pelo corpo sinto um arrepio de vertigem
que me enche o coração de ausência pavor e saudade
Al Berto, O Medo
– por exemplo, o amor –
Vamos voltar a fingir que a vida é uma substância sólida, com a forma de um globo, e que a podemos fazer girar por entre os dedos. Vamos fingir ser capazes de elaborar uma história simples e lógica, de forma a que, uma vez encerrado um assunto – por exemplo, o amor – possamos avançar de forma ordenada para o ponto seguinte.
Virginia Woolf, As Ondas
Virginia Woolf, As Ondas
o amor
Deus — talvez esteja aqui, neste
pedaço de mim e de ti, ou naquilo que,
de ti, em mim ficou. Está nos teus
lábios, na tua voz, nos teus olhos
,e talvez ande por entre os teus cabelos,
ou nesses fios abstractos que desfolho,
com os dedos da memória, quando os
evoco.
Existe: é o que sei quando
me lembro de ti. Uma relação pode durar
o que se quiser; será, no entanto, essa
impressão divina que faz a sua permanência? Ou
impõe-se devagar, como as coisas a que o
tempo nos habitua, sem se dar por isso, com
a pressão subtil da vida?
Um deus não precisa do tempo para
existir: nós, sim. E o tempo corre por entre
estas ausências, mete-se no próprio
instante em que estamos juntos, foge
por entre as palavras que trocamos, eu
e tu, para que um e outro as levemos
connosco, e com elas o que somos,
a ânsia efémera dos corpos, o
mais fundo desejo das almas.
Aqui, um deus não vive sozinho,
quando o amor nos junta. Desce dos confins
da eternidade, abandona o mais remoto dos
infinitos, e senta-se aos pés da cama, como
um cão, ouvindo a música da noite. Um
deus só existe enquanto o dia não chega; por
isso adiamos a madrugada, para que não
nos abandone, como se um deus
não pudesse existir para lá do amor, ou
o amor não se pudesse fazer sem um deus.
Nuno Júdice, Cartografia de Emoções
pedaço de mim e de ti, ou naquilo que,
de ti, em mim ficou. Está nos teus
lábios, na tua voz, nos teus olhos
,e talvez ande por entre os teus cabelos,
ou nesses fios abstractos que desfolho,
com os dedos da memória, quando os
evoco.
Existe: é o que sei quando
me lembro de ti. Uma relação pode durar
o que se quiser; será, no entanto, essa
impressão divina que faz a sua permanência? Ou
impõe-se devagar, como as coisas a que o
tempo nos habitua, sem se dar por isso, com
a pressão subtil da vida?
Um deus não precisa do tempo para
existir: nós, sim. E o tempo corre por entre
estas ausências, mete-se no próprio
instante em que estamos juntos, foge
por entre as palavras que trocamos, eu
e tu, para que um e outro as levemos
connosco, e com elas o que somos,
a ânsia efémera dos corpos, o
mais fundo desejo das almas.
Aqui, um deus não vive sozinho,
quando o amor nos junta. Desce dos confins
da eternidade, abandona o mais remoto dos
infinitos, e senta-se aos pés da cama, como
um cão, ouvindo a música da noite. Um
deus só existe enquanto o dia não chega; por
isso adiamos a madrugada, para que não
nos abandone, como se um deus
não pudesse existir para lá do amor, ou
o amor não se pudesse fazer sem um deus.
Nuno Júdice, Cartografia de Emoções
the woman who could not live with her faulty heart
I do not mean the symbol
of love, a candy shape
to decorate cakes with,
the heart that is supposed
to belong or break;
I mean this lump of muscle
that contracts like a flayed biceps,
purple-blue, with its skin of suet,
its skin of gristle, this isolate,
this caved hermit, unshelled
turtle, this one lungful of blood,
no happy plateful.
All heart float in their own
deep oceans of no light,
wetblack and glimmering,
their four mouths gulping like fish.
Hearts are said to pound:
this is to be expected, the heart's
regular struggle against being drowned.
But most hearts say, I want, I want,
I want, I want. My heart
is more duplicitous,
though no twin as I once thought.
It says, I want, I don't want, I
want, and then a pause.
It forces me to listen,
and at night it is the infra-red
third eye that remains open
while the other two are sleeping
but refuses to say what it has seen.
It is a constant pestering
in my ears, a caught moth, limping drum,
a child's fist beating
itself against the bedsprings:
I want, I don't want.
How can one live with such a heart?
Long ago I gave up singing
to it, it will never be satisfied or lulled.
One night I will say to it:
Heart, be still,
and it will.
Margaret Atwood
of love, a candy shape
to decorate cakes with,
the heart that is supposed
to belong or break;
I mean this lump of muscle
that contracts like a flayed biceps,
purple-blue, with its skin of suet,
its skin of gristle, this isolate,
this caved hermit, unshelled
turtle, this one lungful of blood,
no happy plateful.
All heart float in their own
deep oceans of no light,
wetblack and glimmering,
their four mouths gulping like fish.
Hearts are said to pound:
this is to be expected, the heart's
regular struggle against being drowned.
But most hearts say, I want, I want,
I want, I want. My heart
is more duplicitous,
though no twin as I once thought.
It says, I want, I don't want, I
want, and then a pause.
It forces me to listen,
and at night it is the infra-red
third eye that remains open
while the other two are sleeping
but refuses to say what it has seen.
It is a constant pestering
in my ears, a caught moth, limping drum,
a child's fist beating
itself against the bedsprings:
I want, I don't want.
How can one live with such a heart?
Long ago I gave up singing
to it, it will never be satisfied or lulled.
One night I will say to it:
Heart, be still,
and it will.
Margaret Atwood
o táxi
Quando me afasto de ti
o mundo bate sem força
como um tambor que enfraquece.
Eu chamo-te entre as estrelas lá no alto
e grito pelas cristas do vento.
As ruas, rapidamente,
uma a seguir à outra,
levam-me para longe de ti,
e os candeeiros da cidade furam-me os olhos
para que não mais contemple a tua face.
Porque deverei eu abandonar-te,
para acabar magoada nas afiadas esquinas da noite?
Amy Lowell
o mundo bate sem força
como um tambor que enfraquece.
Eu chamo-te entre as estrelas lá no alto
e grito pelas cristas do vento.
As ruas, rapidamente,
uma a seguir à outra,
levam-me para longe de ti,
e os candeeiros da cidade furam-me os olhos
para que não mais contemple a tua face.
Porque deverei eu abandonar-te,
para acabar magoada nas afiadas esquinas da noite?
Amy Lowell
vai ser assim:
Dir-te-ei quem sou,
houve um tempo,
tive um sonho,
lembro-me do teu rosto,
a tua voz já existia.
e ele atravessa a rua,
passando pelo tempo,
de pedra em pedra,
com um cigarro na mão
para pedir lume
ao cigarro alheio,
que brilha no outro lado,
ao cimo dos três degraus.
vai ser assim:
dá-me lume, por favor?,
e o cigarro encostar-se-á ao seu,
o lume passará de um para outro,
de uma pessoa para outra pessoa,
e então,
no meio da eternidade deserta,
será sim o dia de hoje.
mas a noite é imensa,
quer dizer:
a noite do lugar e do tempo,
a noite da nossa solidão
— é imensa,
e apenas um pequeno órgão vivo
palpita algures,
vibra rapidamente,
e amortece-se,
e desaparece.
então,
uma vez mais
a noite se levanta de nós,
e o que estremece é a carne,
a nossa,
cega e desamparada
— mas fremente
na sua cegueira e desamparo.
sabes que estás só?
— pergunta a carne à carne —,
sabes que a noite se ergueu de ti,
como se fosses o seu próprio
e único talento,
e que esse talento te cerca
como uma atmosfera,
o morto clima que transportas em ti,
de um lado para outro,
ao longo das pedras,
ao longo de todos os lugares
do homem?
ela sabe,
ou pelo menos
sabe que sabe.
e
é demasiado.
por isso,
olha
e espera.
e vê de novo
a brasa que estremece
na escuridão
como uma planta
que crescesse
e florescesse na terra negra,
ou um animal
cujo calor abrisse uma brecha
no tempo frio.
a carne embriaga-se
com imprecisas metáforas de salvação
— que salvação?!
com um movimento subterrâneo de analogias,
e ele diz:
vou pedir-lhe lume.
vai através do bairro múltiplo,
o tempo que o escuro abafou,
e então
é como se fosse fora do tempo,
ou dentro de todo o tempo,
à procura do lume
para o seu cigarro.
Herberto Helder, Apresentação do Rosto
houve um tempo,
tive um sonho,
lembro-me do teu rosto,
a tua voz já existia.
e ele atravessa a rua,
passando pelo tempo,
de pedra em pedra,
com um cigarro na mão
para pedir lume
ao cigarro alheio,
que brilha no outro lado,
ao cimo dos três degraus.
vai ser assim:
dá-me lume, por favor?,
e o cigarro encostar-se-á ao seu,
o lume passará de um para outro,
de uma pessoa para outra pessoa,
e então,
no meio da eternidade deserta,
será sim o dia de hoje.
mas a noite é imensa,
quer dizer:
a noite do lugar e do tempo,
a noite da nossa solidão
— é imensa,
e apenas um pequeno órgão vivo
palpita algures,
vibra rapidamente,
e amortece-se,
e desaparece.
então,
uma vez mais
a noite se levanta de nós,
e o que estremece é a carne,
a nossa,
cega e desamparada
— mas fremente
na sua cegueira e desamparo.
sabes que estás só?
— pergunta a carne à carne —,
sabes que a noite se ergueu de ti,
como se fosses o seu próprio
e único talento,
e que esse talento te cerca
como uma atmosfera,
o morto clima que transportas em ti,
de um lado para outro,
ao longo das pedras,
ao longo de todos os lugares
do homem?
ela sabe,
ou pelo menos
sabe que sabe.
e
é demasiado.
por isso,
olha
e espera.
e vê de novo
a brasa que estremece
na escuridão
como uma planta
que crescesse
e florescesse na terra negra,
ou um animal
cujo calor abrisse uma brecha
no tempo frio.
a carne embriaga-se
com imprecisas metáforas de salvação
— que salvação?!
com um movimento subterrâneo de analogias,
e ele diz:
vou pedir-lhe lume.
vai através do bairro múltiplo,
o tempo que o escuro abafou,
e então
é como se fosse fora do tempo,
ou dentro de todo o tempo,
à procura do lume
para o seu cigarro.
Herberto Helder, Apresentação do Rosto
dão-lhe a poesia e ele escreve tempestades
Nuvens pesadas suspensas sobre muitos homens não os deixam pensar.
Ainda que ergam a cabeça, estão isentos de ideias, de contrições e de amor.
É uma fórmula: um homem dedica o seu dia à escuridão do gesto, submete
o corpo aos instintos mais pesados, toma banho de pijama, não olha pela
janela nem atravessa pontes.
E o resultado: um dia de chumbo em excesso para o somatório de cicatrizes,
um nível abaixo do penteado.
A liberdade é, nestes casos, o maior desperdício de um homem-livro, uma
tirania difícil de inalar.
Dão-lhe a poesia e ele escreve tempestades.
Sílvio Mendes
Ainda que ergam a cabeça, estão isentos de ideias, de contrições e de amor.
É uma fórmula: um homem dedica o seu dia à escuridão do gesto, submete
o corpo aos instintos mais pesados, toma banho de pijama, não olha pela
janela nem atravessa pontes.
E o resultado: um dia de chumbo em excesso para o somatório de cicatrizes,
um nível abaixo do penteado.
A liberdade é, nestes casos, o maior desperdício de um homem-livro, uma
tirania difícil de inalar.
Dão-lhe a poesia e ele escreve tempestades.
Sílvio Mendes
liquida-se a existência
Estou resolvido. Vou abrir falência.
(Bandeira rubra desfraldada ao vento:
"Hoje, leilão!") Liquida-se a existência
— por retirada para o esquecimento...
Daniel Filipe
(Bandeira rubra desfraldada ao vento:
"Hoje, leilão!") Liquida-se a existência
— por retirada para o esquecimento...
Daniel Filipe
de lugares e quereres divergentes
Ainda sei a tua morada, quando a releio no soletro dos números e sonetos, confundo-a de encontro aos atalhos do meu coração. Quanto mais te escrevo, de lugares e quereres divergentes, de saberes e deveres indiferentes, mais o gasto da memória se disfarça devagarinho na sola dos teus sapatos. Ainda sei o nome da tua rua.
Alice Turvo
Alice Turvo
é tudo o que me resta
Exactamente como foi, o medo de me enganar
mais tarde na memória - é tudo o que me resta: estar
de noite às escuras a pensar em ti
Ana Luisa Amaral
mais tarde na memória - é tudo o que me resta: estar
de noite às escuras a pensar em ti
Ana Luisa Amaral
dores desatinadas
Há dores que não magoam
e as outras desatinadas
As que trespassam.
Maria Teresa Horta
e as outras desatinadas
As que trespassam.
Maria Teresa Horta
debruça-te para o interior do meu vazio
Nenhum rosto, nenhum pensamento, nenhum gesto inútil. Nenhum desejo - porque o desejo precisa de um rosto. E no lugar daquele que partiu acende-se a noite.
Al Berto, O Medo
Al Berto, O Medo
na casa de banho da casa de minha avó
Quantas vezes me fechei para chorar
na casa de banho da casa de minha avó
lavava os olhos com shampoo
e chorava
chorava por causa do shampoo
depois acabaram os shampoos
que faziam arder os olhos
no more tears disse Johnson & Johnson
as mães são filhas das filhas
e as filhas são mães das mães
uma mãe lava a cabeça da outra
e todas têm cabelos de crianças loiras
para chorar não podemos usar mais shampoo
e eu gostava de chorar a fio
e chorava
sem um desgosto sem uma dor sem um lenço
sem uma lágrima
fechada à chave na casa de banho
da casa da minha avó
onde além de mim só estava eu
também me fechava no guarda-vestidos
mas um guarda-vestidos não se pode fechar por dentro
nunca ninguém viu um vestido a chorar
Adília Lopes
na casa de banho da casa de minha avó
lavava os olhos com shampoo
e chorava
chorava por causa do shampoo
depois acabaram os shampoos
que faziam arder os olhos
no more tears disse Johnson & Johnson
as mães são filhas das filhas
e as filhas são mães das mães
uma mãe lava a cabeça da outra
e todas têm cabelos de crianças loiras
para chorar não podemos usar mais shampoo
e eu gostava de chorar a fio
e chorava
sem um desgosto sem uma dor sem um lenço
sem uma lágrima
fechada à chave na casa de banho
da casa da minha avó
onde além de mim só estava eu
também me fechava no guarda-vestidos
mas um guarda-vestidos não se pode fechar por dentro
nunca ninguém viu um vestido a chorar
Adília Lopes
they come
different and the same
with each the absence of love is different
with each the absence of love is the same.
Samuel Beckett
with each the absence of love is different
with each the absence of love is the same.
Samuel Beckett
num romance
Num romance, uma chávena é apenas
uma chávena — que pode derramar
café sobre um poema, se o poeta,
bem entendido, for a personagem.
Num poema, mesmo manchado
de café, a chávena é certamente a
concha de uma mão — por onde eu
bebo o mundo, em maravilha, se tu,
bem entendido, fores o poeta.
No nosso romance, não sou sempre
eu quem leva as chávenas para a mesa
aonde nos sentamos a noite, de mãos dadas,
a dizer que a lata do café chegou ao fim,
mas a pensar que a vida é
que já vai bastante adiantada para os
livros todos que ainda pensamos ler.
No meu poema, não precisamos
de café para nos mantermos acordados:
a minha boca está sempre na concha da tua mão,
todos os dias há páginas nos teus olhos,
escreve-se a vida sem nunca envelhecermos.
Maria do Rosário Pedreira
uma chávena — que pode derramar
café sobre um poema, se o poeta,
bem entendido, for a personagem.
Num poema, mesmo manchado
de café, a chávena é certamente a
concha de uma mão — por onde eu
bebo o mundo, em maravilha, se tu,
bem entendido, fores o poeta.
No nosso romance, não sou sempre
eu quem leva as chávenas para a mesa
aonde nos sentamos a noite, de mãos dadas,
a dizer que a lata do café chegou ao fim,
mas a pensar que a vida é
que já vai bastante adiantada para os
livros todos que ainda pensamos ler.
No meu poema, não precisamos
de café para nos mantermos acordados:
a minha boca está sempre na concha da tua mão,
todos os dias há páginas nos teus olhos,
escreve-se a vida sem nunca envelhecermos.
Maria do Rosário Pedreira
bitter heart
Bitter heart, bitter heart tries to keep it all inside
Bitter heart, bitter heart shadows will help you try to hide,
Bitter heart, my bitter heart is just getting a little fragile,
Bitter heart, bitter heart of mine, of mine, of mine, of mine, of mine, of mine.
Zee Avi
Bitter heart, bitter heart shadows will help you try to hide,
Bitter heart, my bitter heart is just getting a little fragile,
Bitter heart, bitter heart of mine, of mine, of mine, of mine, of mine, of mine.
Zee Avi
Recordei uma nota de Kafka:
«Há perguntas que jamais conseguiremos deixar para trás, se não estivermos libertos delas por natureza». Não sabia muito bem o que Kafka tinha querido dizer com isto, mas serviu para me libertar da minha pergunta. E para me libertar de tudo. Era uma frase extraordinária, que ajudava. Talvez fosse inclusive, a demonstração de que as frases que não entendemos podem ajudar-nos muito mais do que as que entendemos perfeitamente.
Enrique Vila-Matas
Enrique Vila-Matas
entardecido
Velho, não.
Entardecido, talvez.
Antigo, sim.
Me tornei antigo
porque a vida,
tantas vezes, se demorou.
E eu a esperei
como um rio aguarda a cheia.
Mia Couto
Entardecido, talvez.
Antigo, sim.
Me tornei antigo
porque a vida,
tantas vezes, se demorou.
E eu a esperei
como um rio aguarda a cheia.
Mia Couto
tenho uns caixõezinhos no coração que me
nasceram quando partiste. se regados com
cuidado, brotam mortos como flores negras pelo
interior das veias, que me assombram o sangue, corando
a minha pele numa vergonha e sentindo medo
são uns mortinhos pequenos que muita gente
nem sabe que existem. acreditar em fantasmas é
só possível para quem tem muito amor e recusa a
pequenez da vida sem continuação
tenho uns caixõezinhos no coração que se
abrem a toda a hora. quando me deito, ouço-os
embatendo de encontro ao peito, talvez com vontade
de ir embora, talvez só por ser o amor tão estreito
valter hugo mãe, contabilidade
cuidado, brotam mortos como flores negras pelo
interior das veias, que me assombram o sangue, corando
a minha pele numa vergonha e sentindo medo
são uns mortinhos pequenos que muita gente
nem sabe que existem. acreditar em fantasmas é
só possível para quem tem muito amor e recusa a
pequenez da vida sem continuação
tenho uns caixõezinhos no coração que se
abrem a toda a hora. quando me deito, ouço-os
embatendo de encontro ao peito, talvez com vontade
de ir embora, talvez só por ser o amor tão estreito
valter hugo mãe, contabilidade
e eis, enfim,
o pedido básico desde que nascemos até ao instante último: querer ouvir alguém que fale, querer falar para alguém que ouça.
Gonçalo M. Tavares
a espera e o engate precário de uma noite
- vogamos de desejo em desejo indiferentes à multidão
sorrimos e fumamos um cigarro a meias
esperamos que alguma súbita transformação se opere
estamos condenados à espera e ao engate precário de uma noite
Al Berto, O Medo
sorrimos e fumamos um cigarro a meias
esperamos que alguma súbita transformação se opere
estamos condenados à espera e ao engate precário de uma noite
Al Berto, O Medo
o voo do coração
temos o voo do coração na ponta dos dedos
na garganta ficou-nos um travo acetinado de corpos
um rasto de correrias pela cidade
Al Berto, O Medo
na garganta ficou-nos um travo acetinado de corpos
um rasto de correrias pela cidade
Al Berto, O Medo
A noite é este estrago.
Dou-me ao trabalho
de apanhar algumas das tuas roupas
espalhadas pelo chão,
parecem-me agora tão leves,
indefesas sem os teus gestos.
A urgência que vêm lá de fora
Confunde-me na sua nitidez:
uma buzina primitiva e frenética (por pouco tempo),
ou os ultimatos de um casal desmentindo-se,
aterram no escuro, entre a chuva inesperada
e a nudez aguçada dos estendais.
São as tuas costas arqueadas que espio,
os soluços marcados da tua magreza,
de onde se vão desatando pequenas ocupações,
algum desleixo muito habituado. Um rumor alheio,
como se eu tivesse já ido embora.
Quando menos espero, uma mão cega
vem pousar no meu joelho.
Aos poucos chegam as outras partes doridas.
Parece que segredamos alguma coisa.
Frederico Pedreira
de apanhar algumas das tuas roupas
espalhadas pelo chão,
parecem-me agora tão leves,
indefesas sem os teus gestos.
A urgência que vêm lá de fora
Confunde-me na sua nitidez:
uma buzina primitiva e frenética (por pouco tempo),
ou os ultimatos de um casal desmentindo-se,
aterram no escuro, entre a chuva inesperada
e a nudez aguçada dos estendais.
São as tuas costas arqueadas que espio,
os soluços marcados da tua magreza,
de onde se vão desatando pequenas ocupações,
algum desleixo muito habituado. Um rumor alheio,
como se eu tivesse já ido embora.
Quando menos espero, uma mão cega
vem pousar no meu joelho.
Aos poucos chegam as outras partes doridas.
Parece que segredamos alguma coisa.
Frederico Pedreira
where have I gone wrong?
Sometimes I lie awake at night, and ask, 'Where have I gone wrong?' Then a voice says to me, 'This is going to take more than one night.'
Charles M. Schulz
Charles M. Schulz
fica com as máscaras de tinta a morderem-te a noite
eu parto para qualquer país onde não exista
Al Berto, O Medo
Al Berto, O Medo
mas já me doem as veias quando te chamo
o coração oxidado enjaulou a vontade de te amar
os dedos largaram profundas ausências sobre o rosto
e os dias são pequenas manchas de cor sem ninguém
Al Berto, O Medo
os dedos largaram profundas ausências sobre o rosto
e os dias são pequenas manchas de cor sem ninguém
Al Berto, O Medo
e enquanto eu não conseguir abrir de novo os olhos
não partirás tenho a certeza
com tua jaula cheia de luas mansas
apaziguadas
Al Berto, O Medo
com tua jaula cheia de luas mansas
apaziguadas
Al Berto, O Medo
A small night storm blows
Saying 'falling is the essence of a flower'.
Then those who hesitate arrived.
Yukio Mishima
Then those who hesitate arrived.
Yukio Mishima
Que eu saiba talvez ela fosse mais feliz
que qualquer um
aquela velha solitária de xaile
no comboio com caixotes de laranja
com o passarinho manso
no seu lenço
e sussurrando-lhe
o tempo todo
mia mascotta
mia mascotta
sem que nenhum dos excursionistas de
domingo com as suas garrafas e cestos
prestasse qualquer
atenção
e o vagão
chiava através dos campos de milho
tão devagar que
borboletas
entravam e saíam
Lawrence Ferlinghetti, trad. Maria Sousa
aquela velha solitária de xaile
no comboio com caixotes de laranja
com o passarinho manso
no seu lenço
e sussurrando-lhe
o tempo todo
mia mascotta
mia mascotta
sem que nenhum dos excursionistas de
domingo com as suas garrafas e cestos
prestasse qualquer
atenção
e o vagão
chiava através dos campos de milho
tão devagar que
borboletas
entravam e saíam
Lawrence Ferlinghetti, trad. Maria Sousa
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