: ÀREA DE FUMADORES.
Todas as pessoas seguiam a indicação sem hesitar, menos Li Yapeng (李亚鹏) que ficou parado a observar aquela insuspeita placa de madeira. Desassossegava-o a incorrecta colocação do acento. A frase parecia inclinar-se, sub-reptícia, para a esquerda. Como se o acento agudo puxasse as palavras para fora de si mesmas. Para outra realidade.
Li Yapeng (李亚鹏) equacionou várias possibilidades. Seria um simples erro ortográfico? Um problema geográfico? Uma premonição?
E assim teria continuado, imerso na formulação das mais variadas e inusitadas teorias, não tivesse sido interrompido por uma mulher.
- Sabe onde fica a área de fumadores? - perguntou-lhe, visivelmente desorientada.
- À esquerda - respondeu Li Yapeng (李亚鹏) sem hesitar. Tirou o maço de tabaco do bolso e seguiu-a.
Dois cigarros depois o impensável aconteceu.

João Ferreira Oliveira, A Sul de Nenhum Norte


(agora faz scroll)

attention please


já chegou. aqui

a propósito

Há livros que falam baixinho, há livros que falam alto. Uns têm por si o encanto outros a força. Às vezes as palavras murmuradas impressionam mais: passado tempo ainda acordam em nós fibras adormecidas.


Raul Brandão

diz a anne sexton

«If you put your ear close to a book, you can hear it talking to you.»

fiquei à escuta à escuta à escuta à

fire poem

© Robert Montgomery


handle with care

Things break all the time. Glass and dishes and fingernails. Cars and contracts and potato chips. You can break a record, a horse, a dollar. You can break the ice. There are coffee breaks and lunch breaks and prison breaks. Day breaks, waves break, voices break. Chains can be broken. So can silence, and fever... promises break. Hearts break.

Jodi Picoult

blew me away with knives

© Carlos Aires

finish your collapse and stay for breakfast

I felt like crying but nothing came out. It was just a sort of sad sickness, sick sad, when you can’t feel any worse. I think you know it. I think everybody knows it now and then. But I think I have known it pretty often, too often.


Charles Bukowski, Tales of Ordinary Madness

your wounds will help you, my dear

-O que é?
-Estou a pensar que ainda te amo.
-A sério? Apesar de?
-Apesar de.

Philip Roth

o espanto com que acordas e percebes que o mundo não teve o bom senso de acabar

    


But one can't build little white picket
fences to keep the nightmares out.

Anne Sexton

i you me

© Louise Bourgeois

e depois é lixívia, corrói corrói corrói

Cinema is arguably the most decadent of art forms. A group of strangers come together in a darkened room, not only to lose themselves in fantasy, but also to indulge in communal sensory stimulation. Then there is the seductive passivity of much cinematic viewing pleasure: we lie back and let images and sounds do things to our minds and bodies. We are moved to tears, we are quiveringly frightened, we are convulsed with laughter and we are turned on - all in a public place.


Isabelle McNeill, The Decadent Handbook

manifesto sobre a vida do artista

1. a conduta de vida do artista:

- o artista nunca deve mentir a si próprio ou aos outros- o artista não deve roubar ideias de outros artistas
- os artistas não devem comprometer o seu próprio nome ou comprometer-se com o mercado de arte
- o artista não deve matar outros seres humanos
- os artistas não se devem transformar em ídolos
- os artistas não se devem transformar em ídolos
- os artistas não se devem transformar em ídolos

2. a relação entre o artista e sua vida amorosa:

- o artista deve evitar apaixonar-se por outro artista
- o artista deve evitar apaixonar-se por outro artista
- o artista deve evitar apaixonar-se por outro artista

3. a relação entre o artista e o erotismo:

- o artista deve ter uma visão erótica do mundo
- o artista deve ter erotismo
- o artista deve ter erotismo
- o artista deve ter erotismo

4. a relação entre o artista e o sofrimento:

- o artista deve sofrer
- o sofrimento cria as melhores obras
- o sofrimento traz transformação
- o sofrimento leva o artista a transcender seu espírito
- o sofrimento leva o artista a transcender seu espírito
- o sofrimento leva o artista a transcender seu espírito

5. a relação entre o artista e a depressão:

- o artista nunca deve estar deprimido
- a depressão é uma doença e deve ser curada
- a depressão não é produtiva para os artistas
- a depressão não é produtiva para os artistas
- a depressão não é produtiva para os artistas

6. a relação entre o artista e o suicídio:

- o suicídio é um crime contra a vida
- o artista não deve cometer suicídio
- o artista não deve cometer suicídio
- o artista não deve cometer suicídio

7. a relação entre o artista e a inspiração:

- os artistas devem procurar a inspiração no seu âmago
- Quanto mais se aprofundarem no seu âmago, mais universais serão
- o artista é um universo
- o artista é um universo
- o artista é um universo

8. a relação entre o artista e o auto-controlo:

- o artista não deve ter auto-controlo em relação à sua vida
- o artista deve ter auto-controlo total em relação à sua obra
- o artista não deve ter auto-controlo em relação à sua vida
- o artista deve ter auto-controlo total em relação à sua obra

9. a relação entre o artista e a transparência:

- o artista deve dar e receber ao mesmo tempo
- transparência significa receptividade
- transparência significa doar
- transparência significa receber
- transparência significa receptividade
- transparência significa doar
- transparência significa receber
- transparência significa receptividade
- transparência significa doar
- transparência significa receber

10. a relação entre o artista e os símbolos:

- o artista cria os seus próprios símbolos
- os símbolos são a língua do artista
- e a língua tem que ser traduzida
- Às vezes, é difícil encontrar a chave
- Às vezes, é difícil encontrar a chave
- Às vezes, é difícil encontrar a chave

11. a relação entre o artista e o silêncio:

- o artista deve compreender o silêncio
- o artista deve criar um espaço para que o silêncio entre na sua obra
- o silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento
- o silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento
- o silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento

12. a relação entre o artista e a solidão:

- o artista deve reservar para si longos períodos de solidão
- a solidão é extremamente importante
- Longe de casa
- Longe do atelier
- Longe da família
- Longe dos amigos
- o artista deve passar longos períodos de tempo perto de cascatas
- o artista deve passar longos períodos de tempo perto de vulcões em erupção
- o artista deve passar longos períodos de tempo observando a correnteza dos rios
- o artista deve passar longos períodos de tempo contemplando a linha do horizonte onde o oceano e o céu se encontram
- o artista deve passar longos períodos de tempo admirando as estrelas no céu da noite

13. a conduta do artista em relação ao trabalho:

- o artista deve evitar ir para seu atelier todos os dias
- o artista não deve considerar o seu horário de trabalho como o de um funcionário de um banco
- o artista deve explorar a vida, e trabalhar apenas quando uma ideia se revela no sonho, ou durante o dia, como uma visão que irrompe como uma surpresa
- o artista não se deve repetir
- o artista não deve produzir em demasia
- o artista deve evitar poluir a sua própria arte
- o artista deve evitar poluir a sua própria arte
- o artista deve evitar poluir a sua própria arte

14. as posses do artista:

- os monges budistas entendem que o ideal na vida é possuir nove objectos:
1 roupão para o verão
1 roupão para o inverno
1 par de sapatos
1 pequena tigela para pedir alimentos
1 tela de protecção contra insectos
1 livro de orações
1 guarda-chuva
1 colchão para dormir
1 par de óculos se necessário
- o artista deve tomar a sua própria decisão sobre os objectos pessoais que deve ter
- o artista deve, cada vez mais, ter menos
- o artista deve, cada vez mais, ter menos
- o artista deve, cada vez mais, ter menos

15. a lista de amigos do artista:

- o artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito
- o artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito
- o artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito

16. os inimigos do artista:

- os inimigos são muito importantes
- o Dalai Lama afirmou que é fácil ter compaixão pelos amigos; porém, muito mais difícil ter compaixão pelos inimigos
- o artista deve aprender a perdoar
- o artista deve aprender a perdoar
- o artista deve aprender a perdoar

17. a morte e seus diferentes contextos:

- o artista deve ter consciência de sua mortalidade
- Para o artista, como viver é tão importante quanto como morrer
- o artista deve encontrar nos símbolos da sua obra os sinais dos diferentes contextos da morte
- o artista deve morrer conscientemente e sem medo
- o artista deve morrer conscientemente e sem medo
- o artista deve morrer conscientemente e sem medo

18. o funeral e seus diferentes contextos:

- o artista deve deixar instruções para seu próprio funeral, para que tudo seja feito segundo a sua vontade
- o funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida
- o funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida


Marina Abramović

raindrops keep falling on my head



© Bettina Von Zwehl

#2

«vem cuidar de mim / vamos ver um filme, ter dois filhos / ir ao parque / discutir caetano / planejar bobagens / e morrer de rir»

Cícero, Vagalumes Cegos

#1

«coração não é tão simples quanto pensa
nele cabe o que não cabe na despensa»

A Banda Mais Bonita da Cidade, Oração

all guns are loaded

© Tracey Emin

Vou avançar na tua direcção,

não te movas,
estou certa que não te alcanço.


Alexandra Malheiro

chamem-me sentimental

you should date a girl who reads

Date a girl who reads. Date a girl who spends her money on books instead of clothes, who has problems with closet space because she has too many books. Date a girl who has a list of books she wants to read, who has had a library card since she was twelve.

Find a girl who reads. You’ll know that she does because she will always have an unread book in her bag. She’s the one lovingly looking over the shelves in the bookstore, the one who quietly cries out when she has found the book she wants. You see that weird chick sniffing the pages of an old book in a secondhand book shop? That’s the reader. They can never resist smelling the pages, especially when they are yellow and worn.

She’s the girl reading while waiting in that coffee shop down the street. If you take a peek at her mug, the non-dairy creamer is floating on top because she’s kind of engrossed already. Lost in a world of the author’s making. Sit down. She might give you a glare, as most girls who read do not like to be interrupted. Ask her if she likes the book.

Buy her another cup of coffee.

Let her know what you really think of Murakami. See if she got through the first chapter of Fellowship. Understand that if she says she understood James Joyce’s Ulysses she’s just saying that to sound intelligent.  Ask her if she loves Alice or she would like to be Alice.

It’s easy to date a girl who reads. Give her books for her birthday, for Christmas, for anniversaries. Give her the gift of words, in poetry and in song. Give her Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Let her know that you understand that words are love. Understand that she knows the difference between books and reality but by god, she’s going to try to make her life a little like her favorite book. It will never be your fault if she does.

She has to give it a shot somehow.

Lie to her. If she understands syntax, she will understand your need to lie. Behind words are other things: motivation, value, nuance, dialogue. It will not be the end of the world.

Fail her. Because a girl who reads knows that failure always leads up to the climax. Because girls who read understand that all things must come to end, but that you can always write a sequel. That you can begin again and again and still be the hero. That life is meant to have a villain or two.

Why be frightened of everything that you are not? Girls who read understand that people, like characters, develop. Except in the Twilight series.

If you find a girl who reads, keep her close. When you find her up at 2 AM clutching a book to her chest and weeping, make her a cup of tea and hold her. You may lose her for a couple of hours but she will always come back to you. She’ll talk as if the characters in the book are real, because for a while, they always are.

You will propose on a hot air balloon. Or during a rock concert. Or very casually next time she’s sick. Over Skype.

You will smile so hard you will wonder why your heart hasn’t burst and bled out all over your chest yet. You will write the story of your lives, have kids with strange names and even stranger tastes. She will introduce your children to the Cat in the Hat and Aslan, maybe in the same day. You will walk the winters of your old age together and she will recite Keats under her breath while you shake the snow off your boots.

Date a girl who reads because you deserve it. You deserve a girl who can give you the most colorful life imaginable. If you can only give her monotony, and stale hours and half-baked proposals, then you’re better off alone. If you want the world and the worlds beyond it, date a girl who reads.
Or better yet, date a girl who writes.


Rosemarie Urquico

não quis

Deus Não Quis, António Ferreira, 2007

manual de sobrevivência

© Laurie Simmons

3 – Fazer das pessoas personagens.
4 – Não deixar de chorar pelas personagens.


Susana Moreira Marques, Agora e na hora da nossa morte

outras pessoas do meu sitemeter

«poemas sobre o bater do coração»

toma:

One night I will say to it:
Heart, be still,
and it will.


Margaret Atwood

pessoas do meu sitemeter

«diz-me um segredo»


digo-te uma coisa melhor:

Se me não fosse proibido revelar os segredos da minha prisão, far-te-ia tal narrativa que a menor palavra despedaçaria a tua alma, gelaria o teu sangue, faria saltar os teus olhos das suas órbitas como duas estrelas para fora das suas esferas, destruiria a harmonia da tua cabeleira simetricamente anelada e faria erguer em pé cada um dos teus cabelos, como dardos de porco-espinho furioso; mas estas revelações não são para ouvidos mortais.

William Shakespeare, Hamlet

o resto, a vida, fica para outra vez

she died of alcoholism
wrapped in a blanket
on a deck chair
on an ocean
steamer.

all her books of
terrified loneliness

all her books about
the cruelty
of loveless love

were all that was left
of her

as the strolling vacationer
discovered her body

notified the captain

and she was quickly dispatched
to somewhere else
on the ship

as everything
continued just
as
she had written it


Charles Bukowski

e eu só gostava, no fundo, que o inferno também fechasse às duas


I'm Too Sad to Tell You, Bas Jan Ader, 1971

o que queres ser quando fores grande?

respondi-te que queria ter cabelos brancos, compridos, em trança,

mas agora mudei de ideias:


Falo de um homem que possuía livros de poemas. Foi talvez o único real leitor. Ele abria os livros, um livro. Escolhia um poema. Era um ritual misterioso. Porque ele raspava as letras da página, cuidadosamente, como para conservar a integridade do papel. Raspava e reunia os pedaços negros. Aquecia então água com o vagar próprio da vertigem. Uma estranha ciência de vapores.

A infusão sucedia: a escura substância do poema misturava-se mais e mais com o fervor da água, até ao ponto em que tudo aquilo era vivo. O homem bebia então o poema e o poema flutuava no sangue, atingindo todos os lugares do corpo, reclamando todos os lugares do corpo. Não era previsível o efeito do poema. Cada poema dissolvido, sorvido, feito homem, trazia consigo uma possibilidade própria. O homem crescia com o poema, crescia mais para si, mais para o poema.

O homem que possuía livros de poemas, possuía uma biblioteca em branco. Páginas e páginas de poemas arrancados sem vestígios, um crime perfeito. Era uma biblioteca poética. Uma biblioteca que podia arder.


Vasco Gato, Omertà

morrer feliz

«Morrer numa livraria chateia tanto como morrer noutro sítio qualquer, suponho. Mas se é mesmo preciso praticar essa maçada de morrer, que seja em serviço. Foi isso que Fernando Assis Pacheco fez numa manhã de 1995, num 30 de Novembro. Saiu de casa para ir trabalhar, passou pela livraria de todos os dias, apagou-se. A morte-merdeira não tem atenuantes. A puta infame tem quando muito coincidências. E neste caso coincide ser Dia das Livrarias a 30 de Novembro.

Acho que sei quem saberia rir da coincidência. E brindo a isso.»

João Pacheco


morria de boa vontade naquele sofá castanho, rodeada de estantes e prateleiras e livros de cotas azuladas com a secção do oculto por trás. também morria de boa vontade ali nos alfarrabistas, ou até no sr. armando. ou na lello, morria de muito boa vontade na lello sim

o doutor explica - o meu coração

os grandes planos sobre as pequenas grandes coisas

love is a horse with a broken
leg
trying to stand
while 45,000 people
watch


Charles Bukowski

monachopsis

n. the subtle but persistent feeling of being out of place, as maladapted to your surroundings as a seal on a beach—lumbering, clumsy, easily distracted, huddled in the company of other misfits, unable to recognize the ambient roar of your intended habitat, in which you’d be fluidly, brilliantly, effortlessly at home.

I took three klonopin and woke up next to a spoon full of peanut butter



- You don't have AIDS, do you? 
- No. Do you? 
- Uh uh. 
- Do you have herpes? 
- No. Do you? 
- No. 

(oh! diálogos bonitos)

ainda a propósito

diz a querida condessa Markievicz:

«Dress suitably in short skirts and strong boots,
leave your jewels in the bank,
and buy a revolver.»


a propósito

Black is modest and arrogant at the same time. Black is lazy and easy - but mysterious. But above all, black says this: “I don’t bother you - don’t bother me”.

Yohji Yamamoto

a minha mãe e as aulas de processamento nos anos 80

«preto é a minha cor preferida! não diria que tudo devesse ser preto, mas tudo deveria ter "um toque" preto. acho que isto de aprender processamento de texto não tem piada, as letras não são pretas! vou agora tentar mudar de assunto, vou falar de isqueiros: os isqueiros mais "in" são os pretos. acho que há nesta minha frase algo de familiar. sei lá! vou voltar ao tema do preto. o chá preto dá cabo da bexiga.»


only the lonely

 – O Cesariny fuma muito, não fuma?
– Eu não fumo muito. Eu fumo sempre.

Monday, Monday got to get down on Monday

Toda a gente foi domingo
alguma vez.
Depois nas fezes aparecem
sinais de sangue, ou na urina.
Declaram-se abcessos, coágulos, tumores.
Passam então a ser uma sombria,
pesada, intransitiva
segunda-feira.

A. M. Pires Cabral


a lena dunham é como um cão
faz companhia.


oh lonesome me

troquei de cama encostei o estrado e o colchão e os lençóis a uma janela e troquei de cama troquei de uma corpo e meio para uma de dois corpos e agora é grande demasiado grande para apenas meio corpo

a spiritual thermostat

Medianeras, Gustavo Taretto, 2011

se eu fosse um vídeo

se eu fosse um vídeo

outras pessoas do meu sitemeter

«foi de tanto bater a cara no muro que»


caro leitor/a, estou quase, quase, quase lá.

pessoas do meu sitemeter

«comer osgas»


também ainda lá não cheguei mas fica a sugestão.

se eu fosse um vídeo

só o sangue cheira a sangue

Há na intimidade um limiar sagrado,
encantamento e paixão não o podem transpor –
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.

Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.

Quem corre para o limiar é louco, e quem
o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.


Anna Akhmatova

das caras sem corações

The Face of Another, Hiroshi Teshigahara, 1966

dos lugares revisitados

- Sempre achei que não se deve revisitar os lugares da paixão. São lugares escuros, onde o corpo se move com dificuldade e sufoca. A ausência de alguém alastra neles até doer. Nada resta do que ali vivemos. Os poemas absorveram toda a luminosidade que deles irradiava. São lugares belos, mas mortos.


Al Berto, O Anjo Mudo

tenho uma gata chamada papoila porque

«As papoilas são estrelas que caíram de sono.
Elas têm o segredo.»

Maria Ângela Alvim

ao homem dos meus sonhos

Chungking Express, Kar Wai Wong, 1994


vem e pergunta-me se gosto de laranjas

someday he'll come along


Nelken, Pina Bausch

He'll look at me and smile, I'll understand / Then in a little while, He'll take my hand / And though it seems absurd / I know we both won't say a word

um exemplar falhado da espécie

Suicido-me devagar a pão com queijo, vinho tinto, cigarros e solidão. Bem sei que podia comprar sopa, já que não a faço. Podia também comprar um microondas, serviria para aquecer a sopa e ainda preparar refeições pré-cozinhadas. Não se trataria de um grande passo, do ponto de vista do destino da humanidade, mas significaria ao menos comida quente no prato. Podia até casar-me, segundo o juízo optimista da minha mãe, e desse modo adquirir tudo isto num pacote bonificado, diminuindo o custo de cada um dos artigos individualmente considerados. Está tudo certo, por conseguinte, eu errado. Determinam os factos, no entanto, que o casamento é para mim um caso semelhante ao do microondas, ou seja, uma circunstância de que não suporto o ruído e, não serei eu que o anuncie, se há coisa que ninguém pode é ser aquele que não é (assim se desmorona um admirável plano, ignorando as esperanças da minha mãe). Resta acrescentar que nada há de heróico no meu gesto, nem eu me ocupo já de o iludir. É a mão que tenho (e a que não tenho). O prato que recuso (e o que aceito). Pão com queijo, vinho tinto, cigarros e solidão, cumpro-me no que sou: um exemplar falhado da espécie.

Jorge Roque

love is a messy spill

© Kermit Mulkins, Lunch Sacks, for Maria

4.48 Psychosis

Sometimes I turn around and catch the smell of you and I cannot go on I cannot fucking go on without expressing this terrible so fucking awful physical aching fucking longing I have for you. And I cannot believe that I can feel this for you and you feel nothing. Do you feel nothing?

(Silence.)

Do you feel nothing?

(Silence.)

And I go out at six in the morning and start my search for you. If I've dreamt a message of a street or a pub or a station I go there. And I wait for you.

(Silence.)

You know, I really feel like I'm being manipulated.

(Silence.)

I've never in my life had a problem giving another person what they want. But no one's ever been able to do that for me. No one touches me, no one gets near me. But now you've touched me somewhere so fucking deep I can't believe and I can't be that for you. Because I can't find you.

(Silence.)

Do you think it's possible for a person to be born in the wrong body?

(Silence.)

Fuck you. Fuck you. Fuck you for rejecting me by never being there, fuck you for making me feel shit about myself, fuck you for bleeding the fucking love and life out of me, fuck my father for fucking up my life for good and fuck my mother for not leaving him, but most of all, fuck you God for making me love a person who does not exist,
FUCK YOU FUCK YOU FUCK YOU.


Sarah Kane, 4.48 Psychosis (aqui)

we've all been there

We've All Been There, Nicholas Clifford, 2013

34 excuses for why we failed at love

1. I’m lonely so I do lonely things.

2. Loving you was like going to war, I never came back the same.

3. You hate women, just like your father and his father, so it runs in your blood.

4. I was wandering the derelict car park of your heart looking for a ride home.

5. You’re a ghost town I’m too patriotic to leave.

6. I stay because you’re the beginning of the dream I want to remember.

7. I didn’t call him back because he likes his girls voiceless.

8. It’s not that he’s wants to be a liar, it’s just that he doesn’t know the truth.

9. I couldn’t love you, you were a small war.

10. We covered the smell of loss with jokes.

11. I didn’t want to fail at love like our parents.

12. You made the nomad in me build a house and stay.

13. I’m not a dog.

14. We were trying to prove our blood wrong.

15. I was still lonely so I did even lonelier things.

16. Yes, I’m insecure, but so was my mother and her mother.

17. No, he loves me he just makes me cry a lot.

18. He knows all of my secrets and still wants to kiss me.

19. You were too cruel to love for a long time.

20. It just didn’t work out.

21. My dad walked out one afternoon and never came back.

22. I can’t sleep because I can still taste him in my mouth.

23. I cut him out at the root , he was my favourite tree, rotting, threatening the foundations of my home.

24. The women in my family die waiting.

25. Because I didn’t want to die waiting for you.

26. I had to leave, I felt lonely when he held me.

27. You’re the song I rewind until I know all the words and I feel sick.

28. He sent me a text that said ‘I love you so bad’

29. His heart wasn’t as beautiful as his smile.

30. We emotionally manipulated one another until we thought it was love.

31. Forgive me, I was lonely so I chose you.

32. I’m a lover without a lover

33. I’m lovely and lonely.

34. I belong deeply to myself.


Warsan Shire 

chorando baixinho

© Aino Kannisto


Time is a matter of fact / And it's gone and it'll never come back / And mine, it's wasted all the time / Tears, stupid tears, bring me down

Daniel Johnston, Tears Stupid Tears

the beautiful people

Myth #1 – Introverts don’t like to talk.
This is not true. Introverts just don’t talk unless they have something to say. They hate small talk. Get an introvert talking about something they are interested in, and they won’t shut up for days.

Myth #2 – Introverts are shy.
Shyness has nothing to do with being an Introvert. Introverts are not necessarily afraid of people. What they need is a reason to interact. They don’t interact for the sake of interacting. If you want to talk to an Introvert, just start talking. Don’t worry about being polite.

Myth #3 – Introverts are rude.
Introverts often don’t see a reason for beating around the bush with social pleasantries. They want everyone to just be real and honest. Unfortunately, this is not acceptable in most settings, so Introverts can feel a lot of pressure to fit in, which they find exhausting.

Myth #4 – Introverts don’t like people.
On the contrary, Introverts intensely value the few friends they have. They can count their close friends on one hand. If you are lucky enough for an introvert to consider you a friend, you probably have a loyal ally for life. Once you have earned their respect as being a person of substance, you’re in.

Myth #5 – Introverts don’t like to go out in public.
Nonsense. Introverts just don’t like to go out in public FOR AS LONG. They also like to avoid the complications that are involved in public activities. They take in data and experiences very quickly, and as a result, don’t need to be there for long to “get it.” They’re ready to go home, recharge, and process it all. In fact, recharging is absolutely crucial for Introverts.

Myth #6 – Introverts always want to be alone.
Introverts are perfectly comfortable with their own thoughts. They think a lot. They daydream. They like to have problems to work on, puzzles to solve. But they can also get incredibly lonely if they don’t have anyone to share their discoveries with. They crave an authentic and sincere connection with ONE PERSON at a time.

Myth #7 – Introverts are weird.
Introverts are often individualists. They don’t follow the crowd. They’d prefer to be valued for their novel ways of living. They think for themselves and because of that, they often challenge the norm. They don’t make most decisions based on what is popular or trendy.

Myth #8 – Introverts are aloof nerds.
Introverts are people who primarily look inward, paying close attention to their thoughts and emotions. It’s not that they are incapable of paying attention to what is going on around them, it’s just that their inner world is much more stimulating and rewarding to them.

Myth #9 – Introverts don’t know how to relax and have fun.
Introverts typically relax at home or in nature, not in busy public places. Introverts are not thrill seekers and adrenaline junkies. If there is too much talking and noise going on, they shut down. Their brains are too sensitive to the neurotransmitter called Dopamine. Introverts and Extroverts have different dominant neuro-pathways. Just look it up.

Myth #10 – Introverts can fix themselves and become Extroverts.
A world without Introverts would be a world with few scientists, musicians, artists, poets, filmmakers, doctors, mathematicians, writers, and philosophers. That being said, there are still plenty of techniques an Extrovert can learn in order to interact with Introverts. (Yes, I reversed these two terms on purpose to show you how biased our society is.) Introverts cannot “fix themselves” and deserve respect for their natural temperament and contributions to the human race. In fact, one study (Silverman, 1986) showed that the percentage of Introverts increases with IQ.

and I want you to know / I loved you

de te abraçar

E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.


Mia Couto

2013


Shining, Stanley Kubrick, 1980

poemário daqui

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