mulher-terra-vida

© Clara Menéres, 1977

e muito cedo para pertencer, toda

O oceano branco circula no meu coração
enquanto canta outro oceano de prata dourada,
que se solta das águas do sol.

Já é demasiado tarde para ser só de uma província,
             e muito cedo para pertencer,
             todo,
             ao planeta vindouro e sangrante
             resplendor.

Oh, acode, acode minha hierarquia de peão do planeta,
             gaúcho com tranças de sangue,
             meu pai,
e aparelha-me o melhor cavalo ruão do universo:
para atravessar a água dourada da morte,
              e ouvir-me,
              todo,
              sempre em ti.

O oceano branco soluça pela imortalidade.


Francisco Madariaga

estados d'alma

NO FUNDO DOS TEUS DIAS APENAS O AMOR FICARÁ

No fundo dos teus dias apenas o amor ficará.
Quando romperem as pedras, quando estalarem os vidros,
quando apartarem as lentas e piedosas cortinas,
não se verão teus ossos que nada foram,
não lerão teu nome borrado pelos ventos,
não encontrarão teu rosto nas arenas,
mas o amor estará onde tu estiveste,
poderão trazê-lo do fundo dos seus dias,
levantá-lo, pô-lo de pé, levá-lo em andores
por um tempo melhor, de beleza sem fome,
por um tempo de magia, sem penas nem justiça,
como um dia há-de ser o tempo para todos.


Raúl Gustavo Aguirre

I have the feeling that I'm the phantom of Helen in Troy in the arms of Paris

© Nazario Luque
in Apartamento Magazine, issue #22
É a primeira vez que nasço como uma mulher. Há ainda em mim um rasto de bicho, um rasto de noveiro.
Sinto que os outros o intuem, obscuramente, quando me começam a conhecer; é estranho que não o vejam logo no início, mas eu mesma levei tantos anos a descobrir...
E então fogem. É que o primitivo mete medo.

(...)

E eu sou uma bruxa, uma feiticeira, talvez um demónio; é estranho que ainda não saiba qual é a minha natureza, eu que passei a vida toda a olhar-me, a desenhar-me, a sonhar-me, talvez.

(...)

Uma princesa esformeada de jeans desbotoados e botas velhas, que raramente vende um quadro ou uma cerâmica, que de vez em quando se despe em frente de uma vintena de estudantes que tentam desenhá-la, prendê-la, que vendeu as jóias da família, as libras de ouro, e tem apenas um colar velho, cravejado de pedras verdes, que nunca tira do pescoço, nem para dormir, nem para fazer amor.
As bruxas precisam de uma jóia, só uma.
Eu sou a princesa do meu castelo e ruínas.
O meu castelo assombrado.

(...)

A minha casa fica sobre as rochas, do outro lado do muro há rochedos e mar. O meu pai disse-me que o mar vive debaixo da casa, nas cavernas onde a luz nunca entrou, disse-me que há noites em que se consegue ouvir, mas só muito tarde, quando o silêncio é total, aquele rumor que parece vir de dentro do nosso corpo e é o som da água nas cavernas (e eu acho que foi delas que eu vim, não do corpo de uma mulher, eu não posso ter nascido do corpo de uma mulher).


Ana Teresa Pereira, As Rosas Mortas
Houve um tempo em que só conseguia adormecer agarrada a um corpo. Mas agora acho que só me chega uma pedra.

(...)

Trabalhava o dia inteiro e de vez em quando, à noite, voltava a fazer pão, aquele pão escuro, amargo, de que tanto gostava; comprava queijo, uma garrafa de vinho e comia sozinha, com os gatos, ou ligava para alguém, havia noites em que me apetecia fazer amor.
Eram dias e noites completos, plenos, sentia-me cheia como uma deusa ou uma gata que vai parir, sentia-me quase feliz.

(...)

Também ainda gosto de fazer pão, que como sozinha, com queijo cheddar, uma garrafa de vinho... Como e bebo devagar, é quase um ritual, sagrado, íntimo...
Conto filmes a mim mesma, pedaços de filmes antigos, Ingrid Bergman a entrar na sala descalça com flores no cabelo, Jennifer Jones no farol no meio da tempestade, a sombra de Orson Welles numa parede, Olivia de Havilland junto a umas escadas, James Stewart olhando para Kim Novak, iluminada pela luz verde do néon, os dois meninos descendo o rio...


Ana Teresa Pereira, As Rosas Mortas
Um dia arrastou-me para dentro de uma igreja, sentámo-nos num banco e senti algo de estranho ao olhar o seu rosto, tive vontade de fugir, aquilo era demasiado íntimo... Posso ter um homem dentro de mim, mas não quero ver um homem rezar, como não quero ver um homem morrer. Há momentos em que devemos estar sozinhos, suponho que estamos mesmo sozinhos, ninguém nos pode tocar. Nem com o corpo, nem com as palavras.

(...)

Pensei que estava cansada de ternura, apetecia-me voltar a um tempo ainda muito próximo em que o sexo era o meu alimento nocturno como o trabalho era o meu alimento diurno, trabalhar de dia, foder à noite, nunca quisera mais nada além do som dos pássaros ao amanhecer, do café da manhã, do pãozinho de leite, dos meus jeans apertados e velhos, da t-shirt branca, o cabelo despenteado.

(...)

E ele ajoelhava-se junto de mim, encostava o rosto ao meu ventre, «O teu corpo é tão misterioso, nunca tinha percebido como é misterioso o corpo de uma mulher, às vezes acho que nem devia tocar-te, os teus olhos, a tua boca, as tuas pernas, és uma figura de um ícone, uma personagem de Tchekov, não caminhas na terra, foste feita para voar ou andar sobre as águas».

Eu lembrava-me dessas palavras quando me deitava com outros homens e doía, mas não tanto como estar sozinha ou com ele; agarrava-me ao corpo que se encontrava ao meu lado na cama para poder dormir, para que o medo passasse, para que a dor passasse.

(...)

Os gatos deixam que lhes façam festas mas depois saltam para cima de um muro e lambem as patas ao sol.
E eu também começava a sentir vontade de fugir, de soltar-me, de escapar daquela ternura toda, de voltar para cima do muro ou para a varanda onde já passei noites inteiras, deitada num cobertor, deixando-me possuir pela Lua.

(...)

Os répteis continuam a parecer-se comigo, e as flores, sobretudo as flores, e os fetos... os seres ainda mal formados, incompletos, já não pedra nem planta, com algo de animal, mas ainda não bebés, ou talvez bebés no nevoeiro, na água, num útero de bicho.
Sinto-me como uma mãe enorme, sempre prenha.


Ana Teresa Pereira, As Rosas Mortas
- Pensava que acreditava no tempo.
- Não acredito em nada.

Nesses momentos parecia uma menina frágil, encolhida na cadeira, as pálpebras pesadas, um infinito cansaço.
E ele sentia um princípio de ternura, não passava de uma criança confusa e teimosa, Deus, tão teimosa.
Mas como se transfigurava nos momentos em que falava do seu trabalho... Toda ela era paixão, os olhos brilhavam, o corpo projectava-se para a frente, já não era uma criança mas uma mulher velha como o tempo que falava com naturalidade de monstros que viviam no caos, de dar forma a monstros que estavam no caos, de arrancar se si mesma pássaros e serpentes, pousava as mãos no ventre como se tudo isso estivesse no seu útero a pedir para nascer, e ela fosse só uma porta de passagem (palavras suas).


Ana Teresa Pereira, As Rosas Mortas
(...)

e pensava porquê, porquê esta fúria, afinal eu sabia que ela continuava a existir, a viver, ou será que esperava que não saísse mais de casa, ela disse uma vez que pensava em não sair mais de casa, como uma personagem de um conto de Faulkner, ficar sozinha com os seus fantasmas até que fossem buscá-la, já morta.
Era um conto de Faulkner, sim, não sabia como se chamava mas havia rosas, tudo o que se relacionava com ela tinha rosas, ela gostava tanto de rosas. Rosas vermelhas.

(...)

- Não imaginas o que pode acontecer a quem se apaixona por uma feiticeira.
- Uma feiticeira...
- Um demónio.
- Não tenho medo.
- Devias ter.

(...)

- Todos somos loucos, todos temos medo, estamos todos à beira do abismo, estamos todos perdidos...

- Há uma loucura que é doença humana, outra que é um dom dos deuses.
- São frases vazias...
- Não, não são. E tu nunca serás capaz de distinguir uma da outra.

- Não vou discutir o meu trabalho contigo. Tu que vives entre monstros e serpentes...
- E flores.
- É porque vivo entre monstros, serpentes e flores que sei alguma coisa do assunto.

(...)

Foi nessa noite que ele me disse «Tu és uma mistura de mulher, de bicho, de nevoeiro...», e havia tanta paixão naquela frase que senti medo, talvez também porque aquilo estava muito próximo da verdade.


Ana Teresa Pereira, As Rosas Mortas
É possível que sejam todos feitos do mesmo material, às vezes penso isso, se forçarmos um pouco as coisas as pessoas começam a parecer-se, as situações começam a repetir-se, as palavras...
É como se lhes faltasse o núcleo central, duro, inviolável, misterioso, no qual ninguém pode entrar. E talvez seja essa a diferença entre os que podem amar e os que simplesmente não têm esse... não sei qual é a palavra, dom, maldição...
Não sei.

(...)

Com todos os seus anos, com toda a sua experiência, não aprendera que há pessoas com quem não se casa, nunca, pessoas que nem se deve deixar entrar no quarto, que devem ficar do outro lado das paredes, no jardim, com os animais e as plantas. E as pedras.
Ele sabia tão pouco. Um menino com uma faca verdadeira na mão. Que nem sabia que as facas servem para matar e ser morto.

(...)

[O que importava era] Fazê-lo tomar consciência de que, como todos nós, era só uma criança num quarto escuro, uma criança com medo do escuro, do que se esconde no escuro. 

(...)

Mas eram ideias absurdas, nada poderia ser como dantes, o que está quebrado permanece quebrado, o que podemos é parti-lo em pedaços ainda mais pequeninos...


Ana Teresa Pereira, As Rosas Mortas
Na verdade já quase não saio de casa, talvez um dia deixe mesmo de sair, lembro-me de um conto de Faulkner, Uma rosa para Emily...
Sozinha na minha casa, com os meus bichos e os meus fantasmas.
Lembro-me de ter ligo algures que aquele que permanece no mesmo ponto do espaço e vê as transformações da natureza, o amanhecer, o passar do dia, a noite (e todos os dias e noites são diferentes no jardim), e os meses, e as estações... sabe tanto do mundo como aquele que viaja muito.
Acho que é isso que quero, que sempre quis, permanecer neste lugar, o centro do universo, o centro de mim, e desvelar o que ainda está escondido.

(...)

E será mesmo melhor que não saia de casa, que ninguém se inteire disso. É demasiado perigoso.
Mas não acontecerá por enquanto.
Por enquanto limito-me a encher a casa de flores secas, eu que sempre as amei com vida, carnudas, sensuais...
Rosas vermelhas secas... dentro de cestos de vime.
Acho que mesmo as rosas que moldo entre as mãos estão mortas, embora pareçam carnudas, com seres misteriosos nas entranhas...
Flores mortas, fetos mortos.

(...)

«Adoro ver-te de cabelo solto e descalça, pronta para o amor».
Recordo tão bem alguns momentos, algumas frases. É como se tivessem cristalizado, como a minha imagem no espelho, como o meu corpo... Eu que era animal e planta agora começo a ser pedra, a minha metamorfose... animal que seguia os meus instintos nocturnos (gato ou lobo), planta que se enredava como uma teia (como a Lua), agora pedra, ágata, granito...


Ana Teresa Pereira, As Rosas Mortas

and smoke my cig and drink my wine


until my hurting is done 
I should have never let you in
I should've never let you win huh

and don’t worry I've got nothing they can take


all I wanted was the truth

A MINHA CASA É UMA PARTE DO UNIVERSO

Os que a viram dizem que a terra
é uma esfera no espaço, um planeta
bastante pequeno
do tamanho do polegar dos astronautas.
Não duvido porque vi as fotografias
e porque agora estou a quase meio planeta de casa.
O melhor de tudo isto é que nesse polegar
também a minha casa é uma parte do universo.
Como não sê-lo se no pátio do fundo
há um filodendro com folhas gigantes e também minhocas debaixo da terra
óptimas para a pesca, e agora que penso nisso
o cheiro das samambaias junto à parede
a cara de Delfina ou Federico entre as árvores
e aquele canário que se nos escapou à noite.


Alfredo Veiravé

se eu fosse um vídeo

CONVITE

Tenta-me com uma visão de colinas
relva que é verde
pavões tão vulgares como pardais.
Podemos ler no pátio, diz ela,
ouvindo o picapau às voltas com a sua árvore,
admirar as rosas, colher fruta, contar estrelas.
Traga a tia, os cães, o periquito, diz,
escreva um ou dois poemas felizes.
De vez em quando, continua,
iremos até à aldeia
para sabermos como é que o mundo
não vai.


Eunice de Souza, trad. Francisco José Craveiro de Carvalho

#arritmias

deprê démodé

Os vestidos de verão ficaram
pendurados no roupeiro, decotes
abertos aos vincos da imobilidade.
Um turquesa longo, um vermelho
vivo fora de moda, no obscuro
interior, na intimidade das
costuras, o recorte ousado
das axilas, a pele
de um corpo ausente.


Inês Lourenço

poemário daqui

A. M. Pires Cabral Abel Neves Adília Lopes Adolfo Casais Monteiro Agustina Bessa-Luís Al Berto Albano Martins Alberto Pimenta Alexandra Malheiro Alexandre Nave Alexandre O'Neill Alice Turvo Alice Vieira Almada Negreiros Américo António Lindeza Diogo Ana Bessa Carvalho Ana C. Ana Caeiro Ana Cristina César Ana Duarte Ana Hatherly Ana Luísa Amaral Ana Marques Gastão Ana Martins Marques Ana Paula Inácio Ana Salomé Ana Tecedeiro Ana Teresa Pereira Ana Tinoco André Tomé Andreia C. Faria Angélica Freitas Ângelo de Lima Aníbal Fernandes António Amaral Tavares António Botto António Dacosta António Franco Alexandre António Gancho António Gedeão António Gregório António José Forte António Manuel Pires Cabral António Maria Lisboa António Mega Ferreira António Osório António Pedro António Quadros Ferro António Ramos Pereira António Ramos Rosa António Rebordão Navarro António Reis António S. Ribeiro Armando Baptista-Bastos Armando Silva Carvalho Artur do Cruzeiro Seixas Bénédicte Houart Bruno Béu Bruno Sousa Villar Camilo Castelo Branco Camilo Pessanha Carlos Alberto Machado Carlos Bessa Carlos de Oliveira Carlos Eurico da Costa Carlos Mota de Oliveira Carlos Poças Falcão Carlos Soares Casimiro de Brito Catarina Nunes de Almeida Cesário Verde Cláudia R. Sampaio Cruzeiro Seixas Daniel Faria Daniel Filipe David Mourão-Ferreira David Teles Pereira Delfim Lopes Dulce Maria Cardoso Eastwood da Silva Eduarda Chiote Egito Gonçalves Ernesto Sampaio Eugénio de Andrade Eugénio Lisboa Fernando Assis Pacheco Fernando Esteves Pinto Fernando Lemos Fernando Pessoa Fernando Pinto do Amaral Fiama Hasse Pais Brandão Filipa Leal Filipe Homem Fonseca Florbela Espanca Frederico Pedreira gil t. sousa Golgona Anghel Gonçalo M. Tavares Helder Moura Pereira Helena Carvalho Helga Moreira Hélia Correia Henrique Manuel Bento Fialho Henrique Risques Pereira Herberto Hélder Inês Dias Inês Fonseca Santos Inês Lourenço Isabel Meyrelles Joana Morais Varela Joana Serrado João Almeida João Bénard da Costa João Cabral de Melo Neto João Camilo João Damasceno João Ferreira Oliveira João Habitualmente João Luís Barreto Guimarães João Maia João Manuel Ribeiro João Miguel Henriques João Pacheco João Pereira Coutinho João Rodrigues João Vasco Coelho Joaquim Manuel Magalhães Joaquim Pessoa Jorge Carrera Andrade Jorge de Sena Jorge Gomes Miranda Jorge Melícias Jorge Roque Jorge Sousa Braga José Agostinho Baptista José Alberto Oliveira José Amaro Dionísio José António Franco José Cardoso Pires José Carlos Barros José Carlos Soares José Efe José Gomes Ferreira José Manuel de Vasconcelos José Mário Silva José Miguel Silva José Pascoal José Ricardo Nunes José Rui Teixeira José Saramago José Sebag José Tolentino Mendonça Judith Teixeira Leitão de Barros Leonor Castro Nunes Luís Miguel Nava Luís Quintais Luiza Neto Jorge Madalena de Castro Campos Mafalda Gomes Manuel A. Domingos Manuel António Pina Manuel Cintra Manuel da Silva Ramos Manuel de Castro Manuel de Freitas Manuel Fúria Manuel Gusmão Marcelino Vespeira Margarida Vale de Gato Maria Ângela Alvim Maria Azenha Maria do Rosário Pedreira Maria Gabriela Llansol Maria João Lopes Fernandes Maria Judite de Carvalho Maria Keil Maria Mergulhão Maria Sousa Maria Teresa Horta Maria Velho da Costa Mário Cesariny Mário Contumélias Mário de Sá-Carneiro Mário Dionísio Mário Quintana Mário Rui de Oliveira Mário-Henrique Leiria Marta Chaves Matilde Campilho Mendes de Carvalho Miguel Cardoso Miguel Martins Miguel Sousa Tavares Miguel Torga Miguel-Manso Nuno Araújo Nuno Bragança Nuno Júdice Nuno Moura Nuno Ramos Nuno Travanca Patrícia Baltazar Paulo José Miranda Pedro Jordão Pedro Loureiro Pedro Mexia Pedro Oom Pedro Santo Tirso Pedro Sena-Lino Pedro Tamen Pedro Tiago Piedade Araujo Sol Raquel Nobre Guerra Raquel Serejo Martins Raul de Carvalho Raul Malaquias Marques Regina Guimarães Reinaldo Ferreira Renata Correia Botelho Ricardo Adolfo Rosa Alice Branco Rosa Maria Martelo Rui Almeida Rui Baião Rui Caeiro Rui Cóias Rui Costa Rui Knopfli Rui Lage Rui Manuel Amaral Rui Nunes Rui Pedro Gonçalves Rui Pires Cabral Rute Mota Ruy Belo Ruy Cinatti Ruy Ventura Samuel Úria Sandra Andrade Sandra Costa Sebastião Alba Sílvio Mendes Soares de Passos Sofia Crespo Sofia Leal Sophia de Mello Breyner Andresen Tatiana Faia Teixeira de Pascoaes Teresa Balté Teresa M. G. Jardim Tiago Araújo Tiago Gomes valter hugo mãe Vasco Gato Vasco Graça Moura Vítor Nogueira Yvette K. Centeno

poemário dali

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