história trágica com final feliz

História Trágica Com Final Feliz, Regina Pessoa, 2005

onde amanhece

Mas levo comigo tudo
o que recuso.
Sinto colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece.


Nuno Júdice

with my journal

I spend more time with my journal
than I spend with myself.
The end.


Mary Ruefle

história dos reis de sião

O Rei de Sião teve primeiro duas filhas, e chamou-lhes Noite e Dia. Depois teve outras duas; mudou pois o nome das primeiras e deu às quatro o nome das estações: Primavera e Outono, Inverno e Verão. Mas com o correr do tempo teve mais três, e tornou a mudar-lhes os nomes, e chamou a todas sete pelos dias da semana. Mas quando nasceu a oitava filha, ficou sem saber o que fazer; até que de repente se lembrou dos meses do ano. A Rainha disse que só havia doze, e que lhe fazia confusão ter de estar sempre a lembrar-se de tantos nomes novos, mas o Rei tinha um espírito metódico; e, quando tomava uma decisão, não mudava de ideias, mesmo que quisesse. Mudou o nome de todas as filhas, e chamou-lhes Janeiro, Fevereiro, Março (embora, claro, em siamês), até chegar à mais nova, a quem chamou Agosto; e a seguinte foi baptizada Setembro.
- Assim fica só Outubro, Novembro e Dezembro - disse a Rainha. - E depois temos de começar tudo outra vez.
- Não, não temos, - disse o Rei - porque me parece que doze filhas chegam muito bem para um homem; e, depois do nascimento da querida Dezembro, serei, embora contrariado, obrigado a cortar-te a cabeça.
Chorou amargamente quando o disse, porque era extremamente amigo da Rainha. É claro que isto preocupou grandemente a Rainha, por saber que entristeceria muito o Rei o ter de cortar-lhe a cabeça. O que para ela, de resto, também não seria muito agradável. Mas aconteceu que nenhum deles teve necessidade de se preocupar, porque Setembro foi a última filha que tiveram. Depois dela a Rainha só teve filhos; baptizaram-nos pelas letras do alfabeto e, por isso, durante muito tempo não houve motivo para ansiedades, pois ela não passou da letra J.


Somerset Maugham, Não posso cantar se não for livre; e, se não cantar, morro

se for preciso

Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso.


Maria Teresa Horta

o amor eterno

inventaram um amor eterno. trouxeram-no em braços para o meio das pessoas e ali ficou, à espera que lhe falassem. mas ninguém entendeu a necessidade de sedução. Pouco a pouco, as pessoas voltaram a casa convictas de que seria falso alarme, e o amor eterno tombou no chão. não estava desesperado, nada do que é eterno tem pressa, estava só surpreso. um dia, do outro lado da vida, trouxeram um animal de duzentos metros e mil bocas e, por ocupar muito espaço, o amor eterno deslizou para fora da praça. ficou muito discreto, algo sujo. foi como um louco o viu e acreditou nas suas intenções. carregou-o para dentro do seu coração, fugindo no exacto momento em que o animal de duzentos metros e mil bocas se preparava para o devorar.


valter hugo mãe

verdade

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo
tão verdade!


Almada Negreiros

the mist

© Olaf Martens

quiet as death

twice in one week
i have been referred to
as emotionally cold
twice this month
i've been referred to
as manipulative
once someone told me
they were tired of
managing me and my
emotions
one man said that
i humiliate myself publicly
and need self respect
another man said i was
morbid
because of my taste in movies
one man tells me he loves me
and another says he
did love me and
always will but
not as much as her
all i can think of
is that i want you all
to be quiet
very quiet
quiet as death
so i can think about
myself
without your cries
and wails and fits
of interpretation
the most comforting thing
anyone has ever said
in regard to me
was that i
am just a person
living my life
but he was
a bastard


Kendra Grant

um rio

Um rio de escondidas luzes
atravessa a invenção da voz:
avança lentamente
mas de repente
irrompe fulminante
saindo-nos da boca

No espantoso momento
do agora da fala
é uma torrente enorme
um mar que se abre
na nossa garganta

Nesse rio
as palavras sobrevoam
as abruptas margens do sentido


Ana Hatherly

once upon a time

One day,
we will find our lost doves again.
And then,
Beauty will hold
the hands of kindness-
once more.

**&**

That day,
the least of the enchanting songs, flowing in the air-
will be the sound of the stroke of a kiss!

And men,
won't be-
but brothers-
to other men.

**&**

That day,
Locks, fences and blocked gates-
won’t be but the obsolete remnants of the past.
And Heart,
the purity of hearts,
will again rule,
will again stand-
as the spring of life, survival-
and the only means to last.

In that day,
all words will speak of  nothing-
but of Love.
So, you and I,
will no longer search-
for the right words, phrases, terms-
to bring your talks to a term.

**&**

In that day,
all words will be versed in a sole air:
The Air of Life!
So that I will no longer hunt-
for the rhythm, for the beat, for the rhyme.

**&**

In that day,
every mouth will open-
to sing a song.
And the least of the songs,
will be the soundof the stroke of a kiss!

**&**

It will be the day-
of Your Advent!
The day you will arrive-
And Beauty will walk with Kindness
at last.

And that day,
we find our lost doves again.

**&**

Now,
I am longing.
I am longing now,
awaiting the Day.

Even though,
I know:
On the awaited day
On that day, I may-
be no longer here.
Yes, no longer here...


Forough Farrokhzad

hoje, amanhã, nunca mais

vamos. vamos agora, não precisamos de voltar. hoje, amanhã, nunca mais.

double exposures

© Floris Neusüss, 1961

só o fogo

Sou voraz não me apego
ao abrigo da alma

Sou o corpo o incêndio
só o fogo
me acalma


Maria Teresa Horta

always a little sad

L'amant, Jean-Jacques Annaud, 1992

o jogo das nuvens

Outras vezes, porém, o céu parece que foi varrido, e as faixas leves de nuvens não têm uma direcção precisa, mas atravessam de forma estranha e aleatória a atmosfera mais alta. Uma outra forma, mais rara, mas mais bela, surge quando uma grande parte do céu se apresenta como que coberta por uma grelha. Todos estes casos correspondem à designação de cirrus, tal como aquelas nuvens que pairam levemente e se atravessam à frente da Lua.


Johann Wolfgang Goethe

se eu fosse um vídeo

the saddest lines

Tonight I can write the saddest lines.
Write, for example,'The night is shattered
and the blue stars shiver in the distance.'

The night wind revolves in the sky and sings.

Tonight I can write the saddest lines.
I loved her, and sometimes she loved me too.

Through nights like this one I held her in my arms
I kissed her again and again under the endless sky.

She loved me sometimes, and I loved her too.
How could one not have loved her great still eyes.

Tonight I can write the saddest lines.
To think that I do not have her. To feel that I have lost her.

To hear the immense night, still more immense without her.
And the verse falls to the soul like dew to the pasture.

What does it matter that my love could not keep her.
The night is shattered and she is not with me.

This is all. In the distance someone is singing. In the distance.
My soul is not satisfied that it has lost her.

My sight searches for her as though to go to her.
My heart looks for her, and she is not with me.

The same night whitening the same trees.
We, of that time, are no longer the same.

I no longer love her, that's certain, but how I loved her.
My voice tried to find the wind to touch her hearing.

Another's. She will be another's. Like my kisses before.
Her voide. Her bright body. Her inifinite eyes.

I no longer love her, that's certain, but maybe I love her.
Love is so short, forgetting is so long.

Because through nights like this one I held her in my arms
my sould is not satisfied that it has lost her.

Though this be the last pain that she makes me suffer
and these the last verses that I write for her.


Pablo Neruda

a torre de pisa

A torre de Pisa
em Itália
como qualquer torre
não fala

Inclina-se
para a frente
e cumprimenta
a gente

Não é como
a torre de Belém
que não cumprimenta
ninguém


António José Forte

cotton candy angels

Quando eu era criança gostava muito de olhar as nuvens. Havia umas redondinhas muito luminosas que se amontoavam por vastas áreas do azul do céu que os meus olhos percorriam encantados. Uma vez perguntei: o que é aquilo? São os anjinhos, responderam-me, e eu acreditei porque era verdade.


Ana Hatherly

ó minha senhora,

ponha-se mais ali para o lado que o que me está a enervar já é que chegue. está a ouvir-me falar consigo, ou quê. andamento. estou aqui, estou a perder a educação para lhe mostrar como se emancipam as mulheres numa cena de igualdade física de comover. ou então, vá lá, por favor, está a pisar-me o pé há uns minutos e eu lingrinhas sofro. não se importa. muito obrigado


valter hugo mãe

asking for roses

A house that lacks, seemingly, mistress and master,
With doors that none but the wind ever closes,
Its floor all littered with glass and with plaster;
It stands in a garden of old-fashioned roses.

I pass by that way in the gloaming with Mary;
'I wonder,' I say, 'who the owner of those is.'
'Oh, no one you know,' she answers me airy,
'But one we must ask if we want any roses.'

So we must join hands in the dew coming coldly
There in the hush of the wood that reposes,
And turn and go up to the open door boldly,
And knock to the echoes as beggars for roses.

'Pray, are you within there, Mistress Who-were-you?'
'Tis Mary that speaks and our errand discloses.
'Pray, are you within there? Bestir you, bestir you!
'Tis summer again; there's two come for roses.

'A word with you, that of the singer recalling--
Old Herrick: a saying that every maid knows is
A flower unplucked is but left to the falling,
And nothing is gained by not gathering roses.'

We do not loosen our hands' intertwining
(Not caring so very much what she supposes),
There when she comes on us mistily shining
And grants us by silence the boon of her roses.


Robert Frost

naufrágios

© Susanna Majuri

era uma vez

Um dia o céu
veio pelo molhe até aos meus pés
e verde era o teu cabelo
como então ali
à noite o mar.

Uma vez era uma vez
a história
construía-se na areia
para sempre
com levíssimos
pés de mármore.


Cruzeiro Seixas

Pés, para que preciso deles,

Se tenho asas para voar.


Frida Kahlo

hands

A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão


Daniel Faria

eu gosto tanto de ti que até me prejudico

tropeçando

tomo o caminho por onde vieste
tropeçando como os que não
têm olhos


José Tolentino Mendonça

when I was a little girl

When I was a girl, my life was music that was always getting louder. Everything moved me. A dog following a stranger. That made me feel so much. A calendar that showed the wrong month. I could have cried over it. I did. Where the smoke from a chimney ended. How an overturned bottle rested at the edge of a table.
I spent my life learning to feel less.
Every day I felt less.
Is that growing old? Or is it something worse?


Jonathan Safran Foer

próxima vida

Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente:
Começar morto para despachar logo esse assunto.
Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma.
Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu.
Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se.
Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos.
Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois voilà! Acaba como um orgasmo!


Woody Allen, Prosa Completa


o sossego

sabemos criar o sossego
espesso, perante o qual
até o tempo pensa que os
peixes nadam devagar


valter hugo mãe

amor

Quando a porta se abriu
perguntaste quem era.

Não se pergunta ao amor
que nome tem.


Albano Martins

heartbeat increasing heartbeat



gostava muito de vos conseguir explicar o que eu gosto disto

PRECISA-SE

nesta noite tu estás como anúncio
PRECISA-SE
na página gasta da minha pele


Vasco Gato

no sorriso louco das mães

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.


Herberto Hélder

amor

somente as coisas tocadas pelo amor
das outras têm voz.

Fiama Hasse Pais Brandão

a morte nunca dorme

Boas tardes, em que posso servi-la, perguntou o recepcionista, Telefonaram de uma agência de viagens há um quarto de hora a fazer uma reserva para mim, Sim, minha senhora, fui eu que atendi, Pois aqui estou, Queira preencher esta ficha, por favor. Agora a morte já sabe o nome que tem, disse-lho o documento de identificação aberto sobre o balcão, graças aos óculos escuros poderá copiar discretamente os dados sem que o recepcionista se dê conta, um nome, uma data de nascimento, uma naturalidade, um estado civil, uma profissão. Aqui está, disse, Quantos dias ficará no nosso hotel, Tenciono sair na próxima segunda-feira, Permite-me que fotocopie o seu cartão de crédito, Não o trouxe comigo, mas posso pagar já, adiantado, se quiser, Ah, não, não é necessário, disse o recepcionista. Pegou no documento de identificação para conferir os dados passados para a ficha e, com uma expressão de estranheza na cara, levantou o olhar. O retrato que o documento exibia era de uma mulher mais velha. A morte tirou os óculos escuros e sorriu. Perplexo, o recepcionista olhou novamente o documento, o retrato e a mulher que estava na sua frente eram agora como duas gotas de água, iguais. Tem bagagem, perguntou enquanto passava a mão pela testa húmida, Não vim à cidade fazer compras, respondeu a morte.
Permaneceu no quarto durante todo o dia, almoçou e jantou no hotel. Viu televisão até tarde. Depois meteu-se na cama e apagou a luz. Não dormiu. A morte nunca dorme.


José Saramago, As Intermitências da Morte

visions

Eu vi, durante toda a minha vida, sem exceptuar um só, os homens de ombros estreitos praticarem actos estúpidos e numerosos, embrutecerem seus semelhantes, enfiarem o dinheiro dos outros no bolso, e perverterem as almas por todos os meios. Assim chamam eles o motivo de suas acções: a glória. Vendo esses espectáculos, eu quis rir como os outros; mas isso, estranha imitação, era impossível. Peguei um canivete cuja lâmina tinha um gume afiado, e rasguei minhas carnes nos lugares onde se reúnem os lábios. Por um instante, acreditei haver alcançado meu objectivo. Examinei em um espelho essa boca ferida por minha própria vontade! Havia sido um erro! O sangue, que corria em abundância dos dois ferimentos, não permitia distinguir, aliás, se era verdadeiramente o riso dos outros. Mas, após alguns instantes de comparação, vi muito bem que meu riso não se assemelhava ao dos humanos, ou seja, eu não ria.


Conde de Lautréamont, Os Cantos de Maldoror

esta Loucura

Embora os homens costumem ferir a minha reputação e eu saiba muito bem quanto o meu nome soa mal aos ouvidos dos mais tolos, orgulho-me de vos dizer que esta Loucura, sim, esta Loucura que estais vendo é a única capaz de alegrar os deuses e os mortais.


Erasmo de Roterdão

the bridge

© Vivian Maier

já dizia o cesariny

ama como a estrada começa

but I never know where this collision takes place

I may be sitting in a cafe listening to the music, drinking coffee. The lights are vivid, the music violent. I am keenly aware of everything, from the stain on the table to the face of the man sitting farthest from the table, aware of what the waiters are discussing. I feel my body alive and warm inside of my fur coat. I am wearing a hood with a fur edge. I feel at moments I am an actress. I feel I am a Polish countess, a Hungarian singer, an Eskimo princess, all out of novels. The men always believe in my disguises. They believe. They never step behind the stage to say: “You’re lying. You were lying when you sewed the hood. You’re not what you seem to be.” If I answer: “What am I?,” this only precipitates my departure. As soon as someone denies my existence, appearance, and I am exposed as a disguised being, as a spy from another world, this other world opens its luminous jaws and engulfs me. I am here only while someone believes in me, while some human being swears to my presence and loves me.


Anaïs Nin, Nearer the Moon

esta noite

esta noite dormi vestida e tive frio, um frio
feito de tudo com que atulhámos a distância.


Rosa Alice Branco

o amor

...se lhes gritasse:
"o amor entranha-se na mais pequena porção do espaço"

saberiam que falo do meu corpo?...


Rosa Alice Branco

mankind is no island

Mankind Is No Island, Jason van Genderen, 2008

o amor

O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da provocação:
é assim que te faço arder triunfalmente onde e quando quero.

basta-me fechar os olhos.


Alexandre O'Neill

flores carnívoras

Onde está a madrugada está a revelação de um vidro interior:
Então tu fechas e abres os olhos.

Então tu pensas: os dedos como flores carnívoras.


Vasco Gato

os livros

That is part of the beauty of all literature:
You discover that your longings are universal longings, that you’re not lonely and isolated from anyone. You belong.


F. Scott Fitzgerald

o amor

Tudo o que precisamos é amor
mas um bocadinho de chocolate
de vez em quando não faz mal nenhum.


Charles M. Schulz

se eu fosse um vídeo

o meu nome acordou

povoado pelo teu nome

Vasco Gato

How lovely wetness makes the flesh

our bodies will declare
when we step from this shining pool
into the shining air
How lovely passion makes the lips
our kiss will testify
when we step from this brilliant earth
into the brilliant sky

Tennessee Williams


(o fundo das coisas nas coisas sem fundo

cair-me todo para caber no mundo)

Pedro Sena-Lino

the ballad of the lonely masturbator

The end of the affair is always death.
She’s my workshop. Slippery eye,
out of the tribe of myself my breath
finds you gone. I horrify
those who stand by. I am fed.
At night, alone, I marry the bed.
Finger to finger, now she’s mine.

She’s not too far. She’s my encounter.

I beat her like a bell. I recline
in the bower where you used to mount her.
You borrowed me on the flowered spread.
At night, alone, I marry the bed.
Take for instance this night, my love,
that every single couple puts together
with a joint overturning, beneath, above,
the abundant two on sponge and feather,
kneeling and pushing, head to head.
At night alone, I marry the bed.
I break out of my body this way,
an annoying miracle. Could I
put the dream market on display?
I am spread out. I crucify.
My little plum is what you said.
At night, alone, I marry the bed.
Then my black-eyed rival came.
The lady of water, rising on the beach,
a piano at her fingertips, shame
on her lips and a flute’s speech.
And I was the knock-kneed broom instead.
At night, alone, I marry the bed.
She took you the way a woman takes
a bargain dress off the rack
and I broke the way a stone breaks.
I give back your books and fishing tack.
Today’s paper says that you are wed.
At night, alone, I marry the bed.
The boys and girls are one tonight.
They unbutton blouses. They unzip flies.
They take off shoes. They turn off the light.
The glimmering creatures are full of lies.
They are eating each other. They are overfed.
At night, alone, I marry the bed.


Anne Sexton

09:09

© Olaf Martens

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade

Stop all the clocks, cut off the telephone,

Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.


W. H. Auden


words

e vinha a luz.
e guardava-te

e eu guardava-te
também

em lugares mais seguros
que fotografias
ou poemas


gil t. sousa

Quando estou mal disposto

(e estou-o muitas vezes...)
mudo o sentido às frases,
complico tudo...

Alexandre O'Neill

Toda a felicidade é uma obra-prima:

o menor erro falseia-a, a menor hesitação altera-a, a menor deselegância desfeia-a, a menor estupidez embrutece-a.

Marguerite Yourcenar

«mais»

Quero dizer mais
e digo: mais

Mas cada vez
digo menos
o mais que sei
e sinto


Ana Hatherly

poemário daqui

A. M. Pires Cabral Abel Neves Adília Lopes Adolfo Casais Monteiro Agustina Bessa-Luís Al Berto Albano Martins Alberto Pimenta Alexandra Malheiro Alexandre Nave Alexandre O'Neill Alice Turvo Alice Vieira Almada Negreiros Ana C. Ana Caeiro Ana Cristina César Ana Duarte Ana Hatherly Ana Luísa Amaral Ana Marques Gastão Ana Paula Inácio Ana Salomé Ana Tinoco André Tomé Andreia C. Faria Angélica Freitas Ângelo de Lima Aníbal Fernandes António Botto António Dacosta António Franco Alexandre António Gancho António Gedeão António Gregório António José Forte António Manuel Pires Cabral António Maria Lisboa António Mega Ferreira António Osório António Pedro António Quadros Ferro António Ramos Pereira António Ramos Rosa António Rebordão Navarro António Reis António S. Ribeiro Armando Baptista-Bastos Armando Silva Carvalho Artur do Cruzeiro Seixas Bénédicte Houart Bruno Béu Bruno Sousa Villar Camilo Castelo Branco Carlos Alberto Machado Carlos de Oliveira Carlos Eurico da Costa Carlos Mota de Oliveira Carlos Soares Casimiro de Brito Catarina Nunes de Almeida Cesário Verde Cláudia R. Sampaio Cruzeiro Seixas Daniel Faria Daniel Filipe David Mourão-Ferreira David Teles Pereira Delfim Lopes Dulce Maria Cardoso Eastwood da Silva Egito Gonçalves Ernesto Sampaio Eugénio de Andrade Eugénio Lisboa Fernando Assis Pacheco Fernando Esteves Pinto Fernando Lemos Fernando Pessoa Fernando Pinto do Amaral Fiama Hasse Pais Brandão Filipa Leal Filipe Homem Fonseca Florbela Espanca Frederico Pedreira gil t. sousa Golgona Anghel Gonçalo M. Tavares Helder Moura Pereira Helena Carvalho Helga Moreira Hélia Correia Henrique Manuel Bento Fialho Henrique Risques Pereira Herberto Hélder Inês Dias Inês Fonseca Santos Inês Lourenço Isabel Meyrelles Joana Serrado João Almeida João Bénard da Costa João Cabral de Melo Neto João Camilo João Damasceno João Ferreira Oliveira João Habitualmente João Luís Barreto Guimarães João Manuel Ribeiro João Pacheco João Pereira Coutinho João Rodrigues João Vasco Coelho Joaquim Manuel Magalhães Joaquim Pessoa Jorge de Sena Jorge Gomes Miranda Jorge Melícias Jorge Roque Jorge Sousa Braga José Agostinho Baptista José Alberto Oliveira José Amaro Dionísio José António Franco José Cardoso Pires José Carlos Barros José Carlos Soares José Efe José Gomes Ferreira José Manuel de Vasconcelos José Mário Silva José Miguel Silva José Ricardo Nunes José Rui Teixeira José Saramago José Sebag José Tolentino Mendonça Judith Teixeira Leitão de Barros Luís Miguel Nava Luís Quintais Luiza Neto Jorge Mafalda Gomes Manuel A. Domingos Manuel António Pina Manuel Cintra Manuel da Silva Ramos Manuel de Castro Manuel de Freitas Manuel Fúria Manuel Gusmão Marcelino Vespeira Margarida Vale de Gato Maria Ângela Alvim Maria Azenha Maria do Rosário Pedreira Maria Gabriela Llansol Maria João Lopes Fernandes Maria Judite de Carvalho Maria Keil Maria Sousa Maria Teresa Horta Maria Velho da Costa Mário Cesariny Mário Contumélias Mário de Sá-Carneiro Mário Quintana Mário Rui de Oliveira Mário-Henrique Leiria Marta Chaves Matilde Campilho Miguel Cardoso Miguel Martins Miguel Sousa Tavares Miguel Torga Miguel-Manso Nuno Araújo Nuno Bragança Nuno Júdice Nuno Moura Nuno Ramos Nuno Travanca Paulo José Miranda Pedro Jordão Pedro Mexia Pedro Oom Pedro Santo Tirso Pedro Sena-Lino Pedro Tamen Piedade Araujo Sol Raquel Nobre Guerra Raul de Carvalho Regina Guimarães Reinaldo Ferreira Renata Correia Botelho Ricardo Adolfo Rosa Alice Branco Rui Almeida Rui Baião Rui Caeiro Rui Cóias Rui Costa Rui Knopfli Rui Manuel Amaral Rui Nunes Rui Pedro Gonçalves Rui Pires Cabral Rute Mota Ruy Belo Ruy Cinatti Ruy Ventura Samuel Úria Sandra Costa Sebastião Alba Sílvio Mendes Soares de Passos Sofia Crespo Sofia Leal Sophia de Mello Breyner Andresen Teixeira de Pascoaes Teresa Balté Tiago Gomes valter hugo mãe Vasco Gato Vasco Graça Moura Vítor Nogueira Yvette K. Centeno

poemário dali

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