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Lisboa
Quando atravesso - (...) o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Sophia de Mello Breyner Andresen
Quando atravesso - (...) o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Sophia de Mello Breyner Andresen
ouve-hoje-preciso-vem
Ouve
preciso o teu silêncio
hoje
o teu consentimento
escuta
na garganta água
vem
amargo de tabaco
não
pássaros não quero
nem cenários
nem sentir o quarto
diz
diz que me encontraste
se é verdade
diz que me encontraste
ouve
hoje
preciso
vem
Teresa Balté
preciso o teu silêncio
hoje
o teu consentimento
escuta
na garganta água
vem
amargo de tabaco
não
pássaros não quero
nem cenários
nem sentir o quarto
diz
diz que me encontraste
se é verdade
diz que me encontraste
ouve
hoje
preciso
vem
Teresa Balté
o desejo em ti
tenho nas mãos o mar
que me ilumina os olhos,
a memória do corpo
a sulcar a água,
da água a navegar-me a pele.
o desejo de ti
a caminhar por mim ontem
como se fosse hoje.
Silvia Chueire
que me ilumina os olhos,
a memória do corpo
a sulcar a água,
da água a navegar-me a pele.
o desejo de ti
a caminhar por mim ontem
como se fosse hoje.
Silvia Chueire
um poema é uma cidade
um poema é uma cidade cheia de ruas e pregões
cheia de santos, heróis, pedintes, loucos,
cheia de banalidade e bebida,
cheia de chuva e trovões e períodos de
seca, um poema é uma cidade em guerra,
um poema é uma cidade a perguntar ao tempo porquê,
um poema é uma cidade a arder,
um poema é uma cidade cercada
com os barbeiros cheios de bêbados cínicos,
um poema é uma cidade onde Deus anda nu
pelas ruas como Lady Godiva,
onde cães ladram durante a noite, e afugentam
a bandeira; um poema é uma cidade de poetas,
muitos deles iguais uns aos outros
e invejosos e amargurados…
um poema é esta cidade agora,
a 50km de lugar nenhum,
às 9:09 da manhã,
o sabor a bebida e cigarros,
sem policia, sem amantes a passear pelas ruas,
este poema, esta cidade, a fechar as suas portas,
barricando-se, quase vazia,
de luto mas sem lágrimas, a envelhecer sem remédio,
as montanhas rochosas,
o oceano como uma magnólia a arder,
a lua sem qualquer grandeza,
a música de janelas partidas…
um poema é uma cidade, um poema é uma nação,
um poema é o mundo…
e agora entrego isto à lupa do editor
para a sua apreciação,
e a noite está noutro lugar
e mulheres deprimidas permanecem em fila,
cães seguem cães até ao estuário,
e sirenes anunciam navios
enquanto homens impacientam-se com coisas
que não conseguem fazer.
Charles Bukowski, trad. Manuel A. Domingos
cheia de santos, heróis, pedintes, loucos,
cheia de banalidade e bebida,
cheia de chuva e trovões e períodos de
seca, um poema é uma cidade em guerra,
um poema é uma cidade a perguntar ao tempo porquê,
um poema é uma cidade a arder,
um poema é uma cidade cercada
com os barbeiros cheios de bêbados cínicos,
um poema é uma cidade onde Deus anda nu
pelas ruas como Lady Godiva,
onde cães ladram durante a noite, e afugentam
a bandeira; um poema é uma cidade de poetas,
muitos deles iguais uns aos outros
e invejosos e amargurados…
um poema é esta cidade agora,
a 50km de lugar nenhum,
às 9:09 da manhã,
o sabor a bebida e cigarros,
sem policia, sem amantes a passear pelas ruas,
este poema, esta cidade, a fechar as suas portas,
barricando-se, quase vazia,
de luto mas sem lágrimas, a envelhecer sem remédio,
as montanhas rochosas,
o oceano como uma magnólia a arder,
a lua sem qualquer grandeza,
a música de janelas partidas…
um poema é uma cidade, um poema é uma nação,
um poema é o mundo…
e agora entrego isto à lupa do editor
para a sua apreciação,
e a noite está noutro lugar
e mulheres deprimidas permanecem em fila,
cães seguem cães até ao estuário,
e sirenes anunciam navios
enquanto homens impacientam-se com coisas
que não conseguem fazer.
Charles Bukowski, trad. Manuel A. Domingos
Estou mais forte, pára,
pára de atormentar-me, estou mais forte agora, pára,
tu que querias devorar-me, pára,
estou mais forte, pára,
tenho uma poderosa magia agora, pára,
já não podes dominar-me, pára,
estou mais forte, pára,
tenho uma poderosa magia, estou mais forte agora, pára,
pára, estou mais forte agora, forte, forte, pára.
Índios Iroqueses, trad. Herberto Hélder
tu que querias devorar-me, pára,
estou mais forte, pára,
tenho uma poderosa magia agora, pára,
já não podes dominar-me, pára,
estou mais forte, pára,
tenho uma poderosa magia, estou mais forte agora, pára,
pára, estou mais forte agora, forte, forte, pára.
Índios Iroqueses, trad. Herberto Hélder
nada do que é importante se perde verdadeiramente
E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.
Miguel Sousa Tavares
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.
Miguel Sousa Tavares
A solidão era eterna
e o silêncio inacabável.
Detive-me com uma árvore
e ouvi falar as árvores.
Juan Ramón Jimenez
Detive-me com uma árvore
e ouvi falar as árvores.
Juan Ramón Jimenez
do chão
Precisava de falar-te ao ouvido
De manter sobre a rodilha do silêncio
A escrita.
Precisava dos teus joelhos. Da tua porta aberta.
Da indigência. E da fadiga.
Da tua sombra sobre a minha sombra
E da tua casa.
E do chão.
Daniel Faria, Poesia
De manter sobre a rodilha do silêncio
A escrita.
Precisava dos teus joelhos. Da tua porta aberta.
Da indigência. E da fadiga.
Da tua sombra sobre a minha sombra
E da tua casa.
E do chão.
Daniel Faria, Poesia
Tell me, if I caught you one day
and kissed the sole of your foot,
wouldn’t you limp a little then,
afraid to crush my kiss?
Nichita Stanescu
wouldn’t you limp a little then,
afraid to crush my kiss?
Nichita Stanescu
excelentíssima madame
- Excelentíssima madame, eis que primeiro vou descrever o seu esplendoroso vestido e logo a seguir, sim, a despirei com toda a ansiedade possível.
- Belo programa, meu bom senhor. Mas essa primeira parte, não poderá saltar-se?
- Excelentíssima madame, eu sou um escritor, não sou um fornicador.
- Oh, meu bom senhor, que pena.
Gonçalo M. Tavares, Flaubert
- Belo programa, meu bom senhor. Mas essa primeira parte, não poderá saltar-se?
- Excelentíssima madame, eu sou um escritor, não sou um fornicador.
- Oh, meu bom senhor, que pena.
Gonçalo M. Tavares, Flaubert
que tu existas
Nada garante que tu existas
Não acredito que tu existas
Só necessito que tu existas
David Mourão-Ferreira
Não acredito que tu existas
Só necessito que tu existas
David Mourão-Ferreira
o teu nome numa concha
Quero de ti o que for simples
um aceno um postal
o teu nome numa concha
Ter apenas isto:
um banco de jardim
onde te esperar
e esperar
Vasco Gato
um aceno um postal
o teu nome numa concha
Ter apenas isto:
um banco de jardim
onde te esperar
e esperar
Vasco Gato
do you know where the wild roses grow / so sweet and scarlet and free
se isto não é terrivelmente amoroso então não sei
um passo mais e a solidão será real
o silêncio tem vozes sem nome
que não possuem sossego até serem ouvidas
a casa que habitamos ecoa memórias
uma porta entreabre-se para o fundo de um grito
como se por um momento tudo regressasse à sua morte
os contornos da terra hesitam em sua posição
um lume mínimo espanta-nos os dedos
e é uma força subtil
algo dentro e fora da casa nos convida à totalidade
porém o fogo reclama ainda o nosso corpo
um passo mais e a solidão será real
Vasco Gato
que não possuem sossego até serem ouvidas
a casa que habitamos ecoa memórias
uma porta entreabre-se para o fundo de um grito
como se por um momento tudo regressasse à sua morte
os contornos da terra hesitam em sua posição
um lume mínimo espanta-nos os dedos
e é uma força subtil
algo dentro e fora da casa nos convida à totalidade
porém o fogo reclama ainda o nosso corpo
um passo mais e a solidão será real
Vasco Gato
rosas
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Herberto Hélder
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Herberto Hélder
gin, cigarettes, and desperation: the carson mccullers diet
Carson liked sherry with her tea, brandy with her coffee, and her purse with a large flask of whiskey. Between books, when she was neither famous nor monied, she claimed she existed almost exclusively on gin, cigarettes, and desperation for weeks at a time. During her most productive years she employed a round-the-clock drinking system: she’d start the day at her typewriter with a ritual glass a beer, a way of saying it was time to work, then steadily sip sherry as she typed. If it was cold and there was no wood for the stove, she’d turn up the heat with double shots of whiskey. She concluded her workday before dinner, which she primed with a martini. Then it was off to the parties, which meant more martinis, cognac, and, oftentimes, corn whiskey. Finally, she ended the day as it began, with a bedtime beer.
Her recuperative abilities are the stuff of legend—she would rise the following morning, shake off her hangover like so much dust, down her morning beer, and get back to work.
Modern Drunkard Magazine
Her recuperative abilities are the stuff of legend—she would rise the following morning, shake off her hangover like so much dust, down her morning beer, and get back to work.
Modern Drunkard Magazine
Não, não o faço por tristeza
nem superstição.
Cada noite
assinalo na parede do tempo.
Presidiário
que não deseja o último dia.
Apenas por te ouvir e amar,
pura volúpia, gratidão de ser.
António Osório
Cada noite
assinalo na parede do tempo.
Presidiário
que não deseja o último dia.
Apenas por te ouvir e amar,
pura volúpia, gratidão de ser.
António Osório
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Louis Aragon
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Manuel Arana
Marco Mackaaij
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Paul Éluard
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Paul Theroux
Paulo Leminski
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Per Aage Brandt
Pere Gimferrer
Philip Larkin
Philip Roth
Pia Tafdrup
Pierre Reverdy
Piotr Sommer
Rafael Alberti
Rainer Maria Rilke
Ramón Gómez de la Serna
Raymond Carver
Raymond Queneau
Reiner Kunze
Richard Brautigan
Richard Burton
Robert Creeley
Robert Frost
Roberto Fernández Retamar
Roberto Juarroz
Roger Wolfe
Rosemarie Urquico
Rubens Borba de Moraes
Rudyard Kipling
Russell Edson
Ruth Stone
Salman Rushdie
Sam Shepard
Samuel Beckett
Sandro Penna
Santiago Nazarian
Serge Gainsbourg
Sharon Olds
Shel Silverstein
Silvia Chueire
Silvia Ugidos
Simone de Beauvoir
Somerset Maugham
Stephen Crane
Stephen Wright
Steve Mccaffery
Stevie Smith
Stuart Dischell
Sue Goyette
Susana Cabuchi
Sylvia Plath
T. S. Eliot
Tanya Davis
Tati Bernard
Tatianna Rei Moonshadow
Tennessee Williams
Tilly Strauss
Tom Baker
Tom Waits
Ulla Hahn
Valentine de Saint-Point
Vincenzo Cardarelli
Vinicius de Moraes
Vladimir Nabokov
W. H. Auden
Warsan Shire
William Blake
William Butler Yeats
William Carlos Williams
William Shakespeare
Winnie Meisler
Winona Baker
Wislawa Szymborska
Yehuda Amichai
Yohji Yamamoto
Yoko Ono
Yorgos Seferis
Zee Avi
livraria
. A Sul de Nenhum Norte .
. Granta .
Al Berto .
Alexandre O'Neill .
Algernon Blackwood .
Ali Smith .
Alice Munro .
Alice Turvo .
Almanaque do Dr. Thackery .
Anaïs Nin .
Anita Brookner .
Ann Beattie .
Annemarie Schwarzenbach .
Anton Tchekhov .
António Ferra .
António Lobo Antunes .
Arthur Miller .
Boris Vian .
Bret Easton Ellis .
Carlos de Oliveira .
Carson McCullers .
Charles Bukowski .
Chuck Palahniuk .
Clarice Lispector .
Conde de Lautréamont .
Cormac McCarthy .
Cristiane Lisbôa .
Donald Barthelme .
Doris Lessing .
Dulce Maria Cardoso .
Edith Wharton .
Eileen Chang .
Elena Ferrante .
Enrique Vila-Matas .
Erasmo de Roterdão .
Ernest Hemingway .
Ernesto Sampaio .
F. Scott Fitzgerald .
Fernando Pessoa .
Flannery O'Connor .
Florbela Espanca .
Françoise Sagan .
Franz Kafka .
Frida Kahlo .
Gabriel García Márquez .
Gonçalo M. Tavares .
Graça Pina de Morais .
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Guy de Maupassant .
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