sad farewell






© Duane Michals

tens um cigarro?

sabes como magoa a madrugada?

quando passas dias inteiros
entre quatro paredes
todos os dias são inverno

tens um cigarro?

a manhã nasce sempre de ausência
e rodeada de um silêncio
tão vazio
(as memórias magoam)
faço uma lista de todas as mortes
possíveis


Maria Sousa

double exposures

© Floris Neusüss, 1961

o meu coração

Se um dia me pedires,
juro que te empresto
o meu coração, tal como
guardei na boca o pequeno deus
que te trazia tão curioso.
A sério. Deixo-te tocar nele,
sentir-lhe o peso, atirá-lo
contra a parede para depois
o apanhares e retirares a pele
de pêssego demasiado maduro.

Podes até queimá-lo
– com cuidado, por favor –
quando estiver mais frio;
ou enterrares os restos debaixo
das estrelícias, de propósito
por saberes que não as suporto.
Em troca, promete-me apenas
que depois me deixas fugir
para saber como é isso de
passar o resto da vida desembaraçada
finalmente desse peso morto.


Inês Dias

behind your walls

Behind Your Walls, Frans Zwartjes, 1970

Ninguém percebeu quanto ela tinha mudado e como lhe parecia natural estar sozinha, mostrar-se cortês e defender-se habilmente, sem ajuda. Ninguém conhecia a sóbria e vitoriosa sensação que por vezes a tomava, quando percebia até que ponto estava só.


Alice Munro, O Amor de Uma Boa Mulher

nas de livros em segunda mão

Achei que seria capaz de trabalhar na biblioteca, por isso fui até lá perguntar, embora eles não tivessem publicado nenhum anúncio. Uma mulher pôs o meu nome numa lista. Foi simpática, mas não me deu esperanças. Depois tentei o mesmo nas livrarias, escolhendo as que pareciam não ter máquina registadora. Quanto mais vazias e desarrumadas melhor. Encontrava os donos a fumar, ou dormitando atrás das suas secretárias, e nas de livros em segunda mão era frequente cheirar a gato.


Alice Munro, O Amor de Uma Boa Mulher

um estremecimento de terror

Claro que já não tinha tempo para ler. Às vezes, durante o meu trabalho à secretária, pegava num livro - mas como quem pega num objecto qualquer, e não um recipiente que tinha que esvaziar de imediato - e sentia um estremecimento de terror semelhante ao que sentimos quando, num sonho, damos por nós num edifício desconhecido, ou verificamos que nos enganámos na data de um exame, e vislumbramos nisso uma alusão a um vago cataclismo ou a um qualquer erro que nos acompanhará para toda a vida.


Alice Munro, O Amor de Uma Boa Mulher

something you've never asked for





Nymphomaniac: Vol. II, Lars von Trier, 2013

my only sin




Nymphomaniac: Vol. I, Lars von Trier, 2013

na igreja

Ao despertarem, as meninas já devem ter acabado por completo de se masturbar quando começam as orações.

Se não vos tiverdes masturbado o bastante de manhã, não deveis acabar de o fazer na missa.

Não deveis acompanhar a missa com um exemplar do Gamiani, mormente se for ilustrado.

Nunca deveis arrancar um botão das cuecas do vosso vizinho, na missa, na altura do peditório. Fazei-o antes de entrardes.

«As pessoas que saibam de algum impedimento que obste à realização deste matrimónio são obrigadas a declará-lo», proclama o padre. Trata-se, todavia, duma simples praxe. Não devereis pois erguer-vos a tais palavras a fim de revelardes confidências.

Quando vos encontrais junto duma senhora que se ajoelha arqueando os rins, não lhe pergunteis se essa posição lhe traz à ideia lembranças ternas.

Durante a catequese, se o jovem vigário vos perguntar o que é a luxúria, não lhe respondais, com risinhos, que melhor do que ele o sabeis vós e vossas amigas.

No dia da vossa primeira comunhão, se uma senhora exclamar, ao ver-vos: «Como vai linda! Até parece uma noivinha!», não deveis responder: «Só cá me falta a flor de laranjeira». Uma tal réplica seria considerada atrevida.

Se antes de irdes comungar chupardes um cavalheiro, sobretudo evitai engolir o esperma, pois desse modo deixaríeis de ficar em jejum, como deveis.

Se durante o sermão o pregador tem ar de acreditar na «pureza das raparigas cristãs», evitai rir às gargalhadas. E se à tarde foderdes na igreja de uma aldeia não laveis o cu na pia de água benta. Longe de assim purificardes o vosso pecado, agravá-lo-íeis.

Ao ajoelhardes diante do altar, não convideis em voz baixa a menina que estiver ao vosso lado a deitar-se convosco à tarde.


Pierre Louÿs, Manual de civilidade para meninas

eu também

- Não gostarias de dar-me ideia da forma como procedeste para meter conversa com ela?... - prosseguiu Colin.

- Pois bem... - disse Chick -, perguntei-lhe se gostava do Jean-Sol Patre, e respondeu-me que fazia colecção das obras dele... Respondi-lhe então: «Eu também...» Cada vez que eu dizia qualquer coisa, respondia «Eu também...», e vice-versa. Por fim, só para fazer uma experiência existencialista, eu disse: «Gosto muito de si», e ela disse: «Oh!»

- A experiência falhou - disse Colin.

- Falhou - disse Chick. - Mas ainda assim não se foi embora. Então eu disse: «Vou por ali», e ela respondeu: «Eu não», e acrescentou: «Eu cá vou por ali».

- É extraordinário - garantiu Colin.

- Então eu disse: «Eu também». E estive em toda a parte onde ela esteve.


Boris Vian, A Espuma dos Dias

às cabeçadas

O rapaz arrependeu-se:
- Não chores. Eu acredito.
- Pudera, até no escuro se bate com a cabeça na verdade.
- Cá estou às cabeçadas.


Carlos de Oliveira, Uma Abelha na Chuva

a morte sabe onde fica



Muller,
Café Muller.

A morte sabe onde fica.


Manuel de Freitas, Jukebox 1 & 2

o meu quarto (e o do proust)

As teorias de William Morris, que foram tão constantemente aplicadas por Marple e os decoradores ingleses, estabelecem que um quarto só é bonito se contiver apenas coisas que nos são úteis e que as coisas úteis, nem que seja um simples prego, não estejam dissimuladas, mas à vista.

Julgando-o segundo os princípios desta estética, o meu quarto não era de modo algum bonito, pois estava cheio de coisas que não serviam para nada e que dissimulavam pudicamente, até tornarem o seu uso extremamente difícil, as que serviam para alguma coisa.

Mas era precisamente a essas coisas que não estavam ali para minha comodidade, mas pareciam ter vindo para lá por vontade delas, que o meu quarto ia buscar para mim a beleza dele.

Todas estas coisas, que não só não podiam corresponder a nenhuma das minhas necessidades, mas comportavam até um entrave, aliás ligeiro, à satisfação delas, que evidentemente nunca tinham sido postas ali para a utilidade fosse de quem fosse, povoavam o meu quarto de pensamentos de certo modo pessoais, com aquele ar de predilecção de terem escolhido viver ali e de gostarem de ali estar, que têm muitas vezes, numa clareira, as árvores, e, à beira dos caminhos ou sobre muros velhos, as flores.


Marcel Proust, O Prazer da Leitura

chaves mágicas

Enquanto a leitura for para nós a iniciadora cujas chaves mágicas nos abrem no fundo de nós próprios a porta das habitações onde não teríamos conseguido penetrar, o papel dela na nossa vida será salutar.

É perigoso ao invés quando, em vez de nos despertar para a vida pessoal do espírito, a leitura tende a substituí-la, quando a verdade deixa de nos surgir como um ideal que só podemos realizar através do progresso íntimo do nosso pensamento e do esforço do nosso coração, mas como uma coisa material, depositada entre as folhas dos livros como um mel preparado pelos outros e que só temos de nos dar ao trabalho de alcançar nas prateleiras das estantes e de saborear em seguida passivamente num perfeito repouso de corpo e de espírito.


Marcel Proust, O Prazer da Leitura

casos de depressão espiritual

Há contudo alguns casos, alguns casos patológicos por assim dizer, de depressão espiritual, em que a leitura se pode tornar uma espécie de disciplina curativa e ser encarregada, através de incitamentos repetitivos, de reintroduzir perpetuamente um espírito preguiçoso na vida do espírito. Os livros desempenham então junto dele um papel análogo ao dos psicoterapeutas junto de certos neurasténicos.


Marcel Proust, O Prazer da Leitura

corrida de ratos

- Corrida de ratos... É a designação perfeita para a nossa vida - afirmou. - Andamos sempre a correr, a correr, e nunca perguntamos para onde. Já alguma vez ouviste falar em ter-se mais do que se quer, para depois já não se poder querer mais nada e começar-se a procurar mais qualquer coisa que se queira? Parece que andamos sempre à procura de qualquer coisa que nos satisfaça sem nunca a encontrarmos. Talvez a encontrássemos se perdêssemos a nossa frieza.


S. E. Hinton, Os Marginais

tanto silêncio

Há que fazer
uma ampliação
nesta casa

já não há onde
guardar
tanto silêncio


Carmen Gloria Berríos, trad. Maria Sousa

the fantastic flying books

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, William Joyce and Brandon Oldenburg, 2011

love poem

It's so nice
to wake up in the morning
all alone
and not have to tell somebody
you love them
when you don't love them
any more.


Richard Brautigan

carta a humphrey bogart, já de muito longe

As janelas
estão todas
fechadas. Se alguém toca
ninguém abre. Estará

vazia a casa?
É Fevereiro, é
Março, é Abril: abro o

frigorífico. Não há cadáveres em casa. Meu caro
Humphrey Bogart
a tua imagem do
homem que não

ri, hóspede solitário
numa casa que já
só tem fachada
em pleno Beverly

Hills. Mas o copo na mão
não treme. É Maio, Junho, Julho.
É Agosto, Setembro, Outubro.

Não se ouvem passos no caminho de saibro. Não há
cadáveres em casa. E todas as janelas
para sempre fechadas depois daquele único


                                     tiro.


Rolf Dieter Brinkmann, O Cinema em Palavras 

o meu abismo debaixo de água

QUANDO OS SONHOS NÃO VÃO LONGE, correm até à infância e voltam brancos, por grandes alamedas de tristeza e de bruma, a alturas que o olhar não toca, lá onde tu estás e eu não chego. Queria acariciar os teus cabelos mortos, deixar cair entre os nossos espaços o tempo cheio de espaços antes da escuridão acabar de roer a forma da tua sombra.

    Quando há uma cama demasiado larga às cinco e dez da manhã: lágrimas, lágrimas - lágrimas. Quando se ouvem passos e não são os teus passos, quando o silêncio não é a pausa da tua respiração, quando não há essa força e esse fogo, essa paz do corpo que torna invulnerável - oh, é muito simples: o pensamento pára
      tem que parar
             pára

Quando as urtigas nascem por toda a parte, queimam, quando os pântanos alastram e as areias movediças, e a tua mão não está lá, a mão cujos dedos eu conhecia como se conhece um filho, a mão-rocha e a mão-mulher, a mão-sol, a mão-filipêndula batida pelo vento, mas enfrentando-o - é-se como o veado ferido que agoniza em silêncio.

   O que vem depois, vem como o sangue depois de um corte fundo, não pára, mas falta-nos metade das nossas veias, metade dos nossos nervos, metade da nossa pele esfolada, metade do nosso coração gelado. Estou meio cego, perdi metade da minha idade. Falta a sombra dos teus cabelos, a raiz dos teus dentes, o meu abismo debaixo de água.


Ernesto Sampaio, Fernanda

um nome inscrito na minha carne

OS DIAS PASSAM COMO NUVENS e a sua sombra sobre a terra. O mobiliário não mudou: prédios, automóveis, aves cujo voo as espingardas interrompem, tardes fechadas, amor destruído. O deus cerca-nos quando quer, ou deixa-nos, deixa o universo dupla, triplamente deserto. A sua própria dor escapa-nos. É para um céu vazio que ergo os meus olhos e as minhas mãos. Adeus, luz que giravas sobre o mundo. Adeus, beleza das horas. A lua sobre a casa. Os morcegos sobre a lua. A lua sobre o pântano. A lua no fundo do pântano. A lua sobre as árvores. A brisa nas árvores. A bruma nos campos.

    Que me importam estes desenhos animados, este vazio. Murmuro o teu nome. Não há mais mundo senão o amor de ti. Tu não te desdizes. Quase não te afastas. Quase não ouço os mortos que estão atrás de ti. Não se decide pelos mortos. Pesam nas raízes como uma terra mais escura. E o caminho das sementes insinua-se entre eles e essa lei confusa que proferem. Astros queimados de sal, nada pode impedi-los de governar por dentro. Permanecer por dentro. Endurecer contra a casca. É por dentro que negamos ao vazio o seu reino. É lá que a tua sombra ainda está nos meus olhos. Não espero desfazer o desejo com a divagação do desejo, porque há um nome inscrito na minha carne, um nome, um grito imóvel na duração dos astros, um insecto com o aprumo dos mortos.


Ernesto Sampaio, Fernanda


"Desde a morte de Fernanda Alves já não sabia viver. 
É a única pessoa que conheço que morreu de amor".


Mário Cesariny

se eu fosse um vídeo


(don't be afraid)

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra


Paulo Leminski

dores na alma, oh dores na alma!

wayfaring stranger

© Nicholas and Sheila Pye

poemário daqui

A. M. Pires Cabral Abel Neves Adolfo Casais Monteiro Adília Lopes Agustina Bessa-Luís Al Berto Albano Martins Alberto Pimenta Alexandra Malheiro Alexandre Nave Alexandre O'Neill Alice Turvo Alice Vieira Almada Negreiros Américo António Lindeza Diogo Ana Bessa Carvalho Ana C. Ana Caeiro Ana Cristina César Ana Duarte Ana Hatherly Ana Luísa Amaral Ana Marques Gastão Ana Martins Marques Ana Paula Inácio Ana Salomé Ana Tecedeiro Ana Teresa Pereira Ana Tinoco Andreia C. Faria André Tomé Angélica Freitas António Amaral Tavares António Botto António Dacosta António Franco Alexandre António Gancho António Gedeão António Gregório António José Forte António Manuel Pires Cabral António Maria Lisboa António Mega Ferreira António Osório António Pedro António Quadros Ferro António Ramos Pereira António Ramos Rosa António Rebordão Navarro António Reis António S. Ribeiro Aníbal Fernandes Armando Baptista-Bastos Armando Silva Carvalho Artur do Cruzeiro Seixas Bruno Béu Bruno Sousa Villar Bénédicte Houart Camilo Castelo Branco Camilo Pessanha Carlos Alberto Machado Carlos Bessa Carlos Eurico da Costa Carlos Mota de Oliveira Carlos Poças Falcão Carlos Soares Carlos de Oliveira Casimiro de Brito Catarina Nunes de Almeida Cesário Verde Cláudia R. Sampaio Cruzeiro Seixas Daniel Faria Daniel Filipe David Mourão-Ferreira David Teles Pereira Delfim Lopes Dulce Maria Cardoso Eastwood da Silva Eduarda Chiote Egito Gonçalves Ernesto Sampaio Eugénio Lisboa Eugénio de Andrade Fernando Assis Pacheco Fernando Esteves Pinto Fernando Lemos Fernando Pessoa Fernando Pinto do Amaral Fiama Hasse Pais Brandão Filipa Leal Filipe Homem Fonseca Florbela Espanca Frederico Pedreira Golgona Anghel Gonçalo M. Tavares Helder Moura Pereira Helena Carvalho Helga Moreira Henrique Manuel Bento Fialho Henrique Risques Pereira Herberto Hélder Hélia Correia Inês Dias Inês Fonseca Santos Inês Lourenço Isabel Meyrelles Joana Morais Varela Joana Serrado Joaquim Manuel Magalhães Joaquim Pessoa Jorge Carrera Andrade Jorge Gomes Miranda Jorge Melícias Jorge Roque Jorge Sousa Braga Jorge de Sena José Agostinho Baptista José Alberto Oliveira José Amaro Dionísio José António Franco José Cardoso Pires José Carlos Barros José Carlos Soares José Efe José Gomes Ferreira José Manuel de Vasconcelos José Miguel Silva José Mário Silva José Pascoal José Ricardo Nunes José Rui Teixeira José Saramago José Sebag José Tolentino Mendonça João Almeida João Bénard da Costa João Cabral de Melo Neto João Camilo João Damasceno João Ferreira Oliveira João Habitualmente João Luís Barreto Guimarães João Maia João Manuel Ribeiro João Miguel Henriques João Pacheco João Pereira Coutinho João Rodrigues João Vasco Coelho Judith Teixeira Leitão de Barros Leonor Castro Nunes Luiza Neto Jorge Luís Miguel Nava Luís Quintais Madalena de Castro Campos Mafalda Gomes Manuel A. Domingos Manuel António Pina Manuel Cintra Manuel Fúria Manuel Gusmão Manuel da Silva Ramos Manuel de Castro Manuel de Freitas Marcelino Vespeira Margarida Vale de Gato Maria Azenha Maria Gabriela Llansol Maria João Lopes Fernandes Maria Judite de Carvalho Maria Keil Maria Mergulhão Maria Sousa Maria Teresa Horta Maria Velho da Costa Maria do Rosário Pedreira Maria Ângela Alvim Marta Chaves Matilde Campilho Mendes de Carvalho Miguel Cardoso Miguel Martins Miguel Sousa Tavares Miguel Torga Miguel-Manso Mário Cesariny Mário Contumélias Mário Dionísio Mário Quintana Mário Rui de Oliveira Mário de Sá-Carneiro Mário-Henrique Leiria Nuno Araújo Nuno Bragança Nuno Júdice Nuno Moura Nuno Ramos Nuno Travanca Patrícia Baltazar Paulo José Miranda Pedro Jordão Pedro Loureiro Pedro Mexia Pedro Oom Pedro Santo Tirso Pedro Sena-Lino Pedro Tamen Pedro Tiago Piedade Araujo Sol Raquel Nobre Guerra Raquel Serejo Martins Raul Malaquias Marques Raul de Carvalho Regina Guimarães Reinaldo Ferreira Renata Correia Botelho Ricardo Adolfo Rosa Alice Branco Rosa Maria Martelo Rui Almeida Rui Baião Rui Caeiro Rui Costa Rui Cóias Rui Knopfli Rui Lage Rui Manuel Amaral Rui Nunes Rui Pedro Gonçalves Rui Pires Cabral Rute Mota Ruy Belo Ruy Cinatti Ruy Ventura Samuel Úria Sandra Andrade Sandra Costa Sebastião Alba Soares de Passos Sofia Crespo Sofia Leal Sophia de Mello Breyner Andresen Sílvio Mendes Tatiana Faia Teixeira de Pascoaes Teresa Balté Teresa M. G. Jardim Tiago Araújo Tiago Gomes Vasco Gato Vasco Graça Moura Vítor Nogueira Yvette K. Centeno gil t. sousa valter hugo mãe Ângelo de Lima

poemário dali

A. E. Housman Abbas Kiarostami Abel Feu Adelaide Ivánova Adrienne Rich Adélia Prado Agota Kristof Al Purdy Alberto Tugues Alda Merini Aldous Huxley Alejandra Pizarnik Alejandro Jodorowsky Alexander Demidov Alfredo Veiravé Alice Walker Allen Ginsberg Amalia Bautista Amiri Baraka Amy Lowell Amy M. Homes Ana Merino André Breton Andrés Trapiello Angela Carter Anis Mojgani Anna Akhmatova Anna Kamienska Anne Carson Anne Perrier Anne Sexton Antonia Pozzi Antonin Artaud Antonio Gamoneda Antonio Orihuela Antonio Pérez Morte Antonio Sáez Delgado Arnold Lobel Arseny Tarkovsky Arthur Rimbaud Basilio Sánchez Benjamín Prado Bernard-Marie Koltès Billy Collins Boris Vian Brett Elizabeth Jenkins Brian Andreas Brian Patten Carl Phillips Carl Sandburg Carlos Drummond de Andrade Carlos Edmundo de Ory Carlos Marzal Carmen Gloria Berríos Carol Ann Duffy Cecília Meireles Cesare Pavese Charles Baudelaire Charles Bukowski Charles Dana Gibson Charles M. Schulz Chen Bolan Christoph Wilhelm Aigner Clarice Lispector Constantino Cavafy Corey Zeller Countee Cullen Cristopher Painter Cristovam Pavia Czesław Miłosz Damien Sevhac Daniel Clowes Daniel Francoy Daniel Pennac Daphne Gottlieb David Bowie David Lagmanovich David Lehman Delia Brown Delmore Schwarts Derek Walcott Derrick Brown Diamanda Galás Diane Ackerman Djuna Barnes Don Herold Dorianne Laux Dorothea Lasky Dorothy Parker Douglas Huebler Dylan Thomas E. E. Cummings E. Ethelbert Miller E. M. Cioran Edgar Allan Poe Edna O'Brien Eduarda Chiote Eduardo Bechara Eeva-Liisa Manner Egito Gonçalves Eleanor Farjeon Elie Wiesel Elis Regina Elizabeth Bishop Elizabeth Ross Taylor Else Lasker-Schuler Elsie Wood Elías Moro Emily Dickinson Emily Kagan Trenchard Erin Dorsey Eunice de Souza Fabiano Calixto Federico Díaz-Granados Federico García Lorca Fernando Arrabal Fernando Caio de Abreu Fernando Echevarría Fernando Gandra Ferreira Gular Forough Farrokhzad Francisco Madariaga Frank O'Hara Frederico Pedreira Félix Grande G. K. Chesterton Gabriel Celaya Geir Gulliksen Georges Bataille Gerrit Komrij Giovanny Gómez Giánnis Ritsos Glória Gervitz Gottfried Benn Guillaume Apollinaire Gustavo Adolfo Bécquer Gustavo Ortiz Günter Kunert H. P. 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