a marca de água

Ao pôr do sol todas as cidades são maravilhosas, mas algumas são-no mais do que outras. Os relevos fazem-se mais brandos, as colunas mais redondas, os capitéis mais encaracolados, as cornijas mais resolutas, as flechas das torres mais nítidas, os nichos mais fundos, os discípulos mais bem togados, mais aéreos os anjos. Escurece nas ruas, mas continua a ser dia na Fondamenta e nesse gigantesco espelho líquido onde os barcos a motor, os vaporetti, as gôndolas, os batéis e as barcaças «como sapatos velhos em desordem» pisam diligentemente fachadas góticas e barrocas, não poupando também o nosso reflexo nem o da nuvem que passa. «Pinta», segreda-nos a luz de Inverno, detida no seu curso pela parede de tijolo de um hospital ou chegando ao destino, o paraíso do frontone de San Zaccaria, depois da sua longa travessia através do cosmos. E sentimos a fadiga dessa luz, que fica ainda a repousar, durante pouco mais de uma hora, nas conchas de mármore de San Zaccaria, enquanto a Terra oferece a sua outra face à luminária. Esta é a luz de Inverno no auge da sua pureza. Não traz consigo calor nem energia, tendo-os deixado pelo caminho algures no universo, ou nos cúmulos mais próximos. A única ambição das suas partículas é alcançar um objecto e, grande ou pequeno, torná-lo visível. É uma luz íntima, a luz de Giorgione ou Bellini, e não a de Tiepolo ou Tintoretto. E a cidade demora-se nela, saboreando o seu afago, a carícia do infinito de onde veio a luz. Um objecto é, afinal, aquilo que torna íntimo o infinito.


Joseph Brodsky

38:211

não uma e meia nem sete nem quatro, trinta e oito da madrugada, duzentas e onze da manhã, e uma escuridão infinita


António Lobo Antunes

se eu fosse um vídeo

his black hair

I am out of the dark forest of caresses, of smells, yearning to roll and bathe again in the smell of his black hair, to cover my face with it, to feel his skin, to drop into warmth, to float on worship, to swim and breathe in adoration, to put my hand around our kiss as if it is a little flame I am protecting from the wind; a mouth changing, so withdrawn at first, now flowering, filling, turning outward, hurt, melted, opened, wet. Changed the currents between the eyes, the currents between the mouths. Touched so many layers of the being, with fingers, mouths, and words. At first the eyes, lanterns and stars, candles, jungle and heaven, hell and desire.

The mouth alone touches the womb. Clouds of dreams, mists of diamond and sulfer from the eyes, but the mouth alone touches the womb, the mouth stirs, moves, flowers, the lips open, and there flows the breath of life and breathlessness of desire. The shape of the mouth shapes the currents of the blood, stirs, lifts, dissolves. To bathe, roll, turn over dizzy in a bed of warmth — no wamth like two bodies — this is the current of life.”


Anaïs Nin, Incest: From a Journal of Love

eu sabia respirar-te por entre os dedos

trémulos das manhãs.


Ana C.

The time you won your town the race

We chaired you through the market-place;
Man and boy stood cheering by,
And home we brought you shoulder-high.

To-day, the road all runners come,
Shoulder-high we bring you home,
And set you at your threshold down,
Townsman of a stiller town.

Smart lad, to slip betimes away
From fields were glory does not stay
And early though the laurel grows
It withers quicker than the rose.

Eyes the shady night has shut
Cannot see the record cut,
And silence sounds no worse than cheers
After earth has stopped the ears:

Now you will not swell the rout
Of lads that wore their honours out,
Runners whom renown outran
And the name died before the man.

So set, before its echoes fade,
The fleet foot on the sill of shade,
And hold to the low lintel up
The still-defended challenge-cup.

And round that early-laurelled head
Will flock to gaze the strengthless dead,
And find unwithered on its curls
The garland briefer than a girl's.


A. E. Housman

tantas lembranças de que não me lembro

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num sítio onde só eu ia...


Manuel António Pina, Todas as Palavras

um pouco mais

Um pouco mais
e veremos florescer as amendoeiras
os mármores brilharem ao sol
o mar a ondear

um pouco mais
para nos levantarmos um pouco mais alto.


Yorgos Seferis

se eu fosse um vídeo

poema do gato

Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?

Sempre que pode
foge para a rua,
cheira o passeio
e volta para trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.

Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga,
e ele bem sabe.


Quando abro a porta corre para mim
Como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego-lhe ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados, em êxtase,
ronronando.

Repito a festa,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas,
e rosna,
rosna, deliquescente,
abraça-me
e adormece.

Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?


António Gedeão, Novos poemas póstumos

o herberto helder

O Herberto Helder tem duas
pernas e dois braços, dois olhos,
tem nariz e boca e come, vive
numa casa, espreita pelas janelas,
por vezes sai à rua, sozinho ou
acompanhado, a falar, apanha
chuva, liga a televisão, sabe onde
fica a França, lembra-se quando
era pequenino, inclusive
teve mãe e pai. É
impressionante o quanto um poeta
se pode assemelhar
às pessoas! A última vez que
falei com ele mandou-me um abraço.


valter hugo mãe

é preciso esquecer

Eu sei, é preciso esquecer,
desenterrar os nossos mortos e voltar a enterrá-los,
os nossos mortos anseiam por morrer
e só a nossa dor pode matá-los.


Manuel António Pina, Poesia, Saudade da Prosa - Uma Antologia Pessoal

estou só a morrer em vão

Está tudo bem, mãe,
estou só a esvair-me em sangue,
o sangue vai e vem,
tenho muito sangue.

Não tenho é paciência,
nem tempo que baste
(nem espaço), deixaste-me
pouco espaço para tanta existência.

(...)

Que não se perturbe
nem intimide
o teu coração,
estou só a morrer em vão.


Manuel António Pina, Poesia, Saudade da Prosa - Uma Antologia Pessoal

morremos sozinhos

E só nós sabemos
que morremos sozinhos.
(Ao menos escaparemos
à piedade dos vizinhos)


Manuel António Pina, Poesia, Saudade da Prosa - Uma Antologia Pessoal

agora que não estou

Agora, se o telefone tocar,
diz que não estou.
Sem ironia, o meu coração teme a ironia
quase tanto como a perfeição;

e sem melancolia:
estávamos a precisar de solidão,
de silêncio, de geometria,
e as nossas lágrimas de uma grande razão.

Agora que não estou
(nem tu sabes quanto!)
tudo o que passou
sou eu regressando.

Os meus passos, não
os ouves nas escadas,
subindo as escadas
como os de um ladrão?


Manuel António Pina, Poesia, Saudade da Prosa - Uma Antologia Pessoal

(alguma coisa)

Agora estou voltado para cima,
para onde cantas ainda há muito tempo.
Se calhar isto (alguma coisa) vai demorar mas já não me impaciento.
Voltamos, tu eu, ao mesmo jardim desflorido
onde eu morro sozinho
e conversamos comigo
como com um desconhecido.
Que diremos agora um ao outro?

É tarde. Ainda há um momento
me apetecia conversar, agora estou outra vez cansado!
Reparaste como o Outono este ano veio por outro lado,
como se fosse pelo lado de dentro?


Manuel António Pina, Poesia, Saudade da Prosa - Uma Antologia Pessoal

devolve-me a minha vida e o meu tempo

Quanto mais longe, mais perto me sinto de ti, como se os teus passos estivessem aqui ao pé de mim e eu pudesse seguir-te e falar-te e dizer-te quanto te amo e como te procuro, no meio duma destas ruas em que te vejo, zangado de saudade, no céu claro, no dia frio. devolve-me a minha vida e o meu tempo. diz qualquer coisa a este coração palerma que não sabe nada de nada, que julga que andas aqui perto e chama sem parar por ti.


Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido

cigarettes are the perfect form of pleasure,

they are ephemeral and they leave us unsatisfied


Oscar Wilde

quinta-feira

© Herman Nicholson

vamos caindo ao chão, apodrecidos

passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.


Eugénio de Andrade

falo de um espelho secreto entre os meus dedos

um espelho que reflecte múltiplas imagens
um espelho que
de cada vez que alguém chama por um nome inteiro
sucede nele um tremor de terra

e o espelho quebra
ficam então os estilhaços dele
entre os meus dedos
que entraram abruptamente no meu cérebro
vejo agora e de mais perto
um rapaz com asas e sem lágrimas:

um fantasma branco de nuvens e cabelos...


Maria Azenha

e por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,

e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.


Herberto Hélder

E foram noites e foram dias

a vaguear em cegos labirintos,
caminhando descalços
por pradarias de vidro…
até chegar ao teu corpo.
Morder poemas, cores e cânticos
com a certeza do destino cumprido.
(Hoje assusta-me pensar
que podíamos não nos ter encontrado.)


Lourdes Espínola

quinhentos metros

Entre nós e o mundo há
quinhentos metros
de grito.


Vasco Gato, Cerco Voluntário

quando eu morrer, meu amor vais ver


Quando eu Morrer, Luís Vieira Campos, 2006

voo estrelado

A Águia não consegue levantar voo do solo plano; tem de subir com grande esforço para um penhasco ou para o tronco de uma árvore: daí, porém, lança-se para as estrelas.


Hugo von Hofmannsthal

2009

uma overdose de beleza

a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrerem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas

um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz

quero morrer
com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta o coração
esse
solitário caçador


Al Berto, O Medo

uma voz

Uma voz dizia que nos vinha a chuva
que mata, outra que abençoava a terra.
Uma palavra era sobre a água úbere,
outra sobre os lodos, limos e as regueiras.
Uma voz queria beber uma sede áspera,
outra clamava fogo, terra e água.


Fiama Hasse Pais Brandão, Três Rostos

shazam

Amor amor meu big amor
eu dizia shazam e tu não me ligavas

pus Mandrake a seguir-te hábil nos truques
e tu não me ligavas

em qualquer planeta verde a avançadíssimo
tu não me ligavas

estendi o meu braço Homem de Borracha até S. Martinho do Bispo
e tu não me ligavas ponta nenhuma

tu querias era casar na Sé Nova
branquingénua abusar do meu livre alvedrio

fiz-te pois um manguito do tamanho dum choupo
e cá estou pai de filhos um bocado estragado

mas não por tua causa que já não existes
ó sombra de sombra à esquina da farmácia


Fernando Assis Pacheco

pensava theodor

esboçava theodor um raciocínio cauteloso acerca da probabilidade de o desemprego ter efeito tanto no instinto de violência como no instinto oposto - o da bondade ou compaixão que se infiltra misteriosamente em determinadas pessoas, fazendo-as abandonar os seus projectos particulares para se dirigirem a causas gerais, altruístas; (...) formulava theodor a hipótese de que o bem e o mal têm origem na inactividade e no tédio, e que, portanto, a actividade concreta, especializada, dirigida individualmente, provocava, pelo contrário, uma atitude moralmente neutra em relação ao mundo; a actividade - o trabalho propriamente dito - poderia ser, então a forma de evitar os grandes horrores, os grandes massacres da história, aceitando-se porém, ao mesmo tempo, que também assim desapareceriam as condições para o aparecimento de grandes acções e de homens santos. sendo no entanto, para theodor, de uma absoluta evidência a reduzida importância dos actos bons, quando considerados num tempo longo, ao contrário dos actos de maldade pura, que se haviam transformado no verdadeiro motor da história. e este termo motor associava os factos a uma determinada velocidade, não existindo aqui qualquer consideração moral. não há motores morais ou imorais - pensava theodor -, há motores que funcionam e fazem avançar e há outros que não funcionam. a santidade, historicamente, não funcionava, e tal era, para ele, naquele momento, uma descoberta importante. o progresso depende apenas da velocidade do mal e das respostas que este provoca, murmurava para si próprio.


Gonçalo M. Tavares, Jerusalém

XXI

Todos os dias, a toda a hora, uma após outra, cruzo-me na rua com mulheres que não conheço e nunca conhecerei. Algumas são lindas, outras atraentes, outras aparentam inteligência ou outra característica mental cativante, outras ainda parecem acumular tudo isso. Se, a cada vez que tal sucede, parasse e as parasse, lhes dissesse o que penso e que indícios me fazem pensá-lo (supondo que estivessem dispostas a ouvir-me), levaria uma eternidade a percorrer um quilómetro. Concluo: a vida, esta vida, apressada e inútil, feita de correrias rumo ao vazio, foi esquiçada ao arrepio da beleza e da sua contemplação. A vida é para os brutos. Para os cegos que, como diz o provérbio, não querem ver. A vida é uma moléstia ininterrupta. Ou, se calhar, viver é outra coisa que não isto, é darmo-nos o tempo de parar na rua para dizer às mulheres por que razão são lindas.


Miguel Martins, 1 Homem Sozinho

thunder

You will hear thunder and remember me,
And think: she wanted storms. The rim
Of the sky will be the colour of hard crimson,
And your heart, as it was then, will be on fire.

That day in Moscow, it will all come true,
when, for the last time, I take my leave,
And hasten to the heights that I have longed for,
Leaving my shadow still to be with you.


Anna Akhmatova

modern love

Mauvais Sang, Leos Carax, 1986

waiting for you

Don't go far off, not even for a day, because --
because -- I don't know how to say it: a day is long
and I will be waiting for you, as in an empty station
when the trains are parked off somewhere else, asleep.


Pablo Neruda

um único extraordinário turbilhão

Lembra-te que há um querer doloroso
e de fastio a que chamam de amor.
E outro de tulipas e de espelhos
Licencioso, indigno, a que chamam desejo.
Não caminhar um descaminho, um arrastar-se
Em direcção aos ventos, aos açoites
E um único extraordinário turbilhão.
Porque me queres sempre nos espelhos
Naquele descaminhar, no pó dos impossíveis
Se só me quero viva nas tuas veias?


Hilda Hilst

se eu fosse um vídeo

esta noite chove

Ao mesmo tempo que já não te amo não amo mais nada, só a ti, ainda.
Esta noite chove. Chove em volta da casa e sobre o mar também. O filme vai ficar assim, como está. Não tenho mais imagens para lhe dar. Já não sei onde estamos, em que fim de que amor, em que recomeço de que outro amor, em que história nos perdemos. Sei apenas quanto ao filme. Apenas quanto ao filme, sei, sei que nenhuma imagem mais poderia prolongá-lo.

O dia de hoje não amanheceu e não há o menor sopro no alto das florestas ou nos campos, nos vales. Não se sabe se é o verão ainda ou o fim do verão ou uma estação mentirosa, indecisa, horrível, sem nome.

Já não te amo como no primeiro dia. Já não te amo. No entanto continuam em volta dos teus olhos, sempre, estas imensidades que rodeiam o olhar e esta existência que te anima no sono.

Continua também esta exaltação que me vem por não saber o que fazer disto, deste conhecimento que tenho dos teus olhos, das imensidades que os teus olhos exploram, por não saber o que escrever sobre isso, o que dizer, e o que mostrar da sua insignificância original. Disso, sei apenas o seguinte: que já não posso fazer nada a não ser suportar esta exaltação a propósito de alguém que estava ali, de alguém que não sabia que vivia e de quem eu não sabia que vivia, de alguém que não sabia viver dizia-te eu, e de mim que o sabia e que não sabia que fazer disso, desse conhecimento da vida que ele vivia, e que também não sabia que fazer de mim.

Dizem que o tempo do pleno verão já se anuncia, é possível. Não sei. Que as rosas já ali estão, no fundo do parque. Que às vezes não são vistas por ninguém durante o tempo da sua vida e que ficam assim ali no seu perfume esquartejadas durante alguns dias e que depois se deixam cair.
Nunca vistas por esta mulher solitária que esquece. Nunca vistas por mim, morrem.

Estou num amor entre viver e morrer. É através desta ausência do teu sentimento que reencontro a tua qualidade, essa, precisamente, de me agradares. Penso que apenas me interessa que a vida não te deixe, outra coisa não, o desenvolvimento da tua vida deixa-me indiferente, não pode ensinar-me nada sobre ti, só pode tornar-me a morte mais próxima, mais admissível, sim, desejável.

É assim que permaneces face a mim, na doçura, numa provocação constante, inocente, impenetrável.
E tu não sabes.


Marguerite Duras, O Homem Atlântico

afinal o que importa é não ter medo:

fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício.


Mário Cesariny


quando eu disser, atira-te

too young

She must have been kicked unseen or brushed by a car.
Too young to know much, she was beginning to learn
To use the newspapers spread on the kitchen floor
And to win, wetting there, the words, "Good dog! Good dog!"

We thought her shy malaise was a shot reaction.
The autopsy disclosed a rupture in her liver.
As we teased her with play, blood was filling her skin
And her heart was learning to lie down forever.

Monday morning, as the children were noisily fed
And sent to school, she crawled beneath the youngest's bed.
We found her twisted and limp but still alive.
In the car to the vet's, on my lap, she tried

To bite my hand and died. I stroked her warm fur
And my wife called in a voice imperious with tears.
Though surrounded by love that would have upheld her,
Nevertheless she sank and, stiffening, disappeared.

Back home, we found that in the night her frame,
Drawing near to dissolution, had endured the shame
Of diarrhoea and had dragged across the floor
To a newspaper carelessly left there.  Good dog.


John Updike

letra a letra

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


Alexandre O'Neill

validation


Validation, Kurt Kuenne, 2007

às dores inventadas prefere as reais.

doem muito menos ou então muito mais.


Alexandre O'neill

the bridge

porque a loucura
deve ser rasgada por dentro
com as mãos cravadas numa ponte
acesa ao abismo


gil t. sousa

hands

uma a uma, as coisas do mundo, as noites desarrumadas,
as mãos que as arrumam
entre chama e sono


Herberto Hélder

o último suspiro

Proferimos o amor
com verbos úteis:
fazer - ir - vir - andar -
e mudámos os outros:
estremecer - imaginar - ferir.

Nenhum Jacob servirá mais por
sete anos. Raquel aprendeu a gerir
rebanhos e o fogo hoje
arde para se ver.

As letras garrafais
dos maços de tabaco vendem
mais verbos úteis
à espécie: 'fumar
mata', 'pode prejudicar o esperma
e a fertilidade'.

Será que já ninguém falece?
Desce à última
morada ou se extingue?

O último suspiro
é o resto da travessa
de um doce caseiro. E o
Criador revela-se, como sempre,
um destinatário incerto
para enviar a alma.


Inês Lourenço

tv dinner


Simon's Cat, Simon Tofield

meu amor

Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.

Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,

um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,

tão quase é coisa ou sucessão que passa...
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça?


Jorge de Sena

hoje, aqui, neste momento ou nunca mais

Porque não vens agora, que te quero, E adias esta urgência? Prometes-me o futuro e eu desespero. O futuro é o disfarce da impotência... Hoje, aqui, neste momento ou nunca mais. A sombra do alento é o desalento... O desejo é o limite dos mortais.


Miguel Torga

o equilíbrio

O círculo é a única figura geométrica definida pelo seu centro. Não há galinha nem ovo neste caso, o centro apareceu primeiro, a circunferência a seguir. A Terra, por definição, tem um centro. E só o louco que sabe isto é que pode ir onde quer, porque sabe que o centro o irá reter, impedir que voe para fora de órbita. Mas quando muda a percepção do centro, e pela força centrífuga vem à superfície, vai-se o equilíbrio. O equilíbrio vai-se. O equilíbrio, minha linda, foi-se.


Sarah Kane, Teatro Completo

da lira solar

Todos os teus rostos
me verão chegar
ver-me-ás saciar
todos os teus gostos
alvuras e mostos
da lira solar


Mário Cesariny

never let me go

© Francesca Woodman

relatives

Just the thought of them makes your jawbone ache:
those turkey dinners, those holidays with
the air around the woodstove baked to a stupor,
and Aunt Lil's tablecloth stained by her girlhood's gravy.
A doggy wordless wisdom whimpers from
your uncles' collected eyes; their very jokes
creak with genetic sorrow, a strain
of common heritage that hurts the gut.

Sheer boredom and fascination! A spidering
of chromosomes webs even the infants in
and holds us fast around the spread
of rotting food, of too-sweet pie.
The cousins buzz, the nephews crawl;
to love one's self is to love them all.


John Updike

sou sensível - demoníaca

Interessas-te por essa estranha debilidade que os outros curam, o ritmo secreto da vacilação.
A tua loucura bate de áspero entusiasmo.
Tens uma perigosa ciência -sabes ?
É que vês, revês, prevês, tresvês.
Andas sempre para a frente e para trás, páras e corres, e ficas tenso ouvindo e vendo,
com a loucura toda a trabalhar.
És sensível - demoníaco.


Herberto Hélder

presentes raros

se eu pudesse enterraria os meus dedos no peito, arrancaria o meu coração e oferecia-to. além do meu coração, há outros orgãos que eu gostaria de te dar: glândulas, pancreas, carnes variadas...
ofereço-te estes presentes. presentes raros. sei que eles não são grande coisa em comparação com o que tu já me deste.
eu ouvi que estes orgãos não sobrevivem fora do corpo por mais de algumas horas. mas tentarei chegar aí o mais rápido possível. não importa, o que acontecer será por minha conta, no meu coração.


Jenny Schecter

vem

é rouca a minha voz
na madrugada,
por entre os sobressaltos do sono
a chamar-te,
vem.

amo-te,
murmura a tua minha voz
na alucinação da perda.

quero-te,
diz muito baixo o meu desespero,
nas horas em que me descuido.


Silvia Chueire

hoje foi amanhã


Hoje Foi Amanha, Quaresma Vieira, 2003

a distância da beleza

Tua beleza esquece-se
de mim.

Sou um marco da estrada:
tu passas, olhas e páras
apenas para medir a distância
que te separa do fim.

Tua beleza distrai-se
e concentra-se em mim.


Albano Martins

já dizia o herberto hélder

és uma faca cravada na minha vida secreta

medo

o medo é uma mulher que caminha descalça sobre a neve, rezando, pedindo a deus de joelhos que NÃO HAJA SENTIDO


Leopoldo Maria Panero

dos quartos revisitados

© Mary Mccartney


a lâmina? o punhal?

invisibles ojos

Este poema está vivo.
Tiene ojos.
Invisibles ojos, que sin verlos, te miran.
Lees y acaricias versos que se erizan.
Este poema está vivo,
quiere escucharte recitar en voz alta;
meterse en tu casa o quizá en tu cama;
curiosear tus estantes de discos y libros,
de fotos y cartas;
provocarte emociones y hurgar en tu vida:
¡Date prisa, pasa de página!


Antonio Pérez Morte

por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos
E por vezes encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.


David Mourão-Ferreira

amor

Das palavras
que aprendeste
só uma
não tem tradução.
Quando traduzes
o amor, tu sabes
que é já outro o seu nome.
Assim são as algas
quando apodrecem.


Albano Martins

escombros

O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido. (...) Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver num amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo.


Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido

my first crush


My First Crush, Julia Pott

é lua nova

Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.


Hilda Hilst

amor

Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor.


Eugénio de Andrade

adivinha

Quem se dá quem se recusa
Quem procura quem alcança
Quem defende quem acusa
Quem se gasta quem descansa

Quem faz nós quem os desata
Quem morre quem ressuscita
Quem dá a vida quem mata
Quem duvida e acredita

Quem afirma quem desdiz
Quem se arrepende quem não
Quem é feliz infeliz
Quem é quem é coração.


José Saramago

muito bem, cabrão, já chega

O medo caminha de cabeça erguida neste planeta. o medo quer, pode e manda, próspero e eminente. O medo tem-nos a todos presos por um fio aqui em baixo. É verdade, meu caro. Filha, não te faças de desentendida... Um dia destes vou fazer frente ao medo.Vou fazer-lhe frente. Alguém tem de o fazer. Vou enfrenta-lo e dizer: Muito bem, cabrão, já chega. Já nos andas a dar ordens há tempo de mais. Eis alguém que não te quer aturar mais. Acabou-se. Fora!


Martin Amis

um lugar de silêncio

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.


Herberto Hélder

que te demores

Que te demores, que me persigas
Como alguns perseguem as tulipas
Para prover o esquecimento de si.
Que te demores
Cobrindo-me de sumos e de tintas
Na minha noite de fomes.
Reflecte-me. Sou teu destino e poente.
Dorme.


Hilda Hilst

o nosso portugal

diálogos amorosos

- quando olho as pessoas vejo-as sempre mortas,
(pausa)
- entram no teu olhar e ficam vagarosas a morrer?
- não. É já mortas que as vejo
- mesmo as que amaste?
- nunca amei ninguém
- não acredito
- só poderia amar quem eu não visse morto.
E isso ainda não aconteceu.


Rui Nunes, A Boca na Cinza

fraca, pesada, leve, confusa

o prazer, abandonarmo-nos a esta bem aventurada inconsciência, consentirmos em ser subtilmente mais fracos, mais pesados, mais leves e mais confusos que nós mesmos.


Marguerite Yourcenar

infinity

I write differently from the way I speak, I speak differently from the way I think, I think differently from the way I should think - and so it goes on into the darkest depths of infinity.


Franz Kafka, Letter to Ottla

a solidão é nada

FALTA O INDULTO ESPECIAL DA TUA MÃO
E TU A DIZERES-ME, AGUDA E DE ASSALTO:
«a solidão é nada.»


José Sebag


este sentimento:

"Aqui não lançarei a âncora"
e imediatamente nos sentirmos envolvidos pelas vagas que ondulam e nos arrastam!


Franz Kafka

the lost one

és nuvem, és mar,
és olvido
és também
aquilo que por ti foi perdido.


Jorge Luis Borges

poemário daqui

A. M. Pires Cabral Abel Neves Adília Lopes Adolfo Casais Monteiro Agustina Bessa-Luís Al Berto Albano Martins Alberto Pimenta Alexandra Malheiro Alexandre Nave Alexandre O'Neill Alice Turvo Alice Vieira Almada Negreiros Ana C. Ana Caeiro Ana Cristina César Ana Duarte Ana Hatherly Ana Luísa Amaral Ana Marques Gastão Ana Paula Inácio Ana Salomé Ana Tinoco André Tomé Andreia C. Faria Angélica Freitas Ângelo de Lima Aníbal Fernandes António Botto António Dacosta António Franco Alexandre António Gancho António Gedeão António Gregório António José Forte António Manuel Pires Cabral António Maria Lisboa António Mega Ferreira António Osório António Pedro António Quadros Ferro António Ramos Pereira António Ramos Rosa António Rebordão Navarro António Reis António S. Ribeiro Armando Baptista-Bastos Armando Silva Carvalho Artur do Cruzeiro Seixas Bénédicte Houart Bruno Béu Bruno Sousa Villar Camilo Castelo Branco Carlos Alberto Machado Carlos de Oliveira Carlos Eurico da Costa Carlos Mota de Oliveira Carlos Soares Casimiro de Brito Catarina Nunes de Almeida Cesário Verde Cláudia R. Sampaio Cruzeiro Seixas Daniel Faria Daniel Filipe David Mourão-Ferreira David Teles Pereira Delfim Lopes Dulce Maria Cardoso Eastwood da Silva Egito Gonçalves Ernesto Sampaio Eugénio de Andrade Eugénio Lisboa Fernando Assis Pacheco Fernando Esteves Pinto Fernando Lemos Fernando Pessoa Fernando Pinto do Amaral Fiama Hasse Pais Brandão Filipa Leal Filipe Homem Fonseca Florbela Espanca Frederico Pedreira gil t. sousa Golgona Anghel Gonçalo M. Tavares Helder Moura Pereira Helena Carvalho Helga Moreira Hélia Correia Henrique Manuel Bento Fialho Henrique Risques Pereira Herberto Hélder Inês Dias Inês Fonseca Santos Inês Lourenço Isabel Meyrelles Joana Serrado João Almeida João Bénard da Costa João Cabral de Melo Neto João Camilo João Damasceno João Ferreira Oliveira João Habitualmente João Luís Barreto Guimarães João Manuel Ribeiro João Pacheco João Pereira Coutinho João Rodrigues João Vasco Coelho Joaquim Manuel Magalhães Joaquim Pessoa Jorge de Sena Jorge Gomes Miranda Jorge Melícias Jorge Roque Jorge Sousa Braga José Agostinho Baptista José Alberto Oliveira José Amaro Dionísio José António Franco José Cardoso Pires José Carlos Barros José Carlos Soares José Efe José Gomes Ferreira José Manuel de Vasconcelos José Mário Silva José Miguel Silva José Ricardo Nunes José Rui Teixeira José Saramago José Sebag José Tolentino Mendonça Judith Teixeira Leitão de Barros Luís Miguel Nava Luís Quintais Luiza Neto Jorge Mafalda Gomes Manuel A. Domingos Manuel António Pina Manuel Cintra Manuel da Silva Ramos Manuel de Castro Manuel de Freitas Manuel Fúria Manuel Gusmão Marcelino Vespeira Margarida Vale de Gato Maria Ângela Alvim Maria Azenha Maria do Rosário Pedreira Maria Gabriela Llansol Maria João Lopes Fernandes Maria Judite de Carvalho Maria Keil Maria Sousa Maria Teresa Horta Maria Velho da Costa Mário Cesariny Mário Contumélias Mário de Sá-Carneiro Mário Quintana Mário Rui de Oliveira Mário-Henrique Leiria Marta Chaves Matilde Campilho Miguel Cardoso Miguel Martins Miguel Sousa Tavares Miguel Torga Miguel-Manso Nuno Araújo Nuno Bragança Nuno Júdice Nuno Moura Nuno Ramos Nuno Travanca Paulo José Miranda Pedro Jordão Pedro Mexia Pedro Oom Pedro Santo Tirso Pedro Sena-Lino Pedro Tamen Piedade Araujo Sol Raquel Nobre Guerra Raul de Carvalho Regina Guimarães Reinaldo Ferreira Renata Correia Botelho Ricardo Adolfo Rosa Alice Branco Rui Almeida Rui Baião Rui Caeiro Rui Cóias Rui Costa Rui Knopfli Rui Manuel Amaral Rui Nunes Rui Pedro Gonçalves Rui Pires Cabral Rute Mota Ruy Belo Ruy Cinatti Ruy Ventura Samuel Úria Sandra Costa Sebastião Alba Sílvio Mendes Soares de Passos Sofia Crespo Sofia Leal Sophia de Mello Breyner Andresen Teixeira de Pascoaes Teresa Balté Tiago Gomes valter hugo mãe Vasco Gato Vasco Graça Moura Vítor Nogueira Yvette K. Centeno

poemário dali

A. E. Housman Abbas Kiarostami Abel Feu Adelaide Ivánova Adélia Prado Adrienne Rich Agota Kristof Al Purdy Alberto Tugues Alda Merini Aldous Huxley Alejandra Pizarnik Alejandro Jodorowsky Alexander Demidov Alice Walker Amalia Bautista Amiri Baraka Amy Lowell Amy M. Homes Ana Merino André Breton Angela Carter Anis Mojgani Anna Akhmatova Anna Kamienska Anne Carson Anne Perrier Anne Sexton Antonia Pozzi Antonin Artaud Antonio Gamoneda Antonio Orihuela Antonio Pérez Morte Antonio Sáez Delgado Arnold Lobel Arseny Tarkovsky Arthur Rimbaud Benjamín Prado Bernard-Marie Koltès Boris Vian Brett Elizabeth Jenkins Brian Andreas Carl Sandburg Carlos Drummond de Andrade Carlos Edmundo de Ory Carlos Marzal Carmen Gloria Berríos Carol Ann Duffy Cecília Meireles Cesare Pavese Charles Baudelaire Charles Bukowski Charles Dana Gibson Charles M. Schulz Chen Bolan Clarice Lispector Constantino Cavafy Czesław Miłosz Damien Sevhac Daniel Francoy Daniel Pennac Daphne Gottlieb David Bowie David Lagmanovich David Lehman Delia Brown Delmore Schwarts Derek Walcott Derrick Brown Diamanda Galás Diane Ackerman Djuna Barnes Don Herold Dorianne Laux Dorothea Lasky Dorothy Parker Douglas Huebler Dylan Thomas E. E. Cummings E. M. Cioran Edgar Allan Poe Edna O'Brien Eduarda Chiote Eeva-Liisa Manner Egito Gonçalves Eleanor Farjeon Elie Wiesel Elis Regina Elizabeth Bishop Elizabeth Ross Taylor Else Lasker-Schuler Emily Dickinson Emily Kagan Trenchard Erin Dorsey Fabiano Calixto Federico Díaz-Granados Federico García Lorca Félix Grande Fernando Arrabal Fernando Caio de Abreu Fernando Gandra Ferreira Gular Forough Farrokhzad Frank O'Hara Frederico Pedreira G. K. Chesterton Gabriel Celaya Georges Bataille Gerrit Komrij Giovanny Gómez Glória Gervitz Gottfried Benn Günter Kunert Gustavo Ortiz H. P. Lovecraft Hal Sirowitz Hans-Ulrich Treichel Harold Pinter Harvey Shapiro Heinrich Heine Helen Mort Henry Rollins Hermann Hesse Hilda Hilst Hilde Domin Hoa Nguyen Hugh Mackay Hugo von Hofmannsthal Hugo Williams Ingeborg Bachmann Isabel Meyrelles Isabelle McNeill J. R. R. Tolkien Jack Kerouac Jacques Lacan Jacques Prévert James L. White James Rogers James Tate Janet Frame Jean Baudrillard Jean Day Jeanette Winterson Jenny Joseph Jenny Schecter Jesús Llorente Joan Julier Buck Joan Margarit Jodi Picoult Johann Wolfgang Goethe John Ashbery John Giorno John Keats John Mateer John Updike Jonathan Littell Jonathan Safran Foer Jonathan Swift Jorge Amado Jorge Luis Borges José Eduardo Agualusa José Gardeazabal José Mateos Joseph Brodsky Joseph Cervavolo József Attila Juan José Millás Juan Ramón Jimenez Judith Herzberg Junko Takahashi Katerina Angheláki-Rooke Kendra Grant Kenneth Traynor Kosntandinos Kavafis Kristina H. Langston Hughes Larissa Szporluk Lauren Mendinueta Laurie Anderson Lawrence Ferlinghetti Lêdo Ivo Leila Miccolis Leonard Cohen Leonardo Chioda Leonardo Da Vinci Leopoldo María Panero Lewis Carroll Lígia Reyes Lord Byron Lou Andreas-Salomé Lou Reed Louis Aragon Louis Buisseret Lourdes Espínola Lucía Estrada Luis Alberto de Cuenca Malcolm Lowry Manoel de Barros Manuel Arana Marco Mackaaij Margaret Atwood María Sánchez Mariano Peyrou Marin Sorescu Martha Carolina Dávila Martin Amis Mary Elizabeth Frye Mary Jo Salter Mary Oliver Mary Ruefle Medlar Lucan & Durian Gray Mia Couto Michael Drayton Michel Houellebecq Miguel de Cervantes Miriam Reyes Mitch Albom Morgan Parker Muriel Rukeyser Natsume Soseki Neil Gaiman Nichita Stanescu Nicole Blackman Octavio Paz Olga Orozco Osho Otávio Campos Pablo García Casado Pablo Neruda Pat Boran Patricia Beer Patti Smith Paul Eluard Paul Éluard Paul Géraldy Paul Theroux Paulo Leminski Pentti Saaritsa Per Aage Brandt Pere Gimferrer Philip Larkin Philip Roth Pia Tafdrup Pierre Reverdy Piotr Sommer Rafael Alberti Rainer Maria Rilke Ramón Gómez de la Serna Raymond Carver Raymond Queneau Reiner Kunze Richard Brautigan Richard Burton Robert Creeley Robert Frost Roberto Fernández Retamar Roberto Juarroz Roger Wolfe Rosemarie Urquico Rubens Borba de Moraes Rudyard Kipling Russell Edson Ruth Stone Salman Rushdie Sam Shepard Samuel Beckett Sandro Penna Santiago Nazarian Serge Gainsbourg Sharon Olds Shel Silverstein Silvia Chueire Silvia Ugidos Simone de Beauvoir Somerset Maugham Stephen Crane Stephen Wright Steve Mccaffery Stevie Smith Stuart Dischell Sue Goyette Susana Cabuchi Sylvia Plath T. S. Eliot Tanya Davis Tati Bernard Tatianna Rei Moonshadow Tennessee Williams Tilly Strauss Tom Baker Tom Waits Ulla Hahn Valentine de Saint-Point Vincenzo Cardarelli Vinicius de Moraes Vladimir Nabokov W. H. Auden Warsan Shire William Blake William Butler Yeats William Carlos Williams William Shakespeare Winnie Meisler Winona Baker Wislawa Szymborska Yehuda Amichai Yohji Yamamoto Yoko Ono Yorgos Seferis Zee Avi

livraria

. A Sul de Nenhum Norte . . Granta . Al Berto . Alexandre O'Neill . Algernon Blackwood . Ali Smith . Alice Munro . Alice Turvo . Almanaque do Dr. Thackery . Anaïs Nin . Anita Brookner . Ann Beattie . Annemarie Schwarzenbach . Anton Tchekhov . António Ferra . António Lobo Antunes . Arthur Miller . Boris Vian . Bret Easton Ellis . Carlos de Oliveira . Carson McCullers . Charles Bukowski . Chuck Palahniuk . Clarice Lispector . Conde de Lautréamont . Cormac McCarthy . Cristiane Lisbôa . Donald Barthelme . Doris Lessing . Dulce Maria Cardoso . Edith Wharton . Eileen Chang . Elena Ferrante . Enrique Vila-Matas . Erasmo de Roterdão . Ernest Hemingway . Ernesto Sampaio . F. Scott Fitzgerald . Fernando Pessoa . Flannery O'Connor . Florbela Espanca . Françoise Sagan . Franz Kafka . Frida Kahlo . Gabriel García Márquez . Gonçalo M. Tavares . Graça Pina de Morais . Gustave Flaubert . Guy de Maupassant . Harold Pinter . Haruki Murakami . Henri Michaux . Herberto Hélder . Hunter S. Thompson . Irene Lisboa . Irène Némirovsky . Italo Calvino . J. D. Salinger . Jack Kerouac . James Joyce . Jean Cocteau . Jean Genet . Jean Meckert . Jean-Paul Sartre . Jeffrey Eugenides . Jim Cartwright . Joan Didion . John Cheever . José Jorge Letria . José Saramago . Josep Pla . Julian Barnes . Julio Cortázar . Karen Blixen . Kate Chopin . Katherine Mansfield . Kurt Vonnegut . Lázaro Covadlo . Lillian Hellman . Luís de Sttau Monteiro . Luís Miguel Nava . Luiz Pacheco . Lydia Davis . Lygia Fagundes Telles . Malcolm Lowry . Manuel Hermínio Monteiro . Manuel Jorge Marmelo . Marcel Proust . Margaret Atwood . Marguerite Duras . Marguerite Yourcenar . Mário C. Brum . Mário-Henrique Leiria . Mark Lindquist . Marquis de Sade . Max Aub . Miguel Castro Henriques . Miguel Esteves Cardoso . Miguel Martins . Milan Kundera . Neil Gaiman . Nick Cave . Norman Rush . Orhan Pamuk . Oscar Wilde . Paul Auster . Paulo Rodrigues Ferreira . Pedro Mexia . Penelope Fitzgerald . Pierre Louÿs . Rainer Maria Rilke . Rainer Werner Fassbinder . Raul Brandão . Ray Bradbury . Rebecca West . Regina Guimarães . Richard Yates . Roland Topor . Rolf Dieter Brinkmann . Rui Nunes . S. E. Hinton . Sam Shepard . Samuel Beckett . Sarah Kane . Shirley Jackson . Stig Dagerman . Susan Sontag . Susana Moreira Marques . Sylvia Plath . Tennessee Williams . Teresa Veiga . Tom Baker . Truman Capote . valter hugo mãe . Vasco Gato . Vera Lagoa . Vergílio Ferreira . Virginia Woolf . Vladimir Nabokov . William Faulkner . Woody Allen . Yasunari Kawabata . Yukio Mishima .
page visitor counter

mariaravascosoares@gmail.com
ocinemadaoqueavidatira.tumblr.com