um beijo obrigado / na tela / imprime meio mal

blues for a cat

Ter nas pessoas
a confiança dos gatos,
que fecham os olhos
e esticam o pescoço,
na certeza do carinho.

Leila Miccolis


é simples. não dá?

melancolia

a melancolia pode às vezes ser isto,
um modo de sobreviver ao vazio, o comovido
jeito de pôr a mão sobre o mármore da mesa
e pedir outro martini fresco
se faz favor.


Manuel de Freitas, Todos contentes e eu também

os olhos do meu gato

Há dias em que poderia jurar que
estão tristes os olhos do meu gato,
mas não, é apenas a melancolia
ilícita que o meu devaneio lhes empresta.
Os gatos tristes, se é que os houve,
morreram talvez num Inverno fugaz e antigo.
E, no fundo, acabo por gostar mais deste.

É por desrazões semelhantes que se escreve
um poema, essa coisa singela
absoluta em frivolidade.


Manuel de Freitas, Todos contentes e eu também

as casas oh as casas

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo

já vos falei do meu amor por poemas com casas? e pelo ruy? corações

attention please


aqui 

remédios santos

Having a bunch of cats around is good. If you're feeling bad, you just look at the cats, you'll feel better, because they know that everything is, just as it is. There's nothing to get excited about. They just know. They're saviors. The more cats you have, the longer you live. If you have a hundred cats, you'll live ten times longer than if you have ten. Someday this will be discovered, and people will have a thousand cats and live forever. It's truly ridiculous.


Charles Bukowski

a precisar de mais uns cinco ou seis. ou vinte, sei lá

olhem,

a poesia é todos os dias, não é só hoje tá? pronto.


«Porque a poesia, verdadeiramente, tem esta tarefa sublime: pegar na dor que espuma e ronca na nossa alma e sossegá-la, transfigurá-la na calma suprema da arte, como fazem os rios ao desaguar na vastidão celeste do mar. A poesia é uma catarse da dor, como a imensidão da morte é uma catarse da vida.»

Antonia Pozzi


aqui fica uma pérola de sabedoria. dias mundiais, pfff

we were never properly introduced to the world we live in







They Live by Night, Nicholas Ray, 1948

fumando espero

Um cigarro
ninguém tem
um cigarro?
um copo de vinho
um amor perdido
uma causa iludida
uma angústia a mais?
alguém quer trocar de veias
de sangue
de coração
de pulmões?
um cigarro
ao menos
ninguém tem
um cigarro?


Carlos Alberto Machado

especialmente um copo de vinho. ninguém tem um copo de vinho? amores perdidos desses tenho eu muitos

there's no place like home

I’ve never been lonely. I’ve been in a room — I’ve felt suicidal. I’ve been depressed. I’ve felt awful — awful beyond all — but I never felt that one other person could enter that room and cure what was bothering me…or that any number of people could enter that room. In other words, loneliness is something I’ve never been bothered with because I’ve always had this terrible itch for solitude. It’s being at a party, or at a stadium full of people cheering for something, that I might feel loneliness. I’ll quote Ibsen, “The strongest men are the most alone.” I’ve never thought, “Well, some beautiful blonde will come in here and give me a fuck-job, rub my balls, and I’ll feel good.” No, that won’t help. You know the typical crowd, “Wow, it’s Friday night, what are you going to do? Just sit there?” Well, yeah. Because there’s nothing out there. It’s stupidity. Stupid people mingling with stupid people. Let them stupidify themselves. I’ve never been bothered with the need to rush out into the night. I hid in bars, because I didn’t want to hide in factories. That’s all. Sorry for all the millions, but I’ve never been lonely. I like myself. I’m the best form of entertainment I have. Let’s drink more wine!


Charles Bukowski

(a propósito de uma conversa que tive hoje)

westerns aqueles filmes com cavalos e cowboys









(esperem)


Johnny Guitar, Nicholas Ray, 1954


ainda no outro dia disse que não papava westerns. mas este - este é muitas lágrimas e corações aos mil

most people make too much of it

Love is a form of prejudice. You love what you need, you love what makes you feel good, you love what is convenient. How can you say you love one person when there are ten thousand people in the world that you would love more if you ever met them? But you’ll never meet them. All right, so we do the best we can. Granted. But we must still realize that love is just the result of a chance encounter. Most people make too much of it. On these grounds a good fuck is not to be entirely scorned. But that’s the result of a chance meeting too. You’re damned right. Drink up. We’ll have another.


Charles Bukowski

(este post não tem segundas intenções)

das muitas pessoas no mundo #1

I used to think I was the strangest person in the world but then I thought, there are so many people in the world, there must be someone just like me who feels bizarre and flawed in the same ways I do. I would imagine her, and imagine that she must be out there thinking of me too. Well, I hope that if you are out there and read this and know that, yes, it’s true I’m here, and I’m just as strange as you.


Frida Kahlo, The Diary of Frida Kahlo: An Intimate Self-Portrait


i like sad songs. they make me want to lie on the floor

i've been just a big sentimental fool. it's a tendency i have

Os romances são vidas segundas, vidas paralelas às nossas. Como os sonhos de que fala o poeta francês Gérard de Nerval, os romances revelam o colorido e as complexidades das nossas vidas e estão cheios de gente, rostos e objectos que pensamos reconhecer. Tal como nos sonhos, quando estamos a ler romances somos, por vezes, tão fortemente atingidos pela natureza extraordinária das coisas com que deparamos que chegamos a esquecer onde estamos e vemo-nos no meio de acontecimentos e pessoas imaginários que se nos apresentam pela frente. Nessas alturas, sentimos que o mundo ficcional com que deparamos e a que nos entregamos com entusiasmo é mais real do que o próprio mundo da realidade quotidiana. Que essa vida paralela, essa vida segunda possa parecer-nos mais real do que a realidade significa frequentemente que substituímos a realidade pelos romances, ou pelo menos que confundimos a realidade do romance com a da vida real. Mas nunca nos queixamos, nunca nos arrependemos dessa ilusão, dessa ingenuidade. Pelo contrário, como quando temos certos sonhos, queremos que o romance que estamos a ler continue e esperamos que essa vida paralela provoque em nós um sentido sólido, consistente de realidade e de autenticidade. Apesar de tudo o que conscientemente sabemos sobre ficção, ficamos contrariados e decepcionados se um romance não consegue criar a ilusão de uma verdadeira vida, de uma vida que estamos realmente a viver.

Orhan Pamuk, O Romancista Ingénuo e o Sentimental


por isso sublinhem. sublinhem os vossos livros (e os dos outros)

someone should write me a love poem but i'm stuck doing it myself

1. When I was in high school, I had to memorize the conjugation of the latin verb "to love."

2. I have no idea what happened to my mother's wedding ring. Last night at 12:17 am, I really needed to know.

3. "Beautiful" and "amazing" just mean "beautiful" and "amazing." Nothing more.

4. I memorized the latin verb by singing the forms to the
tune of "the mexican hat dance":
amo
amas
amat

amamus
amatis
amant

5. Someone called at 1:19 in the morning. the area code is from somewhere in arizona. I don't think i know anyone in arizona. there wasn't a message.

6. If someone lets you sleep over and has to go to work while you're still asleep and they let you sleep in even though though they don't really know you, it's nice to leave a thank you note. or make their bed.

7. I haven't been beautiful in days and I need more sleep. don't think about it too much. it doesn't mean a thing.

8. I have had my shirts altered so i can wear my heart on my sleeve.

9. Told me I'm beautiful and amazing and where are you, who told me I'm beautiful and amazing, next time please write it down, I will be beautiful all day after I make the
bed, amazing after I throw the latex away; how is it, the everywhere of our hands and no trace of handwriting anywhere.

10. I still sing:
amo
amas
amat

amamus
amatis
amant


Daphne Gottlieb

beijos atabalhoados

The Kiss, William Heise, 1896

é que melhor não há

mais pessoas do meu sitemeter

«como afastar osgas das paredes»

outra vez?! este blog reduz-se a osgas e all bran. mnhami mnhami

pessoas do meu sitemeter

«ja nao vivo sem all bran»

mas o que é que se passa convosco e os cereais??

mas não existem alturas certas para amar, pois não?


entrevistas a Deleuze por Claire Parnet, 1988-1989

ao homem dos meus sonhos

vem, pergunta-me se gosto de laranjas, canta-me o lili marleen ao ouvido, mas até lá, espera por mim

Eu não tinha muita coisa e hoje tenho
a soma dos teus passos quando desces
a correr os nossos treze degraus e
me prometes: até logo. Mas se
nada (ou só o nada) está escrito,
quem mais ama é quem mais tem
a recear. Com isso, passo as horas
num rebate de dramáticos motivos:
engano-me na roda dos temperos,
ponho sal na cafeteira, maionese
no saleiro, vejo o mel mudar de cor
e se me chama o telefone empalideço
como o rosto do relógio da cozinha.
Só sossego quando as gatas me garantem
que chegaste e posso então, aliviado,
unir-me ao coro de miaus que te recebe,
para mais uma noite roubada ao escuro.


José Miguel Silva

não acredito na morte porque acredito que quando alguém morre foi apenas dar uma volta pela cidade

vezes por ano celebramos o aniversário dos mortos
miramos os seus retratos, mas vemo-nos a nós
num espelho tão cruel quanto carinhoso
mais velhos um ano, eles, e nós
mais próximos do nosso último retrato
oh sim, fazemos anos nos mesmos dias

happy birthday, parabéns
pode-se continuar morrendo pela eternidade


Bénédicte Houart

neste dia da mulher



oiçam o viegas. com muito amor

vamos fazer limpeza, mas geral

Vamos fazer limpeza, mas geral
e vamos deitar fora as coisas todas
que não nos servem para nada, essas
coisas que não usamos já e essas
que nada fazem mais que apanhar pó,
as que evitamos encontrar porquanto
nos trazem as lembranças mais amargas,
as que nos fazem mal, enchem espaço
ou não quisemos nunca ter por perto.
vamos fazer limpeza, mas geral,
talvez melhor ainda uma mudança
que nos permita abandonar as coisas
sem sequer lhes tocar, sem nos sujarmos,
que fiquem onde sempre têm estado;
vamos embora só nós, vida minha,
para voltar a acumular de novo.
Ou vamos deitar fogo ao que nos cerca
e ficarmos em paz com essa imagem
do braseiro do mundo face aos olhos
e com o coração desabitado.


Amalia Bautista

para assim dormirmos melhor. até amanhã

Maria Cristina

Maria Cristina é sem-abrigo. Vive numa rua da baixa da cidade, perto do Teatro Nacional. Considera essa rua sua e, sempre que há estreias no teatro, incomoda-a os carros estacionados no passeio. Para além desta rua, pouca coisa tem Maria Cristina: uma corneta, roupa e papel, repartidos por quatro sacos de plástico. Em noite de estreias no teatro, Maria Cristina gosta de tocar a corneta. Acredita que só depois do seu contributo, o espectáculo pode começar.

(...)

ENTRETANTO NA RUA DE MARIA CRISTINA...

Além de compôr música erudita para uma corneta, Maria Cristina passa parte do tempo a contar as pedras da calçada da sua rua. - Pode alguma dia uma pedra ir embora? E se isso acontecer, cabe uma pedra no espaço de outra? - questiona-se amiúde. Por entre o debate das respostas, Maria Cristina confirma diariamente os 523 quadrados irregulares de calcário branco. Um a um. O fim desta actividade é celebrada a coçar-se. Maria Cristina coça-se e sorri e sorri à medida que se coça: o prurido da felicidade adensa a vontade em comichão.

(...)

ENTRETANTO NA RUA DE MARIA CRISTINA...

Mais do que fazer música com a corneta e contar as pedras da calçada da sua rua, Maria Cristina espreita duas molduras que repartiu pelo mesmo número de bolsos das calças. No Inverno, vê somente a moldura do bolso esquerdo: na fotografia, aparece a imagem a cores de uma Maria Cristina sorridente (os dentes na cara), vestida com uma t-shirt de manga cava. No Verão, a imagem muda como o bolso: Maria Cristina observa com atenção uma moldura que se revela a preto e branco (sem dentes nem cara), vestida com um grosso casaco de lã. Maria Cristina tem saudades do Verão, quando o tempo está frio e chuvoso, e do Inverno, quando o sol está quente e vigoroso.



Mário C. Brum, Discinesia em Eco

(para o que eu havia de estar guardada)

se eu fosse um vídeo




and they know just what we do / that we toss and turn at night / they're waiting to make their moves on us / the stars are out tonight

tenho 22 anos e estou cansada

Tenho 31 anos e estou cansado.
Todos os sítios me vão parecendo, finalmente,
igualmente maus.
Todas as pessoas, incluindo as que gostam de mim,
insuportáveis.
Não encontro sentido nem para o que faço
nem para as coisas que deixo por fazer.
Olho para os outros
com a absoluta certeza de quem vê
não semelhantes,
serenos, resignados, envilecidos extraterrestres.
Olho para mim
e sinto-me como se não tivesse outros com quem partilhar.
Para onde quer que eu olhe,
a insuportável mentira que faz ninho, germina, destila
este tempo, este país, este modo de viver
a que chamam
progressista, tolerante, solidário, democrático,
avançado, europeu, e melhor e melhor
que todos os existidos,
que todos os possíveis.
Este modo de viver
onde falta tudo o que foi nomeado.
Que desfez a classe trabalhadora sem uma única bala,
que encarcerou as consciências sem uma única grade,
que me afasta sem um único cassetete,
que me exclui sem um ferro candente,
sem sequer uma estrela amarela na lapela.

Este tempo
de fatos novos,
de Imperadores.


Antonio Orihuela

muito

Nunca pensei a música como uma companhia pequena, assim de redor. Foi sempre uma presença central, essencial, interior. E as vozes, porque as vozes são as pessoas a transformarem-se inteiras num instrumento, o único instrumento com coração pulmões, sonho e medo, foram o que mais me marcou. As vozes que carregam cada palavra num som até então inédito. Cada um de nós, até os que parecem apenas gralhas, temos vozes únicas que podem conter maravilha. E o virtuosismo também não me interessa. Interessa-me o genuíno. Mesmo a falha.

Quem não ama Nina Simone quando ela prolonga uma nota e aquilo lhe sai tudo desafinado e sem fôlego? É linda. Perfeita quando teve de ser perfeita. Humana e única quando falhou. Sempre intensa. Sou todo da Billie Holiday. Voz de bicho magoado, sem grande escala, mas alma para todo o tamanho de um prédio e não para o tamanho pequenino de uma mulher. Sou todo da Billie Holiday e só vou acreditar em deus se me prometerem que ela me aguarda num lugar qualquer, pousada numa nuvem a beber um vinho bom, a sorrir aos pássaros que sobem ali para aprenderem a cantar.


valter hugo mãe no Jornal de Letras do quinzenário que passou

branca de neve despede-se dos sete anões

Prometo escrever-vos, lenços que se perdem no horizonte, risos que empalidecem, rostos que caem sem peso sobre a erva húmida, onde as aranhas tecem agora as suas teias azuis. Na casa do bosque estalam, de noite, as velhas madeiras, o vento agita coçados cortinados, entra apenas a lua através das gretas. Os espelhos silenciosos, agora, que grotescos!, envenenados pentes, maçãs, malefícios, que cheiro a lugar fechado!, agora, que grotescos!. Terei saudades vossas, nunca vos esquecerei. Lenços que se perdem no horizonte. Ao longe ouvem-se pancadas secas, uma após outra as árvores sucumbem. Está à venda o jardim das cerejeiras.

Leopoldo María Panero

dos pequenos grandes consolos

e as duas resmungando as suas vidas até caírem extenuadas de sono, já muito mais tarde do que poderiam imaginar. seguramente não lhes faltaria conversa para ficarem acordadas, e isso provava o quanto se atiravam aos ouvidos uma da outra, relatadas de todos os anseios e defeitos sem segredo, constantemente reaproximadas numa amizade de sempre e para sempre.


valter hugo mãe, o apocalipse dos trabalhadores


fifteen ways to stay alive

1. Offer the wolves your arm only from the elbow down. Leave tourniquet space. Do not offer them your calves. Do not offer them your side. Do not let them near your femoral artery, your jugular. Give them only your arm.

2. Wear chapstick when kissing the bomb.

3. Pretend you don’t know English.

4. Pretend you never met her.

5. Offer the bomb to the wolves. Offer the wolves to the zombies.

6. Only insert a clean knife into your chest. Rusty ones will cause tetanus. Or infection.

7. Don’t inhale.

8. Realize that this love was not your trainwreck, was not the truck that flattened you, was not your Waterloo, did not cause massive hemorrhaging from a rusty knife. That love is still to come.

9. Use a rusty knife to cut through most of the noose in a strategic place so that it breaks when your weight is on it.

10. Practice desperate pleas for attention, louder calls for help. Learn them in English, French, Spanish: May Day, Aidez-Moi, Ayúdeme.

11. Don’t kiss trainwrecks. Don’t kiss knives. Don’t kiss.

12. Pretend you made up the zombies, and only superheroes exist.

13. Pretend there is no kryptonite.

14. Pretend there was no love so sweet that you would have died for it, pretend that it does not belong to someone else now, pretend like your heart depends on it because it does. Pretend there is no wreck — you watched the train go by and felt the air brush your face and that was it. Another train passing. You do not need trains. You can fly. You are a superhero. And there is no kryptonite.

15. Forget her name.


Daphne Gottlieb

este blog tem anti-depressivos


17 fois Cécile Cassard, Christophe Honoré, 2002


romain duris, amén

when i grow old

When I am an old woman I shall wear purple
With a red hat which doesn't go, and doesn't suit me.
And I shall spend my pension on brandy and summer gloves
And satin sandals, and say we've no money for butter.
I shall sit down on the pavement when I'm tired
And gobble up samples in shops and press alarm bells
And run my stick along the public railings
And make up for the sobriety of my youth.
I shall go out in slippers in the rain
And pick flowers in other people's gardens
And learn to spit.

You can wear terrible shirts and grow more fat
And eat three pounds of sausages at a go
Or only bread and pickle for a week
And hoard pens and pencils and beermats and things in boxes.

But now we must have clothes that keep us dry
And pay our rent and not swear in the street
And set a good example for the children.
We must have friends to dinner and read the papers.

But maybe I ought to practice a little now?
So people who know me are not too shocked and surprised
When suddenly I am old, and start to wear purple.


Jenny Joseph, Warning


(isto é a coisa mais bonita de sempre. como é que ponho corações aqui?)

ladies and gentlemen, good evening

Estás a começar a ler o novo romance Se numa noite de Inverno um viajante de Italo Calvino. Descontrai-te. Recolhe-te. Afasta de ti todos os outros pensamentos. deixa esfumar-se no indistinto o mundo que te rodeia. A porta é melhor fechá-la; lá dentro a televisão está sempre acesa. Diz aos outros: “Estou a ler! Não quero que me incomodem!”. Não devem ter-te ouvido, com aquele barulho todo; fala mais alto, grita: “Estou a começar a ler o novo romance de Italo Calvino!” Ou se não quiseres não digas nada; esperemos que te deixem em paz.
Arranja a posição mais cómoda: sentado, estendido, enroscado, deitado. Deitado de costas, de lado, de barriga. Na poltrona, no sofá, na cadeira de baloiço, na cadeira de praia, no pufe. Numa cama de rede, se tiveres alguma cama de rede. Em cima da cama, naturalmente, ou dentro da cama. Até podes pôr-te de cabeça para baixo, em posição de yoga. Com o livro virado ao contrário, bem entendido.
É claro que a posição ideal para ler nunca se consegue arranjar. Dantes lia-se de pé, diante de uma estante. As pessoas estavam habituadas a ficar de pé. Era assim que se repousava quando se estava cansado de andar a cavalo. A cavalo ninguém se lembrou alguma vez de ler; e no entanto agora essa de ler sobre o arção, com o livro pousado nas crinas do cavalo, se calhar até preso às orelhas com um adereço especial, é ideia que achas atraente. De pés nos estribos devia-se ficar com muita comodidade para ler; ter os pés soerguidos é primeira condição para desfrutar da leitura.
Bem, afinal de que estás à espera? Estende as pernas, estica também os pés numa almofada, em duas almofadas, nos braços do sofá, nas orelhas da poltrona, na mesinha de chá, na secretária, no piano, no mapa-mundo. Descalça primeiro os sapatos. Mas só se quiseres ficar de pés soerguidos, senão torna a calçá-los. E agora não fiques para aí de sapatos numa mão e livro na outra.
Regula a luz de modo a não te cansar a vista. Fá-lo já, porque assim que estiveres mergulhado na leitura, nem penses em mexer-te. Arranja-te de maneira a que a página não fique na sombra, um emaranhado de letras negras sobre fundo cinzento, uniformes como uma ninhada de ratos; mas tem cuidado para que não lhe bata de chapa uma luz demasiado forte e que não se reflicta no branco cru do papel roendo as sombras dos caracteres como um meio-dia do Sul. Tenta prever tudo o que puder evitar-te o interromper da leitura. Os cigarros ao alcance da mão, se fumares, e o cinzeiro. Que mais é que falta? Tens de ir fazer chichi? Bem, tu é que sabes.
Não é por esperares alguma coisa especial deste livro em especial. És uma pessoa que por questão de princípios já não espera nada de nada. Há muitos, mais jovens que tu mas também menos jovens, que vivem na expectativa de experiências extraordinárias; dos livros, das pessoas, das viagens, dos acontecimentos, do que o dia de amanhã lhes reserva. Tu não. Tu sabes que o melhor que se pode esperar é evitar o pior. Foi esta a conclusão a que chegaste, tanto na vida pessoal, como nas questões gerais e até mesmo mundiais. E com os livros? É isso, exactamente porque o excluíste em todos os outros campos, achas que é justo concederes-te ainda este prazer juvenil da expectativa num sector bem circunscrito como é o dos livros, onde as coisas te podem correr mal ou correr bem, mas o risco de decepção não é grave.

(...)

Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno Um Viajante

dieta

© Ernesto Timor


Deitei-me sem jantar, naquela noite
sonhei que te comia o coração.
Suponho que seria pela fome.
Enquanto devorava aquela fruta
- era doce e amarga ao mesmo tempo -
tu beijavas-me com os lábios frios,
mais frios e pálidos que nunca.
Suponho que seria pela morte.

Amalia Bautista

exclamações

olha! meio-dia! horas de apanhar o autocarro! tanta
gente! gente por todo o lado! todos tão espremidos!
curtido! aquele fulano! que trombil! e que pescoço!
setenta e cinco centímetros! pelo menos! e o galão!
o galão! não o tinha visto! o galão! é o mais curti-
do! esta agora! o galão! à volta do chapéu! um galão!
curtido! curtido a valer! ó p'ra ele a mandar vir!
o tipo do galão! com o sujeito do lado! e o que lhe
diz! o outro! tinha-o pisado! vão desatar à estalada!
de certeza! parece que não! parece que sim! ó, dá-
-lhe! dá-lhe! dá-lhe uma mordidela no olho! vá lá!
força! então, caraças! não pode ser! meteu o rabo
entre as pernas! o tipo! do pescoço comprido! com o
galão! e é p'ra um lugar vago que ele corre! olha,
olha! o fulano!
ora esta! sim, senhor! não! não estou enganado! é
mesmo ele! ali! na cour de rome! em frente da estação
de sain-lazare! a andar de um lado pró o outro! com
outro tipo! e então o que o outro lhe diz! que ele
devia acrescentar um botão! pois! um botão ao sobre-
tudo! ao sobretudo!

Raymond Queneau

poemário daqui

A. M. Pires Cabral Abel Neves Adolfo Casais Monteiro Adília Lopes Agustina Bessa-Luís Al Berto Albano Martins Alberto Pimenta Alexandra Malheiro Alexandre Nave Alexandre O'Neill Alice Turvo Alice Vieira Almada Negreiros Américo António Lindeza Diogo Ana Bessa Carvalho Ana C. Ana Caeiro Ana Cristina César Ana Duarte Ana Hatherly Ana Luísa Amaral Ana Marques Gastão Ana Martins Marques Ana Paula Inácio Ana Salomé Ana Tecedeiro Ana Teresa Pereira Ana Tinoco Andreia C. Faria André Tomé Angélica Freitas António Amaral Tavares António Botto António Dacosta António Franco Alexandre António Gancho António Gedeão António Gregório António José Forte António Manuel Pires Cabral António Maria Lisboa António Mega Ferreira António Osório António Pedro António Quadros Ferro António Ramos Pereira António Ramos Rosa António Rebordão Navarro António Reis António S. Ribeiro Aníbal Fernandes Armando Baptista-Bastos Armando Silva Carvalho Artur do Cruzeiro Seixas Bruno Béu Bruno Sousa Villar Bénédicte Houart Camilo Castelo Branco Camilo Pessanha Carlos Alberto Machado Carlos Bessa Carlos Eurico da Costa Carlos Mota de Oliveira Carlos Poças Falcão Carlos Soares Carlos de Oliveira Casimiro de Brito Catarina Nunes de Almeida Cesário Verde Cláudia R. Sampaio Cruzeiro Seixas Daniel Faria Daniel Filipe David Mourão-Ferreira David Teles Pereira Delfim Lopes Dulce Maria Cardoso Eastwood da Silva Eduarda Chiote Egito Gonçalves Ernesto Sampaio Eugénio Lisboa Eugénio de Andrade Fernando Assis Pacheco Fernando Esteves Pinto Fernando Lemos Fernando Pessoa Fernando Pinto do Amaral Fiama Hasse Pais Brandão Filipa Leal Filipe Homem Fonseca Florbela Espanca Frederico Pedreira Golgona Anghel Gonçalo M. Tavares Helder Moura Pereira Helena Carvalho Helga Moreira Henrique Manuel Bento Fialho Henrique Risques Pereira Herberto Hélder Hélia Correia Inês Dias Inês Fonseca Santos Inês Lourenço Isabel Meyrelles Joana Morais Varela Joana Serrado Joaquim Manuel Magalhães Joaquim Pessoa Jorge Carrera Andrade Jorge Gomes Miranda Jorge Melícias Jorge Roque Jorge Sousa Braga Jorge de Sena José Agostinho Baptista José Alberto Oliveira José Amaro Dionísio José António Franco José Cardoso Pires José Carlos Barros José Carlos Soares José Efe José Gomes Ferreira José Manuel de Vasconcelos José Miguel Silva José Mário Silva José Pascoal José Ricardo Nunes José Rui Teixeira José Saramago José Sebag José Tolentino Mendonça João Almeida João Bénard da Costa João Cabral de Melo Neto João Camilo João Damasceno João Ferreira Oliveira João Habitualmente João Luís Barreto Guimarães João Maia João Manuel Ribeiro João Miguel Henriques João Pacheco João Pereira Coutinho João Rodrigues João Vasco Coelho Judith Teixeira Leitão de Barros Leonor Castro Nunes Luiza Neto Jorge Luís Miguel Nava Luís Quintais Madalena de Castro Campos Mafalda Gomes Manuel A. Domingos Manuel António Pina Manuel Cintra Manuel Fúria Manuel Gusmão Manuel da Silva Ramos Manuel de Castro Manuel de Freitas Marcelino Vespeira Margarida Vale de Gato Maria Azenha Maria Gabriela Llansol Maria João Lopes Fernandes Maria Judite de Carvalho Maria Keil Maria Mergulhão Maria Sousa Maria Teresa Horta Maria Velho da Costa Maria do Rosário Pedreira Maria Ângela Alvim Marta Chaves Matilde Campilho Mendes de Carvalho Miguel Cardoso Miguel Martins Miguel Sousa Tavares Miguel Torga Miguel-Manso Mário Cesariny Mário Contumélias Mário Dionísio Mário Quintana Mário Rui de Oliveira Mário de Sá-Carneiro Mário-Henrique Leiria Nuno Araújo Nuno Bragança Nuno Júdice Nuno Moura Nuno Ramos Nuno Travanca Patrícia Baltazar Paulo José Miranda Pedro Jordão Pedro Loureiro Pedro Mexia Pedro Oom Pedro Santo Tirso Pedro Sena-Lino Pedro Tamen Pedro Tiago Piedade Araujo Sol Raquel Nobre Guerra Raquel Serejo Martins Raul Malaquias Marques Raul de Carvalho Regina Guimarães Reinaldo Ferreira Renata Correia Botelho Ricardo Adolfo Rosa Alice Branco Rosa Maria Martelo Rui Almeida Rui Baião Rui Caeiro Rui Costa Rui Cóias Rui Knopfli Rui Lage Rui Manuel Amaral Rui Nunes Rui Pedro Gonçalves Rui Pires Cabral Rute Mota Ruy Belo Ruy Cinatti Ruy Ventura Samuel Úria Sandra Andrade Sandra Costa Sebastião Alba Soares de Passos Sofia Crespo Sofia Leal Sophia de Mello Breyner Andresen Sílvio Mendes Tatiana Faia Teixeira de Pascoaes Teresa Balté Teresa M. G. Jardim Tiago Araújo Tiago Gomes Vasco Gato Vasco Graça Moura Vítor Nogueira Yvette K. Centeno gil t. sousa valter hugo mãe Ângelo de Lima

poemário dali

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